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sábado, 8 de julho de 2023

ESL DISCUSSIONS - INTELIGÊNCIA



STUDENT A's QUESTIONS

(1) O que é inteligência?

A inteligência é uma capacidade cognitiva, geralmente, associada à habilidade de aprender, compreender, raciocinar, resolver problemas, adaptar-se a novas situações e utilizar o conhecimento de maneira eficaz. É uma característica complexa e multifacetada que envolve diferentes aspectos, como memória, compreensão verbal, habilidades espaciais, raciocínio lógico, capacidade de abstração e criatividade.


(2) O que você diria sobre sua inteligência?

Diria que está na média, pois não me considero uma pessoa muito fora da curva.


(3) O que você pode fazer para aumentar sua inteligência?

Particularmente, estudo bastante sobre diversos assuntos, e procuro realizar diferentes atividades físicas e mentais para manter o cérebro sempre ativo, nunca esquecendo de também manter uma boa alimentação.


(4) Por que algumas pessoas são mais inteligentes do que outras?

Por se tratar de uma característica complexa nas pessoas, podemos citar: Fatores genéticos; acesso a uma educação de qualidade, isto é, um ambiente que promova o estímulo cognitivo; fatores socioeconômicos; e um estilo de vida e hábitos saudáveis.


(5) A inteligência é de família?

Estudos sugerem que uma porcentagem significativa da variação na inteligência pode ser atribuída a diferenças genéticas.


(6) A escola torna uma pessoa mais inteligente?

Sim, pois uma educação de qualidade estimula o aprendizado e a criatividade.


(7) Você acha que os cientistas irão criar uma Inteligência Artificial maior que a nossa inteligência?

Assunto polêmico, ainda mais porque o ChatGPT está no hype. Não é que estas ferramentas sejam inteligentes de fato, a realidade é que elas conseguem processar muito mais informações que nós de maneira extremamente rápida.


(8) Existe uma ligação entre inteligência, criatividade e humor?

Penso que sim. A inteligência está relacionada com a capacidade de processar informações, raciocinar logicamente e resolver problemas. A criatividade, por outro lado, envolve a geração de ideias originais e a capacidade de pensar de forma não convencional. Embora sejam conceitos distintos, existe uma sobreposição entre inteligência e criatividade, uma vez que indivíduos com maior capacidade cognitiva podem ter maior facilidade em pensar de maneira criativa e encontrar soluções inovadoras para problemas. A criatividade e o humor também estão relacionados, pois a criatividade envolve a capacidade de fazer conexões inusitadas, encontrar associações incomuns e gerar ideias originais. O humor, por sua vez, muitas vezes envolve uma perspectiva inesperada ou uma visão diferente de uma situação. Pessoas criativas podem ser propensas a expressar seu humor de maneiras únicas e a encontrar soluções engraçadas e originais para problemas cotidianos.


(9) A inteligência torna as pessoas mais atraentes?

Na minha opinião, sim. Inclusive, existe o termo sapiosexual, utilizado por pessoas que afirmam só sentir atração sexual por pessoas que são consideradas inteligentes.


(10) Falar bem o inglês o torna mais inteligente do que um amigo que não sabe falar inglês?

Não necessariamente. O fator inteligência abrange muito mais do que apenas habilidades linguísticas. Ela envolve capacidades cognitivas mais amplas, como raciocínio lógico, resolução de problemas, memória, criatividade e habilidades sociais, entre outros aspectos. Isto é abordado na teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner.


STUDENT B's QUESTIONS

(1) Você se preocupa com seus níveis de inteligência?

Sim. Por trabalhar com desenvolvimento de software, procuro manter meu cérebro sempre ativo, seja estudando sobre diversos assuntos ou aprendendo um outro idioma, por exemplo.


(2) Quem é a pessoa mais inteligente que você conhece? Porque você acha isso?

Meu antigo professor da faculdade, Luiz Alberto.


(3) Você acha que todos os líderes mundiais são inteligentes?

Não em todos os aspectos. Eles precisam ser muito inteligentes em alguns cenário específicos, como resolução de problemas, habilidades sociais etc. Isto é, para um líder ser inteligente, não precisa ser um gênio da matemática, por exemplo.


(4) Todos nós nascemos com o mesmo nível de inteligência?

Obviamente que não. Um dos fatores que sustenta minha opinião é o genético, conforme mencionado anteriormente.


(5) Ser muito inteligente te deixa feliz?

Sim. Como gosto de criar coisas e resolver problemas, quando isso acontece, é algo muito satisfatório.


(6) O que insulta sua inteligência?

Mentiras. Principalmente as fake news propagadas pela internet.


(7) O que você acha dos testes de inteligência? Você acha que eles são precisos?

A inteligência pode ser medida e avaliada por meio de testes de QI (Quociente de Inteligência) e outros instrumentos psicométricos, embora a avaliação da inteligência seja um tópico de debate entre os especialistas. Existem diferentes teorias sobre a natureza da inteligência, incluindo a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner, que propõe a existência de diferentes formas de inteligência, como a linguística, a lógico-matemática, a musical, a espacial, a corporal-cinestésica, a interpessoal e a intrapessoal.


(8) As pessoas inteligentes costumam ser mais arrogantes?

Não necessariamente. Já conheci pessoas bastante inteligentes, porém, modestas.


(9) Pessoas muito inteligentes e pouco inteligentes são bons parceiros?

Acho que, neste contexto, o caráter também é importante, não apenas inteligência.


(10) Os golfinhos são realmente mais inteligentes que os humanos?

Não. Os golfinhos são animais inteligentes e exibem várias habilidades cognitivas impressionantes, como comunicação sofisticada, capacidade de aprendizado, memória avançada, resolução de problemas e uso de ferramentas. Eles também têm habilidades sociais complexas e são conhecidos por sua interação e comportamento cooperativo. No entanto, a inteligência humana é distinta e geralmente considerada mais avançada em várias áreas. A capacidade humana para a linguagem, raciocínio lógico, criatividade, consciência de si mesmo e planejamento futuro são características que ainda não foram observadas em outras espécies, incluindo os golfinhos.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

POLIMATISMO, UM ESTILO DE VIDA

Graças ao Coursera (https://www.coursera.org/) e ao edX (https://www.edx.org/), não preciso ficar preso apenas à minha grade curricular, e consigo fazer diversos outros cursos em universidades mundo afora. Atualmente, estou fazendo um no MIT, voltado para Computação, e este, na UCSD, voltado para Neurociência. Porque não adianta nada estudar/decorar apenas para passar nas provas e não aprender nada direito.

CÉLEREBRO, UM PROTÓTIPO

CÉLEREBRO é um minigame que estou desenvolvendo para praticar o conteúdo de programação que aprendo. Também porque gosto muito de jogos “neuróbicos”.

Este é apenas um protótipo de um projeto maior, que contará com diversos outros módulos, interface gráfica e tudo mais. No entanto, para que tal jogo possa sair inteiramente do papel, preciso estudar muitas outras ferramentas que me auxiliem neste processo criativo.

Neste caso, tentei utilizar ao máximo os recursos que a (poderosa) linguagem C oferece, desde a manipulação de arquivos até estruturas de dados e ordenação. Muitas vezes, debugá-lo foi um desafio. Não é fácil indentificar um erro de semântica. E, graças ao gdb, corrigi vários problemas de segmentation fault.

