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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

ESL DISCUSSIONS - FÍSICA




STUDENT A's QUESTIONS

(1) O que vem à mente quando você ouve a palavra "física"?

Universo.


(2) A física é importante?

Sim.


(3) Você se interessa por física?

Me interesso por alguns assuntos mais acessíveis, publicados em obras de divulgação científica.


(4) O que você mais e menos gostou na física?

Gostava muito de entender sobre como funciona o universo, mas não me dava muito bem com a parte matemática.


(5) Todos os professores de física precisam de cabelo bagunçado e barba?

Não.


(6) O que você sabe sobre as leis da física?

As principais leis da física são princípios fundamentais que descrevem o comportamento do universo e de seus componentes. Entre elas, estão as Leis de Newton, que explicam o movimento dos corpos e a interação das forças; a Lei da Gravitação Universal, que descreve a atração gravitacional entre objetos com massa; e as Leis da Termodinâmica, que abordam o fluxo e a conservação de energia, além de conceitos como entropia. Também temos as Leis do Eletromagnetismo de Maxwell, que explicam o comportamento das cargas elétricas e dos campos magnéticos, e a Teoria da Relatividade de Einstein, que reformula o entendimento de tempo, espaço e gravidade. Esses fundamentos se complementam com a Mecânica Quântica, que explora o comportamento de partículas em escala microscópica, revelando um universo com propriedades probabilísticas e interações complexas.


(7) O que você sabe sobre os diferentes ramos da física; por exemplo, física quântica, física aplicada, física nuclear, física de partículas, etc.?

Tenho apenas um conhecimento superficial sobre estes assuntos, que obtive em revistas (Scientific American) e livros de divulgadores científicos, como Stephen Hawking.


(8) Qual a utilidade da física em nosso mundo?

Entender quais os mecanismos que regem o universo e buscar explicações acerca da nossa existência.


(9) Você ficará rico se tiver um diploma em física?

Não necessariamente.


(10) Quem foi o maior físico de todos os tempos?

Acho que Isaac Newton.


STUDENT B's QUESTIONS

(1) O que é física?

A física é a ciência que estuda as propriedades fundamentais da matéria, da energia e das forças, buscando entender como o universo funciona em todos os níveis, desde as partículas subatômicas até as galáxias. Ela examina fenômenos naturais e procura explicar leis e princípios que governam a natureza, utilizando métodos científicos e experimentos rigorosos. Através de conceitos como movimento, energia, força, gravidade, eletricidade e magnetismo, a física busca descrever o comportamento dos objetos e a interação entre eles, oferecendo uma base para outras ciências e possibilitando o desenvolvimento de tecnologias que impactam profundamente a sociedade.


(2) Como é seu país em física?

Acho que a sociedade em geral não se interessa por física, mas temos alguns bons divulgadores científicos na área.


(3) Você gostaria de fazer experimentos de física?

Muito.


(4) Quais fórmulas de física você conhece? Você as entende?

E=mc^2, de Albert Einstein. Basicamente, significa que energia (E), e massa (m) são basicamente a mesma coisa e podem ser convertidas uma na outra. Na fórmula, c representa a velocidade da luz, que é um número muito grande (aproximadamente 300.000 km por segundo), e c^2 é esse valor multiplicado por ele mesmo. A ideia principal é que mesmo uma pequena quantidade de massa pode ser convertida em uma quantidade enorme de energia, porque a velocidade da luz ao quadrado é um número gigantesco. Isso explica, por exemplo, como funcionam as reações nucleares, nas quais uma pequena quantidade de matéria é convertida em uma quantidade imensa de energia, como ocorre nas estrelas e nas bombas atômicas.


(5) O que você sabe sobre física que você poderia ensinar a uma criança?

Atualmente, acho que não lembro de nada nesse sentido.


(6) Por que você acha que as pessoas gostam de física?

Particularmente, acho que é porque a física explora questões que despertam a nossa curiosidade, tais como o início do universo, como as coisas funcionam ao nosso redor e tudo mais.


(7) O que você sabe sobre os ganhadores do Prêmio Nobel de física?

Neste ano de 2024, os cientistas John Hopfield e Geoffrey Hinton foram os ganhadores. A dupla levou o Nobel por suas "descobertas e invenções fundamentais que permitem o aprendizado de máquina (machine learning, em inglês) com redes neurais artificiais".


(8) Que pergunta você gostaria de fazer a um físico?

"O que motivou você a se tornar um físico?"


(9) O famoso físico Stephen Hawking disse: Meu objetivo é simples. É uma compreensão completa do universo, por que ele é como é e por que ele existe.” O que você acha disso?

