segunda-feira, 29 de agosto de 2016

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PALESTRA NA GAMARRA

Este foi o meu segundo bate-papo sobre poesia concreta, onde levei um pouco do que eu aprendi em todas as minhas leituras e estudos sobre esta vertente poética. Desta vez, falei para alguns alunos e alunas da Gamarra, uma instituição de Consultoria Educacional.


Como sempre, cheguei cedo. Na recepção, observava algumas mães chegando para fazer a matrícula com seus filhos. Lembrei da época em que vivi isso, e fiz uma retrespectiva da minha vida.

Quando deu o meu horário, fui para a sala onde um grupo de jovens me aguardava. Na parede, já visualizei um cartaz com alguns dos meus poemas expostos.


Perguntei se alguém escrevia. Apenas um rapaz levantou a mão. Perguntei se alguém já tinha ouvido falar de poesia concreta. Uma moça levantou a mão e falou que só tinha ouvido falar de "concreto".

Me apresentei e expliquei que poesia concreta parece algo muito complexo, se você for ler os manifestos, teorias e livros sobre o assunto. Mas disse que, no final de tudo, poesia concreta é apenas uma brincadeira com as palavras e as formas, que ela está ao nosso redor, e que só "precisamos olhar as coisas de uma forma diferente" (parafraseando o filme Sociedade dos Poetas Mortos).

Apresentei meus livros, meus zines e deixei passando para eles olharem enquanto eu explicava. Montei uma apresentação com poemas mais lúdicos, porque se eu mostrasse alguns mais "cabeçudos", iria passar a palestra toda explicando 4 ou 5. Abordei rapidamente os primórdios e os fundadores do movimento concretista, logo após, comecei a dar exemplos das diversas experimentações que podemos fazer utilizando formas, letras e palavras. 

Alguns olhares mais atentos entendiam rapidamente alguns dos poemas, alguns eu precisei explicar, levantando conceitos como metalinguagem e "verbivocovisual" (a palavra feia que eu brinquei prometendo dar um livro se alguém lembrasse no final. Uma moça até anotou na mão: "verbicovisual", mas, infelizmente, faltou o "vo").


Enfim, depois desta apresentação, espero que alguém tenha absorvido essa visão das diversas formas de se fazer poesia e se sinta inspirado em criar algo neste campo ou até mesmo no da poesia tradicional, versificada.

Também penso que, diferente da primeira vez, no Café Filosófico do CAPS, além da poesia concreta, falei muito mais sobre a minha vivência, pois a retrospectiva que fiz enquanto aguardava, me fez refletir sobre o esforço de todas aquelas mães que, assim como a minha, batalharam para que tivéssemos uma boa educação, que muitas delas não tiveram a oportunidade de ter.


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