Com quase todo o sistema modelado, não gostei dos resultados da função geradora de números aleatórios. Tive que começar praticamento do zero, utilizando outro método para tornar cada operação o mais esporádica possível. Para isso, fiz o uso de listas encadeadas e conceitos de produto cartesiano.

Apesar dos meus testes, pode ser que existam outros bugs que deixei passar. Mas estes eu vou corrigindo no decorrer dos meus treinos diários...

Saiba mais acessando este meu repositório no GitHub.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

KEEP YOUR BRAIN ALIVE - LAWRENCE KATZ

Based on leading neurobiological research, Keep Your Brain Alive introduces a regimen of mental cross-training―a series of deceptively simple exercises that help stimulate the production of natural growth factors called neurotrophins, which in turn grow brain cells and keep the brain younger and stronger. And nothing so easily stimulates the brain as breaking routines and using the five senses in new and unexpected ways. So if you’re right-handed, wake up tomorrow and brush your teeth with your left hand. Or close your eyes before you get in the car and insert the key into the ignition. Every time you open a new circuit in your brain, it’s like doing a round of mental sit-ups.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

DESVENDANDO O CÉREBRO

Visando aprimorar a minha forma de aprendizado para não cometer os mesmos erros no próximo semestre, decidi fazer uma pesquisa no campo da neurociência para descobrir como o cérebro absorve e mantém as informações que são adquiridas por meio dos sentidos. 

Para isso, busquei por materiais audiovisuais e bibliográficos que me ajudassem nesta empreitada. Encontrei uma série de palestras do The Great Courses que foram extremamente informativas. Além disso, também li o livro Aprendendo Inteligência, do Pierluigi Piazzi. Uma leitura leve, mas a maioria das informações que o autor levanta já era do meu conhecimento. (Recomendado para jovens cursando o ensino fundamental/médio.)

Os vídeos das palestras podem ser comprados no site The Great Courses ou encontrados na internet. O livro Aprendendo Inteligência está disponível aqui.


Scientific Secrets for a Powerful Memory (Course No. 1965)
Professor Peter M. Vishton, Ph.D.
The College of William & Mary

What was the name of your first pet? Where did you put your house keys? How do you get to work every morning? Most likely, you didn't need to look up the answers to these questions. You remembered them. Memory is, without a doubt, the most powerful (and practical) tool of everyday life. By linking both your past and your future, memory gives you the power to plan, to reason, to perceive, and to understand. As long as thinking and insight are important in how we live our lives, memory will be critical as well. And the better your memory, the more information you'll have at your immediate disposal and the better your thinking will be.



Optimizing Brain Fitness (Course No. 1651)
Professor Richard Restak, M.D.
The George Washington University School of Medicine and Health Sciences

With its up to 500 trillion synaptic connections, your brain is easily the most powerful machine in the world. These connections are what create your thoughts, what drive your emotions, and what control your behaviors. Even more incredibly: This amazing machine is constantly changing through a process known as brain plasticity. And you can take advantage of this process to improve and enhance your brain's jaw-dropping powers—at any age.



How We Learn (Course No. 1691)
Professor Monisha Pasupathi, Ph.D.
University of Utah


Learning is a lifelong adventure. It starts in your mother's womb, accelerates to high speed in infancy and childhood, and continues through every age, whether you're actively engaged in mastering a new skill, intuitively discovering an unfamiliar place, or just sleeping, which is fundamental to helping you consolidate and hold on to what you've learned. You are truly born to learn around the clock.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

COMO FUNCIONA A POLIMATIA, POR QUE TEMPOS POUCOS POLÍMATAS, E POR QUE ISSO É RUIM

 Excelente texto do Michael Araki que foi publicado no seu blog Ensônicas.

* * * 


Um dos problemas para se compreender a polimatia é que ela tem sido vinculada a conceitos muito amplos e vagos, tal como “disciplinas”, “campos do conhecimento”, ou “áreas do saber”. Conceitos extremamente amplos como esses podem fazer pouco sentido ou podem parecer arbitrários quando precisamos analisar a natureza da construção de um conhecimento polímata.

No esforço de compreender melhor como podemos chegar ou obter a condição de polímata (i.e., deter alto grau de conhecimento, experiências e aprendizagens em múltiplas áreas, algo que eu batizei em outros trabalhos de Polymathic Zustand; Araki, 2015) eu propus um novo construto chamado traço polimatia (Trait Polymathy):

O traço polimatia se refere à facilidade e/ou potencial de alguém para formar esquemas poderosos em múltiplas áreas do conhecimento.

Dessa forma, para entendermos melhor o traço polimatia (e a polimatia em si), precisamos nos abster um pouco de unidades de análise muito amplas como “área do conhecimento”, “campo de conhecimento” e “disciplina”, e se concentrar em unidades de análise mais básicas para a construção do conhecimento, como o esquema. Segundo Piaget and Cook (1952), esquemas são categorias de conhecimento que nos ajudam a interpretar e compreender o mundo. Para que o conceito de esquema seja ainda mais útil para analisarmos a Polimatia, eu utilizo, além de Piaget, princípios aprendidos com a filosofia pragmática (cf., Peirce, 1878, 1974) para chegar a uma definição incrementada do construto esquema:

Esquema é uma unidade de conhecimento provisional, robusta o suficiente para que uma pessoa esteja preparada para agir de acordo com ela.

É importante, desde já, notar que o esquema é provisional, pois, mesmo na visão original de Piaget, um esquema engloba um processo permanente de construção e reconstrução. Um esquema não é, necessariamente, uma entidade perfeita. Ou seja, na medida que as experiências acontecem, novas informações são usadas para modificar, adicionar ou alterar esquemas previamente existentes (Piaget & Cook, 1952)

Então, o que seria, na prática, um esquema, e o que isso tem a ver com a polimatia?


Um exemplo de esquema

Digamos que você esteja querendo aprender a língua inglesa. Como falante de português, você possui um esquema sobre como modificar frases do tempo presente para o tempo passado. Se fôssemos descrever como esse esquema funciona, possivelmente se assemelharia a algo do tipo: “para se mudar uma frase do presente para o passado, deve-se mudar a conjugação do verbo”. Daí, na aula de inglês você descobre que, para se fazer perguntas naquela língua, não se usa conjugação verbal! Em vez de mudar as desinências verbais eles usam outro tipo de estratégia que envolve a utilização de um “troço” que eles chamam de “verbos auxiliares”. Desta forma, para ser bem-sucedido no aprendizado de inglês, você deve ser bem-sucedido na formação de um novo esquema: “quando fizer perguntas em inglês, o verbo fica imutável; utilizamos o verbo auxiliar 'do' se for presente, e 'did' se for passado”.

Percebe-se que mesmo nesse simples exemplo a formação de um novo esquema está vinculada a formação sólida de vários esquemas antecedentes, tal como um esquema sobre o que é “presente”, o que é “verbo”, o que é uma “interrogativa”, etc. Ou seja, os esquemas possuem uma forte natureza inter-relacional.