A questão é objetiva, mas como chegar na resposta é algo que está bem fora da minha capacidade cognitiva.


(10) Qual é a maior descoberta da física e qual será a próxima?

A maior descoberta da física é frequentemente considerada a teoria da relatividade de Albert Einstein, em especial a fórmula E=mc^2 e a teoria da relatividade geral, que revolucionaram nosso entendimento sobre a gravidade, o espaço e o tempo. Essas ideias mudaram a física e abriram portas para muitas tecnologias modernas, como a energia nuclear e os sistemas de navegação por satélite (GPS). Quanto à próxima grande descoberta, muitos físicos acreditam que ela virá da unificação da relatividade geral (que explica o macrocosmo, como planetas e galáxias) com a mecânica quântica (que explica o microcosmo, como partículas subatômicas). Essa teoria unificada, frequentemente chamada de "Teoria do Tudo", seria capaz de descrever todos os fenômenos físicos de forma consistente.

domingo, 18 de dezembro de 2022

ESL DISCUSSIONS - PESQUISA




STUDENT A's QUESTIONS

(1) O que vem à mente quando você ouve a palavra "pesquisa"?

Cientistas.


(2) O que você gostaria de pesquisar?

Atualmente, pesquiso sobre design generativo, isto é, algoritmos que geram arte.


(3) Qual a importância da pesquisa?

É importante para o entendimento do universo em diversos aspectos, partindo de um contexto microscópico (como átomos) até o macroscópico (como galáxias).


(4) Quais são algumas coisas que você pesquisou recentemente?

Sobre a diferença entre débito técnico e melhoria contínua no desenvolvimento de software.


(5) Você gostaria de trabalhar como pesquisador?

Trabalhar, não. Gosto de realizar minhas pesquisas de maneira independente.


(6) Em que você gostaria que seu governo gastasse mais dinheiro em pesquisa?

Nas áreas da educação, saúde e tecnologia.


(7) Que coisas você acha que os humanos começaram a pesquisar primeiro?

Segundo este artigo, como descrito por Goldenberg, a contribuição de cada um foi: Galileu Galilei introduziu o método científico. Francis Bacon estabeleceu as recomendações para realizar experimentos de caráter indutivo. René Descartes (1596-1650) advertia para a fuga do subjetivismo e pregava a dúvida como meio de raciocínio.


(8) Quantas respostas ainda há para encontrar e quantas coisas ainda para pesquisar?

Inúmeras. Não dá nem para elencar.


(9) Quais são os maiores avanços que os pesquisadores fizeram recentemente?

Criação da vacina contra a Covid-19.


(10) A pesquisa sempre leva a coisas positivas?

Infelizmente, não. Podemos tomar como exemplo os estudos de fissão nuclear, que levaram à criação da bomba atômica.

 
STUDENT B's QUESTIONS

(1) O que é pesquisa de mercado? Você gosta de ser pesquisado por pesquisadores de mercado?

Basicamente, um tipo de pesquisa voltada para a coleta de informações sobre possíveis clientes, isto é, um determinado público alvo. Não costumo participar.


(2) Quais são suas opiniões sobre a pesquisa com células-tronco?

Muito válida, pois ela pode desencadear a cura para muitas doenças.


(3) O que você acha que um pesquisador médico faz em um dia normal?

Certamente, deve ler muitos artigos.


(4) O que você pensa sobre o uso de animais para pesquisa?

Sou contra, pois, atualmente, existem diversas maneiras para desenvolver produtos sem a necessidade de explorar os animais.


(5) Você acha que algumas pesquisas que seu governo paga são totalmente inúteis?

Sendo bem sincero, não estou muito por dentro das pesquisas desenvolvidas no Brasil.


(6) Você já teve que escrever um trabalho de pesquisa?

Meu Trabalho de Conclusão de Curso em Ciência da Computação, no qual criei uma estratégia de modelagem procedural utilizando Selection Expressions (Selex).


(7) Você gosta de pesquisa online?

Sim. É a mais prática atualmente.


(8) Um projeto de pesquisa descobriu que os adolescentes eram temperamentais. O que você acha das pessoas serem pagas para descobrir isso?

Acho válidas, pois elas são importantes para descobrir coisas relacionadas ao comportamento humano.
 

(9) Que pesquisa você gostaria de fazer em sua classe/família/amigos hoje?

Sobre a minha ascendência.


(10) Você se voluntariaria para ser cobaia em pesquisas laboratoriais de novos medicamentos ou tratamentos médicos?