Polimatia = Esquemas em Múltiplas Áreas

Utilizando-se o conceito de esquemas como guia, nós podemos avançar uma nova definição de polimatia que será tanto mais útil para o nosso entendimento, como possivelmente estará mais próxima a etimologia da palavra (esquema funcionaria como um bom substituto para o termo grego mathema). Assim, chegamos na seguinte definição:

Polimatia é o desenvolvimento de esquemas poderosos em múltiplas áreas

Nessa definição, temos como qualificadores chave a multiplicidade e o poder A multiplicidade é inerente a tudo que leva o radical poli- e a poder entra como um qualitativo dos esquemas construídos. Poder aqui concerne à capacidade desses esquemas de serem funcionais, preditivos e/ou explicativos. É semelhante à utilização da palavra poder para designar modelos estatísticos, quanto maior o poder maior confiança você tem que tal modelo prediz ou explica algo.

No entanto, o fato de que o conhecimento é construído de esquemas fortemente relacionais parece ser esquecido quando a gente começa a se concentrar em unidades de análise mais amplas. Quando falamos em múltiplas habilidades, alguns fazem parecer que estamos falando de construções que são completamente diferentes: “você sabe jogar futebol e fazer poesia? Que exótico!".

Por que futebol e poesia parecem ser tão diferentes? Por que alguém possuir habilidades nessas duas áreas parece tão exótico e improvável? Pelos exemplos fornecidos, fica claro que mesmo uma pessoa bem-sucedida na construção de um esquema sobre “tempos verbais na língua inglesa” terá que ser bem-sucedida na construção de uma série de outros esquemas se quiser, de fato, aprender inglês. Quando você pensa em esquemas como unidade de análise, saber inglês - ou saber qualquer coisa - é na verdade, possuir uma constelação de esquemas robustos, bem integrados e bastante funcionais relacionados a um tópico.

Assim, a pergunta não é mais “por que alguém possuir habilidades nas duas áreas parece tão exótico e improvável”, e sim, por que é esperado que as pessoas desenvolvam esquemas relacionados a somente alguns poucos tópicos e por que transgredir essa “regra” causa tanto espanto?

A resposta a essas perguntas envolve muitos fatores, nesse trabalho vou me concentrar em três elementos que considero primordiais para o desenvolvimento de esquemas robustos em múltiplas áreas: (1) autoeficácia; (2) visão de mundo, e (3) custo de oportunidade percebido.


Autoeficácia

Autoeficácia é um termo técnico para o que conhecemos como confiança. Ter autoeficácia significa crer que você é capaz de produzir certo efeito ou de desempenhar certa tarefa que guarda alguma importância para você (ver Bandura, 1994). A percepção de autoeficácia tem uma ligação notória com o desenvolvimento (ou não) da polimatia. Para alguém atingir um alto grau de esquemas poderosos em múltiplas áreas, é esperado que a pessoa encontre obstáculos no caminho. Se a pessoa busca profundidade em uma área, ela deverá desenvolver miríades de esquemas, cada vez mais complexos, cada vez num nível mais profundo de abstração, e, por conseguinte, cada vez mais dependentes de outros esquemas antecedentes já bem construídos e robustos. Naturalmente, todo esse caminho leva tempo e demanda certas características como persistência e resiliência até a pessoa ser capaz de, em algum ponto, dizer: eu domino bem a área X.

Assim, fica patente que um antecedente fundamental para o desenvolvimento de conhecimento profundo é a autoeficácia. Em específico, a percepção de autoeficácia no que tange a capacidade de aprender. Isto é, para ser bem em alguma coisa, alguém ter que antes ter confiança que será capaz de aprender e dominar esta coisa.

No entanto, parecer haver dois tipos de comportamentos no que tange a autoeficácia para a aprendizagem. Certas pessoas tendem a só desenvolverem grande autoeficácia para número limitado de áreas enquanto outras detém um nível de autoeficácia bastante alto para qualquer área do conhecimento que já exista ou que venha a existir. Enquanto o primeiro grupo de pessoas tende a desenvolver e circunscrever sua identidade em torno de certa área ou domínio, e.g., “sou músico”, “sou advogado”, “sou médico”, outras pessoas têm grande aversão em amarrar sua identidade a apenas um grupo limitado de tarefas e competências, que geralmente se iguala à profissão dessa pessoa. Desta forma, proponho avançar dois tipos de autoeficácia no que concerne o aprendizado: (1) autoeficácia circunscrita e (2) autoeficácia geral. A autoeficácia circunscrita está necessariamente vinculada a uma área ou domínio, quando a pessoa sai dessa circunscrição, ela se sente “um peixe fora d’água”. Já as pessoas que detém alto grau de autoeficácia geral jamais são “peixes fora d’água”, eles são exploradores que se percebem como prontos e capazes para explorar qualquer território, por mais exótico que seja para eles. Assim, defino autoeficácia geral como:

Confiança em ser capaz de aprender qualquer coisa, em qualquer área, de forma rápida e eficaz, a despeito do quão difícil o tópico é considerado pela maior parte da sociedade.

Naturalmente, é de se esperar que a autoeficácia geral seja uma característica presente nos polímatas. Por sua vez, essa mesma autoeficácia geral deve estar relacionada com uma séria de crenças pessoais e visão de mundo específicas. Além disso, pressões e forças sociais podem levar as pessoas a se inclinarem para uma autoeficácia mais restrita, algo que parece ter ocorrido na sociedade ocidental a partir do séc. XIX, ver (Araki, 2015; Burke, 2011; Sagan, 2012). O que pode ter contribuído para uma diminuição do número de polímatas no mundo.


Visão de mundo

Uma visão de mundo se refere à orientação cognitiva fundamental de um indivíduo ou de toda uma sociedade. Essa orientação abrange sua filosofia natural, seus valores fundamentais, existenciais, normativos, seus postulados ou temas, suas emoções e sua ética.

Visões de mundo podem ser mais ou menos condutivas ao desenvolvimento da polimatia. Por exemplo, uma visão de mundo na qual alguém enxergue que o atingimento de grandes habilidades depende de um conjunto de esquemas bem construídos durante anos de treino é uma visão de mundo mais condutiva à polimatia do que uma visão de mundo de que diz que alguém ou nasce gênio na área X ou nunca chegará a desenvolver altas habilidades nessa área.

Proponho que um dos gatilhos fundamentais que indicarão se a pessoa adotará uma visão de mundo mais ou menos polímata se refere a como a pessoa encara suas oportunidades.


Custo de oportunidade percebido

Custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada; isto é, o quanto alguém está “perdendo” por ter deixado de fazer algo e ter optado em fazer outra coisa. A questão da polimatia não tem como fugir da questão da escassez dos recursos e das escolhas que tomamos perante tal realidade. Um recurso obviamente escasso é o tempo. Porém, existe um recurso que seja talvez ainda mais escasso, que é a atenção humana (ver Csikszentmihalyi, 1988).

O que difere o polímata de qualquer outro não é tanto seu grau de inteligência ou talento inato, é como ele aloca o seu recurso mais preciso: sua atenção.

O polímata tende a ser grande gestor da sua atenção. Como ele deseja explorar diversos mundos e conhecer de verdade diversas coisas, ele sabe que precisa ter qualidade no seu aprendizado, assim, uma das primeiras habilidades do polímata e aquela que ele primeiro obtém maestria é a habilidade de aprender com eficácia. Aprender com eficácia envolve saber prestar atenção e ter foco, porém envolve perceber algo que é sistemático no mundo: o princípio dos retornos decrescentes. No caso da aprendizagem, esse princípio se traduziria no seguinte: quanto mais você aumenta uma dada entrada (ex., esforço, atenção ou horas de estudo) com o fim de obter um resultado, menor será o incremento resultante de um aumento numa dada entrada. Por exemplo, você pode estudar uma hora para uma prova e tirar nota 5, mas isso não quer dizer que se você estudar duas horas você tirará dez. O retorno é desproporcional ao investimento.

É importante destacar que a percepção desse princípio junto com uma alta inteligência pode levar a armadilha do diletantismo. Uma pessoa inteligente consegue muito rapidamente atingir um nível de habilidade mediana em qualquer perícia, enquanto que a maestria em qualquer uma dessas perícias demandaria um esforço absurdo. Assim, é muito sedutor para alguém de natureza polímata trocar maestria em uma perícia por competência adequada em diversas perícias. Essa também é uma das razões para escassez de polímatas.

Ainda assim, mesmo o diletante costuma perceber algo que o não-polímata ignora: a integração do conhecimento. Uma das formas de se enxergar o conhecimento como algo integrado é através do uso de esquemas como unidades fundamentais de qualquer perícia ou conhecimento. Outra forma, complementar a primeira, é enxergar que diferentes tarefas, experiências, disciplinas ou conhecimentos podem ser harmônicas e também podem se fecundar mutuamente. Por sinal, pesquisadores descobriram que essa visão de mundo - que envolve uma harmonização dos diferentes interesses de uma pessoa e a percepção de que uma disciplina não atrapalha a outra – é a visão de mundo compartilhada pelos gênios que impactaram profundamente suas áreas e até mesmo a civilização (Root-Bernstein, Bernstein, & Garnier, 1995; Root-Bernstein & Root-Bernstein, 2013). Dois exemplos bastante interessantes são Vladimir Nabokov e Albert Einstein. O primeiro escreveu sua mais famosa novela, Lolita, numa viagem para caçar borboletas, algo que ele fazia profissionalmente. O segundo repetidas vezes mencionou a importância da música e do violino nas suas descobertas científicas.

Naturalmente, esses grandes homens, e por que não, polímatas, deram um passo além do diletantismo, percebendo a necessidade do acúmulo de esforço e atenção contínua num dado grupo de conhecimentos, formulando e reformulando esquemas que resolveriam problemas específicos das suas áreas (como escrever de forma bela, e como decifrar o mundo em equações) de forma persistente, contínua, resiliente e propositada. Proponho que a equação de envolva todos os antecedentes da polimatia, mais uma visão geral pró-polímata mais um ambiente favorável mais oportunidades de crescimento e mais características de personalidade que também levem à maestria seja algo bastante raro, por isso o número reduzido de pessoas consideradas polímatas.


Aumentando o nosso escopo de experiências

Nessa seção, a última desse trabalho, vou tratar de como nós podemos fomentar a polimatia em nós, mesmo que não desejemos alcançar o status de um Einstein, Nabokov ou Da Vinci (porém isso é igualmente útil caso você tenha essas pretensões).

A experiência (que inclui percepção e testemunho) é uma das fontes primárias de conhecimento e é a base para o conhecimento que advirá da introspecção, da memória e da inferência (ver Murphy, Alexander, & Muis, 2012). Experiências vividas, em especial as que envolvem alta carga emocional e que são repetidas ao longo da vida (como rezar todos os dias), costumam deixar marcas profundas na personalidade de um indivíduo e podem mediar a forma como a pessoa virá a avaliar e apreciar o mundo. Uma amostra do poder da experiência é o fato de que cada um de nós pode facilmente obter toneladas de evidência anedotal sobre como é praticamente impossível convencer uma pessoa a abandonar uma crença, seja esta crença concernente a sua religião ou a um modelo político.

Tal primazia da experiência e a facilidade de que as pessoas têm de tornarem crenças baseadas em sua experiência pessoal em blocos praticamente indissolúveis da sua personalidade trouxe preocupação a alguns pensadores. Entre eles inclui-se Alexander von Humboldt, que proclamou que “a visão de mundo mais perigosa é a daqueles que não viram o mundo” (Die gefährlichste Weltanschauung ist die Weltanschauung derer, die die Welt nie angeschaut haben).

Humboldt estava preocupado em como algumas pessoas tendem a circunscrever seu repertório de experiências num espaço bastante limitado. Seguindo o conceito tradicional alemão da formação humana (Bildung), o homem só seria pleno se ele fosse capaz de experimentar e saborear (sappere) múltiplas categorias de experiência, quanto mais plurais e díspares, melhor. Obviamente, Humboldt era um privilegiado, que pôde arcar com diversas viagens exóticas durante sua vida. Ainda assim, sua ideia serve como um princípio norteador para uma visão de mundo polímata, uma visão de mundo que traz de volta o sentido etimológico da palavra saber, que compartilha sua raiz com a palavra saborear. Se a pessoa não tem a chance de saborear diversos gostos, as chances são de que seu paladar irá ficar bitolado. Uma das maiores contribuições da polimatia como visão de mundo é servir como contraponto e salvaguarda a uma visão de mundo bitolada.


Referências

Araki, M. (2015). Polymathic Leadership: Theoretical Foundation and Construct Development. (Masters Dissertation), Pontifícia Universidade Católica, Rio de Janeiro.

Bandura, A. (1994). Self‐efficacy: Wiley Online Library.

Burke, P. (2011). O polímata: a história cultural e social de um tipo intelectual. Leitura: Teoria & Prática, 29(56).

Csikszentmihalyi, M. (1988). Motivation and creativity: Toward a synthesis of structural and energistic approaches to cognition. New Ideas in Psychology, 6(2), 159-176.

Murphy, P. K., Alexander, P. A., & Muis, K. R. (2012). Knowledge and knowing: The journey from philosophy and psychology to human learning. 189-226. doi: 10.1037/13273-008

Peirce, C. S. (1878). How to make our ideas clear.

Peirce, C. S. (1974). Collected papers of charles sanders peirce (Vol. 5): Harvard University Press.

Piaget, J., & Cook, M. (1952). The origins of intelligence in children (Vol. 8): International Universities Press New York.

Root-Bernstein, R. S., Bernstein, M., & Garnier, H. (1995). Correlations between avocations, scientific style, work habits, and professional impact of scientists. Creativity Research Journal, 8(2), 115-137.

Root-Bernstein, R. S., & Root-Bernstein, M. M. (2013). Sparks of genius: The thirteen thinking tools of the world's most creative people: Houghton Mifflin Harcourt.

Sagan, C. (2012). Dragons of Eden: Speculations on the evolution of human intelligence: Random House LLC.

COMO A ATIVIDADE MOLECULAR NO CÉREBRO CRIA OS PENSAMENTOS?