Não acho que teria coragem.

domingo, 5 de dezembro de 2021

ESL DISCUSSIONS - UNIVERSO




STUDENT A's QUESTIONS

(1) Que imagens vêm à mente quando você ouve a palavra "universo"?

Planetas, sistema solar, galáxias.


(2) Você está interessado no universo?

O universo me fascina. Pretendo ler mais obras de divulgação científica futuramente, como as do Stephen Hawking, Carl Sagan e afins.


(3) O que você gostaria de saber sobre o universo?

Da existência de outras formas de vida, além das existentes no planeta Terra.


(4) Quais são as leis do universo?

Dentre as principais leis da física que regem o universo, podemos citar: Princípio da Inércia (ou Primeira Lei de Newton), Princípio Fundamental da Dinâmica (ou a Segunda Lei de Newton), Princípio da Ação e Reação (ou Terceira Lei de Newton), Lei da Gravidade, Lei da Conservação de Massa e Energia, Leis da Termodinâmica e Leis da Eletrostática.


(5) Você gostaria de viajar pelo universo?

Assim como no filme Interestellar, seria uma experiência interessante.


(6) Como você acha que a borda do universo se parece?

Não faço ideia.


(7) Qual é a forma e a cor do universo?

Não há uniformidade ou homogeneidade.


(8) Por que sabemos mais sobre o universo do que o cérebro humano?

Não sei se isso é verdade.


(9) Einstein disse: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana; mas não tenho certeza sobre o universo." O que ele quer dizer? Você concorda?

Ele quer dizer que o ser humano não tem escrúpulos, quando uma pessoa quer ser extremamente abominável, ela é capaz de tal coisa. Vemos isso em diversos momentos no decorrer da história. Concordo com ele. Inclusive, utilizei esta citação como base para o meu poema visual DA ESTUPIDEZ HUMANA, que publiquei no meu livro PROTESTIZANDO - Biênio Poético.


(10) Stephen Hawking disse: "Somos apenas uma raça avançada de macacos num planeta pequeno de uma estrela comum. Mas nós conseguimos entender o Universo. Isso faz de nós algo muito especial." Você concorda?

De certa maneira, sim. Pois dentre todos os seres vivos que existem no planeta Terra, nós fomos capazes de desvendar alguns dos mistérios do universo, mesmo cientes de nossa pequenez em relação a ele.


STUDENT B's QUESTIONS

(1) O que é o universo?

O universo diz respeito a tudo que existe, como espaço, tempo e todos os tipos de matéria.


(2) Quem é o centro do seu universo?

Ninguém.


(3) Como o universo começou?

Existem muitas respostas para esta questão, sendo o Big Bang a teoria cosmológica dominante sobre o desenvolvimento inicial do universo.


(4) O que é um universo paralelo? Você acha que outro você mora em um?

Universos paralelos são "mundos" que existem além do universo convencional ao qual estamos inseridos, podendo possuir características espaciais, físicas e temporais bem distintas da nossa.


(5) Você acha que o McDonalds e o Starbucks estarão nas regiões externas do universo um dia?

Não.


(6) Por que os cientistas estão tão interessados ​​em descobrir mais sobre o universo?

Porque isso pode nos dar uma pista sobre como surgimos e o possível destino de todos nós.


(7) Quais são os três adjetivos que você escolheria para descrever o universo?

Imenso, misterioso e interessante.


(8) Você acha que um Big Bang deu início ao nosso universo?

Sou adepto de uma abordagem mais científica, então, acredito que este acontecimento possa ter sido o "pontapé inicial" de tudo.


(9) Aldous Huxley disse: "Há apenas um canto do universo que você pode ter certeza de melhorar, e esse canto é você mesmo." Você concorda?

Concordo. Penso que esta citação possui ideia semelhante à "seja a mudança que você quer ver no mundo".


(10) Dyer disse: "Tudo é perfeito no universo." Você concorda?

Não penso que seja perfeito, mas que existe muita harmonia em alguns aspectos. Por exemplo, os diversos fatores que possibilitam a existência de vida na Terra.

domingo, 21 de novembro de 2021

ESL DISCUSSIONS - CIÊNCIA





STUDENT A's QUESTIONS

(1) O que vem à mente quando você ouve a palavra "ciência"?

Coisas como o estudo dos seres vivos, do universo e a criação de tecnologias computacionais.


(2) Quão importante é a ciência?

A ciência é o meio pelo qual desvendamos o cosmos.


(3) A ciência é sempre boa?