Por Marcelo Gleiser
Publicado na National Public Radio

Créditos: The Huffington Post


Inicio com uma citação memorável:

“A passagem da parte física do cérebro para os fatos correspondentes da consciência é inconcebível. Dado que um pensamento definido e uma ação molecular definida ocorrem simultaneamente no cérebro, não possuímos o órgão intelectual, nem aparentemente nenhum rudimento desse órgão, que nos permitiria passar, através de um processo de raciocínio, de um fenômeno a outro. Eles surgem juntos, mas não sabemos por quê. Se as nossas mentes e os nossos sentidos fossem tão desenvolvidos, fortificados e esclarecidos a ponto de permitir que víssemos e sentíssemos as mínimas moléculas do cérebro, fôssemos nós capazes de seguir todos os seus movimentos, todos os seus agrupamentos, todas as suas descargas elétricas, caso ocorram, e se estivéssemos intimamente familiarizados com os estados correspondentes do pensamento e do sentimento, nós ainda nos encontraríamos mais longe do que nunca da solução do problema. Como esses processos físicos estão ligados aos fatos da consciência? O abismo entre as duas classes de fenômenos ainda permaneceria intelectualmente intransponível… Digamos que a consciência do amor, por exemplo, seja associada ao movimento molecular cerebral espiralado em sentido horário e a consciência do ódio com o movimento espiralado em sentido anti-horário. Saberíamos então que, quando amamos, o movimento é em uma direção e, quando odiamos, o movimento é em outra; mas o ‘Por quê?’ continuaria tão sem resposta quanto antes.”

Ela foi parte do discurso do eminente físico vitoriano John Tyndall em 1868, quando da sua posse na presidência da Seção de Física da Associação Britânica para o Avanço da Ciência. Há 148 anos, os cientistas já estavam perplexos ante o estranho fato de que, ao adotarmos uma descrição puramente materialística da mente, devemos enfrentar o grande desafio de descobrir como a “atividade molecular no cérebro” se relaciona com o pensamento.

O aspecto interessante do argumento de Tyndall é a afirmação de que mesmo se compreendêssemos o seu funcionamento — isto é, o fato que, no exemplo dele, o amor era associado a um movimento espiralado em sentido horário e o ódio a um na direção contrária — não teríamos ideia sobre como relacionar o maquinário molecular da emoção e pensamento com a experiência subjetiva da emoção e do pensamento.

Claro, muita coisa aconteceu no crescente campo da neurociência cognitiva nos últimos 150 anos. Com os avanços em tecnologias de sondas não invasivas, como IRMf e EEG, podemos acompanhar, pelo menos aproximadamente, as regiões onde as coisas acontecem no cérebro, por assim dizer, quando amamos, odiamos, ouvimos música ou meditamos. Os cientistas já descobriram uma longa lista de mais de 100 compostos bioquímicos, os neurotransmissores, que transmitem os sinais pelas sinapses químicas, as pontes entre neurônios, ou entre os neurônios e células musculares e glandulares: glutamato, acetilcolina, dopamina, epinefrina (adrenalina), histamina, etc. Agora temos uma visão muito mais clara do cérebro, com seus aproximadamente 85 bilhões de neurônios, cada um com cerca de 15.000 conexões com os neurônios vizinhos. A complexidade desse trajeto é impressionante, e é resumida no “conectoma”, uma espécie de diagrama elétrico que mapeia todas as conexões neurais em um organismo.

No artigo que propunha o conectoma, de 2005, seus autores, Olaf Sporns, Giulio Tononi e Rolf Kötter, observaram que: “O conectoma aumentará significativamente nossa compreensão sobre como estados funcionais do cérebro emergem a partir do seu substrato estrutural.” Em outras palavras, dentro da hipótese de trabalho do cérebro como uma rede de neurônios e sinapses, a esperança é que esse mapa de alguma forma aborde o problema apresentado por Tyndall e finalmente esclareça como “os processos físicos estão conectados com os fatos da consciência”. Um segundo objetivo desse mapa, extremamente importante sob a perspectiva médica, é o de “proporcionar novas perspectivas mecanicistas sobre como a função cerebral é afetada em caso de rompimento do substrato estrutural”. O segundo objetivo, obviamente, é muito mais fácil de ser alcançado.

Uma das vantagens imediatas de possuir um conectoma é que ele poderia, em princípio, ser reproduzido em computadores. Assim, teríamos um modelo simplificado da conectividade cerebral, que poderia ser utilizado de diversas maneiras. Por exemplo, para testar o efeito de traumas ou estímulos localizados sobre o funcionamento global do cérebro. Presumindo que elementos químicos possam ser acrescentados ao modelo, isto é, o complexo labirinto de neurotransmissores fluindo através das sinapses neurais, os efeitos de drogas específicas poderiam ser testados nas simulações, sem a necessidade de cobaias animais ou humanas. Podemos perceber a aplicação médica instantânea dessa abordagem, o que, por si só, já torna o esforço extremamente relevante para a ciência.

O grande problema, contudo, é se tais esforços poderiam realmente ajudar a esclarecer a questão de Tyndall. Como observou David Chalmers, filósofo da Universidade de Nova York, a “grande dificuldade da consciência é o problema da experiência”. A verdade é que não sabemos e afirmações em contrário são, na melhor das hipóteses, otimistas. Isso não significa que o problema não tem solução: tais afirmações são perigosas na ciência, já que continuamos a nos surpreender com problemas que conseguimos solucionar agora e que antes não conseguíamos. Porém, parece ser razoável afirmar que há um elemento fugidio faltando aqui, algo que traduza a atividade neural fisiológica na experiência subjetiva de pensar ou sentir algo. Os entusiastas afirmam que só saberemos se tentarmos e que a construção de conectomas e programas de computador sofisticados podem nos aproximar da compreensão. Tais argumentos presumem que a própria complexidade da conectividade neural engendrará, de alguma forma, uma consciência mais elevada através de alguma espécie de fenômeno coletivo emergente. É difícil discordar da relevância dessa pesquisa. Mesmo que não consiga abrir uma janela para a consciência, ainda terá um impacto profundo sobre diagnósticos médicos e farmacologia cerebral.

Por outro lado, é difícil imaginar como o comportamento coletivo emergente dos neurônios pode se tornar um pensamento ou a experiência de uma emoção. Se a consciência é, como deveria ser, um estado organizado da matéria, aparentemente nos falta um componente essencial para descrevê-la. Comparando, um prédio possui tijolos, canos e correntes elétricas controladas por interruptores espalhados por inúmeros fios. É um dispositivo mecânico que funciona obedecendo a um conjunto específico de leis da física. Compreendemos os prédios, podemos construí-los e consertá-los porque sabemos quais são os princípios físicos fundamentais sob os quais eles funcionam. Do mesmo modo, é plausível que possamos construir sistemas similares ao cérebro com diferentes tipos de consciência empírica, como visão ou audição, e que respondam a tais estímulos com ações específicas. Muitos robôs já fazem isso.

Supondo que já possuímos um conectoma aproximado do cérebro humano e que conhecemos os princípios físicos e biológicos, realmente podemos nos aproximar bastante de um modelo que simule o modo como vemos e ouvimos. Mas será que esse modelo também terá a experiência subjetiva do ser? A questão aqui, aparentemente, não é de um cauteloso “sim” ou “não” — mas de um “por que não?”

terça-feira, 18 de julho de 2017

A ILUSÃO DA TEORIA DAS MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS

Por Scott McGreal
Publicado na Psychology Today


Muitas pessoas acham a ideia de que existem diferentes tipos de inteligência algo muito atraente. Howard Gardner depreciou os testes de QI como tendo pouca relevância para a vida real e argumentou que pode haver até oito diferentes tipos de inteligência que se aplicam a diversas áreas do funcionamento humano.¹

As reivindicações de Gardner são muito semelhantes às que são feitas sobre a “inteligência emocional” ser um tipo especial de inteligência distinto do QI, que pode ser ainda mais importante para o sucesso na vida do que o tradicional “inteligência acadêmica”.

Embora as alegações de Gardner tenham se tornado populares entre os educadores, pouca pesquisa foi feita para estabelecer a validade de sua teoria. Os poucos estudos que foram feitos, na verdade, não apoiam a ideia de que existem muitos tipos diferentes de “inteligência” operando separadamente uma da outra.

Embora haja certamente habilidades importantes que não são medidas através de testes de QI, atribuir cada uma como um tipo especial de “inteligência” tem pouco apoio científico e acaba por criar uma confusão desnecessária.


Inteligência Geral x Inteligências Múltiplas

De acordo com pesquisas da inteligência “padrão”, existe uma ampla forma de capacidade mental conhecida como inteligência “geral” que está subjacente a uma ampla gama de habilidades mais estreitas, mais específicas.

Os testes de QI são destinados a fornecer uma medida dessa ampla capacidade geral, bem como algumas das capacidades mais específicas.

Howard Gardner opôs-se à ideia de inteligência geral, argumentando que os testes de QI, na verdade, medem habilidades acadêmicas distintamente estreitas, negando que haja uma única habilidade geral que atravesse vários domínios diferentes.

Em vez disso, ele argumentou que existem domínios separados de certas habilidades que merecem ser chamados de “inteligências” em seu próprio direito, e que a capacidade de um dominar certa habilidade específica não está relacionada com a capacidade medida pelo teste em outras habilidades.

Especificamente, ele argumentou que os testes de QI medem a inteligência nas áreas linguísticas/verbais e lógicas/matemáticas, que acabam por ser valorizadas nas escolas.

Os outros domínios de inteligência, segundo ele, são habilidades musical, corporal-cinestésica (habilidade no uso do corpo para resolver problemas), espacial, interpessoal (compreensão de outras pessoas), intrapessoal (capacidade de compreender a si mesmo e regular a vida de forma eficaz) e naturalista (reconhecer diferentes tipos de plantas e animais em um determinado ambiente).

Ele também considerou, mas rejeitou a existência de mais dois tipos de inteligência: espiritual (compreensão do sagrado) (sic) e existencial (entendendo o seu lugar no universo).

Estes últimos dois estão em critérios bastante dispersos para serem considerados “inteligência”, ou como ele diz “um potencial biológico para processar a informação que pode ser ativado num cenário cultural para resolver problemas ou criar produtos que são de valor em uma cultura”.


Apesar da criatividade, essa teoria tem algum apoio científico?

A ideia de que existem vários tipos independentes de inteligência apela para um “sentimento de igualdade”, porque implica que qualquer um pode ser “inteligente” de alguma forma ou de outra, mesmo se a pessoa não possui um QI alto.

Essa visão igualitária foi expressa em um artigo por Dr. Bernard Luskin. Ele sugeriu que a teoria é aceita pelo movimento de autoestima, porque de acordo com seu ponto de vista ninguém é realmente “mais inteligente” do que ninguém, apenas possuem diferentes tipos de inteligência. Isso tudo soa um pouco distorcido e vago, afinal, consolar as pessoas não é um índice de validade científica.
Seriam todos tão inteligentes quanto Einstein, “à sua própria maneira”?

Dr Luskin afirma que os testes de QI são razoavelmente precisos na previsão de o quão bem uma pessoa realiza determinadas disciplinas escolares, mas eles não medem as “habilidades artísticas, ambientais e emocionais” de uma pessoa.

No entanto, há evidências consideráveis de que os testes de QI avaliam mais do que apenas o desempenho escolar, mas vamos deixar isso de lado. Onde está seu problema aqui é sua afirmação incrível de que “hoje, o conceito de inteligências múltiplas é amplamente reconhecido.”

Ele faz declarações adicionais sobre “o amplo consenso” acerca da teoria das inteligências múltiplas de Gardner, e que é “amplamente aceita”. Contudo, quem reconhece, concorda ou aceita a sua teoria não deixa claro o suficiente.

Na verdade, é justo dizer que entre os estudiosos acadêmicos que estudam sobre a inteligência humana, há pouca aceitação da teoria de Gardner, devido à falta de evidência empírica para isso.

Uma avaliação crítica sobre o tema por Lynn Waterhouse, em 2006, não encontrou estudo algum publicado por aqueles que apoiaram a validade da teoria. Mesmo que Gardner tenha feito a sua teoria em 1983, o primeiro estudo empírico para testá-la não foi publicado até 23 anos mais tarde (Visser, et al., 2006a) – e os resultados não foram favoráveis.

A teoria de inteligências múltiplas dificilmente pode ser descrita como cientificamente generativa.


A Teoria das Inteligências Múltiplas é testável?

Dr Luskin observa que os diferentes tipos de “inteligência” propostos por Gardner são difíceis de medir e de avaliar.

Algumas das inteligências propostas, como interpessoal e intrapessoal, são até mesmo difíceis de definir claramente. O próprio Gardner se recusou a especificar o que ele acha que sejam os componentes das várias inteligências ou como essas podem ser medidas, tendo fornecido apenas descrições nebulosas acerca delas.

Se ninguém está realmente certo sobre o que são essas supostas “inteligências”, realmente fica difícil de avaliá-las, e ainda mais de gerar algum apoio científico.

Isso pode de alguma maneira explicar a escassez de pesquisas empíricas sobre esse tema. No entanto, estou ciente de pelo menos dois estudos que fizeram tentativas preliminares para a criação de definições operacionais dessas inteligências e desenvolvimento de testes para as avaliar.

Como vou mostrar, isso não tem fornecido muito apoio para a teoria de Gardner.


Personalidades inteligentes?


Furnham examinou uma medida de auto-relato de inteligências múltiplas² e seu padrão de correlações com uma medida dos traços do Big Five de personalidade.

Um resultado surpreendente foi que as oito “inteligências” foram altamente relacionadas entre si umas com os outras, ao contrário da teoria de que todas elas supostamente representam domínios separados e não relacionados.

Na verdade, cada uma foi positivamente correlacionada com pelo menos quatro outras, e a inteligência naturalista foi correlacionada com todas as outras sete.

Isso sugere que as pessoas que obtiveram um bom resultado em um domínio também tendem a marcar uma pontuação alta em vários outros. Além disso, havia muitas correlações entre as oito inteligências e as cinco grandes características do Big five: todas as oito inteligências foram correlacionadas com pelo menos uma das categorias do Big Five, que foi correlacionada com dois ou mais pontos de inteligência.

A abertura para a experimentação e a extroversão, em particular, foram correlacionadas com outros cinco tipos de inteligência diferentes.

É claro que as medidas de auto-relato têm as suas limitações, especialmente para medir habilidades.

Por exemplo, a correlação positiva entre extroversão e cinco das “inteligências” pode ser devida ao fato de que as pessoas extrovertidas tendem a ter uma visão altamente positiva de si e, portanto, poderiam pensar que são naturalmente boas em muitas coisas diferentes – embora seja possível que elas realmente sejam tão boas como elas dizem ser, mas isso é difícil de confirmar sem métodos independentes.

Por outro lado, a abertura à experiência é positivamente correlacionada com medidas objetivas de inteligência geral e de conhecimento, de modo que as correlações positivas entre a abertura de experimentação e os cinco tipo de “inteligências” no estudo de Furnham façam sentido.


Separar as habilidades da inteligência geral ou não?

As várias inteligências de Gardner deveriam refletir habilidades específicas, então foi desenvolvido um conjunto de testes de habilidade, dois para cada uma das oito inteligências propostas.

Os autores tentaram avaliar se essas medidas de habilidade eram independentes de alguma medida de inteligência geral.

Gardner argumentou que correlações positivas aparentes entre os testes de diversas habilidades mentais ocorrem porque a maioria desses testes são baseados na linguagem, por isso todos eles envolvem um núcleo comum da inteligência linguística.³

Para superar essa objeção, os autores utilizaram medidas não verbais das inteligências não-linguísticas. Se a teoria de Gardner de que os oito tipos de inteligência são em grande parte independentes um do outro fosse verdade, os resultados obtidos para cada domínio não poderiam ser altamente correlacionados uns com os outros.

No entanto, esse foi o caso. Muitos dos testes, particularmente aqueles que medem alguma forma de capacidade cognitiva, foram altamente correlacionados com algum outro. Além disso, a maioria dos testes de habilidade tiveram correlações positivas com a inteligência geral.

As exceções foram os testes de inteligência musical e corporal-cinestésica, que são habilidades não-cognitivas, e um dos testes de inteligência intrapessoal.

Os autores concluíram que a razão de os testes que envolvem a capacidade cognitiva terem sido positivamente correlacionados com a inteligência geral se dá porque eles compartilham um núcleo comum de capacidade de raciocínio.

Por isso, parece haver uma forma geral de capacidade de raciocínio que é aplicável em uma ampla gama de domínios de habilidade, incluindo linguística, espacial, lógica/matemática, naturalista e, em menor grau, habilidades interpessoais.

Isso contradiz a afirmação de Gardner de que a capacidade de cada um desses domínios seja separada da capacidade nos outros. No entanto, é consistente com a ideia de que uma ampla forma de habilidade mental subjacente de capacidades específicas existe em um maior ou menor grau.

Os autores concluíram que a teoria de Inteligências Múltiplas não parece fornecer qualquer nova informação além da fornecida por medidas mais tradicionais de capacidade mental. Assim, tentar incorporar a teoria de Gardner em contextos educativos parece algo injustificado.


Inteligências ou habilidades?

Esses dois estudos de investigação não suportam as especificidades da teoria das inteligências múltiplas de Gardner. Claro, isso não significa que as habilidades não-cognitivas além de inteligência geral não são importantes.

Há provas abundantes de que as qualidades pessoais, tais como motivação e habilidades sociais, importam muito para o sucesso de qualquer indivíduo em sua vida, e eu não acho que ninguém está realmente dizendo o contrário.

O que é questionável, porém, é descrever algum talento ou habilidade de forma imprecisa, o considerando tão importante como uma “inteligência” distinta.

Nós já usamos a palavra “habilidade” para descrever o quão bem uma pessoa é capaz de aplicar suas habilidades e conhecimentos em uma determinada área da vida. A maioria das pessoas são capazes de desenvolver uma variedade de habilidades diferentes, mas isso não significa necessariamente que elas usam um tipo diferente de “inteligência” para cada uma dessas habilidades – usar o termo dessa forma é simplesmente arbitrário e confuso.

Da mesma forma, a maioria das pessoas reconhecem que podem ser “inteligentes”, no sentido de exercer um bom julgamento e tomar certos tipos de decisões, mesmo se elas não têm um QI particularmente elevado.

Ao mesmo tempo, o QI alto de pessoas pode facilmente levá-las a tomar decisões infelizes, como por exemplo quando as emoções ou o interesse-próprio atrapalham seu raciocínio.

Mais uma vez nós já temos uma palavra para essa capacidade de sabedoria que tenta evitar esses acontecimentos: bom senso. No entanto, eu não acho que muitas pessoas concordam que todos são igualmente sábios.

Talvez haja habilidades especiais que merecem ser chamadas de “inteligências” em seu próprio direito que ainda não foram identificadas. No entanto, não há nenhuma justificação científica para simplesmente inventar tipos especiais de “inteligência” sem provas, apenas para que as pessoas se sintam bem sobre si mesmas.

Concluindo, a teoria das inteligências múltiplas de Gardner parece ser um conjunto confuso e nebuloso de reivindicações que não foram empiricamente validadas. Muitas das propostas “inteligências” de Gardner parecem ser explicáveis em termos de conceitos existentes de personalidade e inteligência geral, já que a teoria em si realmente não oferece nada de novo.

Além disso, algumas das “inteligências” propostas são mal definidas (principalmente a intrapessoal) e outras (por exemplo musical) podem ser mais úteis pensadas como habilidades ou talentos, diferentemente de inteligência.

A popularidade das teorias de Gardner em contextos educativos pode refletir seu apelo sentimental e intuitivo, mas não se baseia em nenhuma evidência científica para a validade do seu conceito.


Notas

[1] Gardner mudou de ideia várias vezes sobre o número exato de inteligências ao longo dos anos, mas por conveniência considero oito neste artigo, já que são as únicas que têm sido pesquisadas.
[2] Esta medida foi originalmente publicada em um livro escrito para um público leigo chamado Qual é o seu QI?, por Nathan Haselbrauer, publicado pela Barnes and Noble Books.
[3] Gardner não está correto. Os testes de QI têm incorporado subtestes não-verbais desde 1930.


Referências Bibliográficas

Furnham, A. (2009). The Validity of a New, Self-report Measure of Multiple Intelligence. Current Psychology, 28(4), 225-239. doi: 10.1007/s12144-009-9064-z
Locke, E. A. (2005). Why emotional intelligence is an invalid concept. Journal of Organizational Behavior, 26(4), 425-431. doi: 10.1002/job.318
Schulte, M. J., Ree, M. J., & Carretta, T. R. (2004). Emotional intelligence: not much more than g and personality. Personality and Individual Differences, 37(5), 1059-1068. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.paid.2003.11.014
Visser, B. A., Ashton, M. C., & Vernon, P. A. (2006a). Beyond g: Putting multiple intelligences theory to the test. Intelligence, 34(5), 487-502. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.intell.2006.02.004
Visser, B. A., Ashton, M. C., & Vernon, P. A. (2006b). g and the measurement of Multiple Intelligences: A response to Gardner. Intelligence, 34(5), 507-510. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.intell.2006.04.006
Waterhouse, L. (2006a). Inadequate Evidence for Multiple Intelligences, Mozart Effect, and Emotional Intelligence Theories. Educational Psychologist, 41(4), 247-255. doi: 10.1207/s15326985ep4104_5
Waterhouse, L. (2006b). Multiple Intelligences, the Mozart Effect, and Emotional Intelligence: A Critical Review. Educational Psychologist, 41(4), 207-225. doi: 10.1207/s15326985ep4104_1

segunda-feira, 17 de julho de 2017

IQ AND PSYCHOMETRIC TESTS - PHILIP CARTER

Although most people believe that there is little we can do to improve the intelligence we were born with, the brain can be exercised just like any other part of the body. Thought processes and intelligence scoring can be improved by practising different types of testing.

This title from IQ expert Philip Carter is a companion volume to the bestselilng IQ and Psychometric Tests, and it includes not only hundreds of practice questions, but also answers but explanations. The broader format allows space for writing answers and making notes, and readers are provided with feedback so that they can assess their own strengths and weaknesses. Topics covered include: verbal aptitude tests, numerical aptitude tests, visual aptitude tests, problem solving tests, personality questionnairesm and advice on adopting the right approach to psychometric testing.

The IQ and Psychometric Test Workbook provides an ideal opportunity for anyone to improve their IQ rating, or individual performance at psychometric tests, through continual practice and self-assessment.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

quarta-feira, 5 de julho de 2017

PSEUDO-DISCALCULIA

muitas vezes

por mais que eu
deposite

toda a minha
atenção

o saldo
da minha conta

tende a
resultar

num valor
randômico

sexta-feira, 30 de junho de 2017

PASSE LIVRE

pago caro
pelo esquecimento,

nos confins da mente
gostaria de percorrer
uma grande trajetória.

no momento,

procuro passe livre
para viajar
por toda minha memória.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

CONSIDERAÇÕES SOBRE FUTEBOL @ CAMOCIM - 21/01/17

Depois da partida de futebol de hoje, lembrei da época que eu atravessava de um lado ao outro da rua, driblando todo mundo e chutando uma bolinha de futsal semiprofissional meio murcha entre duas pedras.

Quando eu era criança, jogava muita bola, tanto na rua, como numa escolinha de futebol. Gostava muito do Denilson e do Ronaldinho Gaúcho. Mas, com o tempo, devido aos novos interesses e responsabilidades, parei. Até o interesse em acompanhar os jogos diminuiu.

Hoje, senti que perdi quase toda a prática de manejar a bola com os pés. Até mesmo os reflexos para dominar, fazer um lançamento ou chutar com potência.

Penso que isso aconteceu porque, com o tempo, passei a me dedicar mais a leitura e escrita de textos, e ao raciocínio lógico no desenvolvimento de algoritmos e problemas matemáticos.

O psicólogo americano Howard Gardner desenvolveu uma teoria na qual ele levanta a questão das inteligências múltiplas, que eu concordo cada vez mais.

Quando estava esperando meu time entrar para jogar, fiquei pensando porque caras como Messi são considerados gênios da bola. Isso acontece porque a capacidade de percepção espacial e coordenação motora dele são extremamente altas.

Penso que, com estudo e prática, cada um pode desenvolver uma habilidade e ser excepcional nela.

Para não dizer que não fiz nada, dei uma canelada na bola para dentro do gol. Acho que, no meu caso, minha aptidão está mais no campo das artes visuais, linguística e lógico-matemática. E vou continuar estudando para me desenvolver nelas cada vez mais.

Mas se alguém quiser me chamar para bater uma bola quando eu voltar para São Paulo, eu aceito.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

5 RAZÕES CIENTÍFICAS PARA APRENDER OUTRO IDIOMA

No meu caso, estudei inglês por 6 anos, atualmente, tento aprender francês de forma autodidata.

* * *

Pesquisas científicas conduzidas nos últimos anos têm confirmado a importância e os benefícios cognitivos de aprender novos idiomas. Além de poder assimilar outra linguagem e sua cultura, as vantagens de estudar idiomas envolvem o desenvolvimento da memória, habilidades de tomar decisões com mais rapidez e ainda ajudam a atrasar algumas doenças, como o Alzheimer. Confira cinco motivos pelos quais você deve começar a aprender uma nova língua:

1 - Você desenvolve melhor as suas habilidades multitarefa

Pessoas que sabem falar mais de um idioma, especialmente crianças, conseguem “deslocar” facilmente a atenção entre dois sistemas de fala e escrita. Um estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, sugeriu que essa habilidade ajuda a desenvolvermos a capacidade de conciliar várias tarefas ao mesmo tempo, já que o cérebro passa pelo exercício de revezar entre diferentes estruturas linguísticas.


2 - Os riscos de ter Alzheimer ou demência diminuem

Vários estudos sobre o assunto foram conduzidos e os resultados demonstram que, para adultos que só falam uma língua, a idade média para os primeiros sinais de demência começarem a se manifestar é 71,4. Entre adultos que falam duas ou mais línguas, os sintomas só começam aos 75,5. As pesquisas também consideraram fatores como escolaridade, nível de renda, sexo e saúde física, mas esses aspectos não alteraram os resultados.


3 - Sua memória também é fortalecida

Um estudo publicado em 2011 pela Academia Americana de Neurologia mostrou que aprender novos idiomas ajuda a “proteger” nossas memórias, mesmo depois de adultos. Entre os voluntários do estudo, os pesquisadores descobriram que falantes de quatro ou mais idiomas tinham cinco vezes menos chance de desenvolver problemas cognitivos em comparação com quem falava dois idiomas; para os que falavam três línguas, a chance era três vezes menor. Os resultados consideraram a idade e escolaridade dos participantes.


4 - Melhora a capacidade de tomar decisões 

Publicado pelo periódico Psychological Science, um estudo da Universidade de Chicago sugere que o processo de raciocinar em outro idioma ajuda a diminuir inconsistências cognitivas e melhora o processo de tomada de decisão: ao usar seu idioma estrangeiro, as decisões passam a ser mais sistemáticas e menos baseadas em fatores negativos, processo mental que seria comum ao usar a língua nativa.


5 - Sua percepção fica mais aguçada

Uma pesquisa da Universidade de Pompeu Fabra, na Espanha, revelou que pessoas que falam mais de um idioma são mais observadoras e capazes de manter o foco sobre informações relevantes, filtrando o que não for tão importante. Também demonstram melhor desempenho para identificar informações erradas — o personagem Sherlock Holmes não era um poliglota por acaso.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

THE ILLUSION OF CONSCIOUSNESS - DAN DENNETT @ TED

Philosopher Dan Dennett makes a compelling argument that not only don't we understand our own consciousness, but that half the time our brains are actively fooling us.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

AFTER WATCHING THIS, YOUR BRAIN WILL NOT BE THE SAME - LARA BOYD @ TED

In a classic research-based TEDx Talk, Dr. Lara Boyd describes how neuroplasticity gives you the power to shape the brain you want. Recorded at TEDxVancouver at Rogers Arena on November 14, 2015.

Our knowledge of the brain is evolving at a breathtaking pace, and Dr. Lara Boyd is positioned at the cutting edge of these discoveries. In 2006, she was recruited by the University of British Columbia to become the Canada Research Chair in Neurobiology and Motor Learning. Since that time she has established the Brain Behaviour Lab, recruited and trained over 40 graduate students, published more than 80 papers and been awarded over $5 million in funding. 

Dr. Boyd’s efforts are leading to the development of novel, and more effective, therapeutics for individuals with brain damage, but they are also shedding light on broader applications. By learning new concepts, taking advantage of opportunities, and participating in new activities, you are physically changing who you are, and opening up a world of endless possibility.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

BRAINSTORM

toda essa

grande
movimentação

de uma massa
cinzenta

é um informe

que
precede

o brainstorm

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

UNIVERSOS

ideias surgem
após um
big bang

algumas
se expandem

outras duram
um breve
instante

se vão após
um big crunch

terça-feira, 1 de novembro de 2016

DA MEMÓRIA

experiências de outrora:
rios que desaguaram no oceano
chamado memória.

Excerto do livro Confissões de Santo Agostinho