Não. Conforme vemos no decorrer da história, muitas vezes, ela pode ser utilizada para fins destrutivos. Isto me fez lembrar de uma notícia que li recentemente no site da BBC Brasil: 4 inventores que criaram armas super-letais e se arrependeram.


(4) Você sempre confia na ciência?

A ciência está em constante busca por respostas, portanto, é normal desconfiar de certas coisas, que ainda não foram totalmente explicadas ou provadas.


(5) Você era bom em ciências na escola?

Não me lembro exatamente, mas sempre gostei.


(6) De quais projetos ou experiências científicas você gostou na escola?

Durante o ensino fundamental e médio, infelizmente, não me lembro de ter desenvolvido nada relevante.


(7) Você doaria seu corpo para a ciência depois de morrer?

Com certeza. Um dos meus desejos pós-mortem é a doação dos meus orgãos, se possível.


(8) Por que a ciência está se tornando cada vez menos popular nas escolas?

Não acho que isso seja uma verdade...


(9) Você gosta de visitar museus científicos?

Para mim, visitar qualquer museu é uma atividade fascinante. É como se fosse uma viagem no tempo.


(10) Que tipo de pessoa ama a ciência?

Pessoas interessadas em conhecer as leis que regem o universo.


STUDENT B's QUESTIONS

(1) Você gosta de ciência?

Bastante. Inclusive, este foi um dos motivos para eu ter cursado Ciência da Computação na Universidade Federal do Ceará.


(2) Como eram seus professores de ciência?

Sinceramente, não me lembro...


(3) O que a ciência fez pela humanidade?

Por um lado, descobriu a cura para diversas doenças, por outro, continua sendo utilizada para fins bélicos.


(4) O que a ciência descobrirá nas próximas décadas?

No momento, espero que uma cura para todas as variantes da COVID.


(5) Que perguntas a ciência nunca responderá?

Difícil saber. Talvez questões relacionadas à galáxias muito distantes.


(6) Ciência e religião se encaixam bem?

Não. Digo isso pelo fato de existirem muitas religiões, cada uma com a sua visão acerca do universo e da vida.


(7) Quando alguém diz: "Não é exatamente ciência de foguetes (rocket science)", o que eles querem dizer?

Que algo não é muito difícil. Uma expressão mais utilizada pelos norte americanos.


(8) Qual será a próxima grande descoberta na ciência?

Espero que a cura para doenças como Lúpus, Alzheimer, entre outras.


(9) Você gostaria que seus filhos estudassem ciência, administração ou direito?

Cada área do conhecimento tem a sua relevância na sociedade, mas gostaria que eles estudassem alguma das vertentes da ciência.


(10) O personagem de anime japonês Ikari Gendo disse: “A ciência é o poder do Homem”. O que isto significa? Você concorda?

Animes como Neon Genesis Evangelion fornecem muitas perspectivas sobre o possível desenvolvimento de tecnologias no campo da ficção científica. Quanto à citação, concordo com ele, pois a ciência nos permite explorar desde partículas minúsculas, como átomos, até outros planetas.

sábado, 25 de abril de 2020

WHAT IS THE GEOMETRY OF THE UNIVERSE?

When you gaze out at the night sky, space seems to extend forever in all directions. That’s our mental model for the universe, but it’s not necessarily correct. There was a time, after all, when everyone thought the Earth was flat because our planet’s curvature was too subtle to detect and a spherical Earth was unfathomable.

Today, we know the Earth is shaped like a sphere. But most of us give little thought to the shape of the universe. Just as the sphere offered an alternative to a flat Earth, other three-dimensional shapes offer alternatives to “ordinary” infinite space.

We can ask two separate but interrelated questions about the shape of the universe. One is about its geometry: the fine-grained local measurements of things like angles and areas. The other is about its topology: how these local pieces are stitched together into an overarching shape.

Cosmological evidence suggests that the part of the universe we can see is smooth and homogeneous, at least approximately. The local fabric of space looks much the same at every point and in every direction. Only three geometries fit this description: flat, spherical, and hyperbolic. Let’s explore these geometries, some topological considerations, and what the cosmological evidence says about which shapes best describe our universe.


sexta-feira, 29 de novembro de 2019

SASHA SAGAN, FILHA DE CARL SAGAN, FALA SOBRE CIÊNCIA, IMORTALIDADE E SENTIDO DA VIDA

Créditos: Sasha Sagan / Penguin Books.

Questão: Você foi criada em uma casa secular pelo famoso astrônomo Carl Sagan e pela produtora de documentários Ann Druyan – seus pais. Você falava sobre coisas espirituais em família?

Resposta: De certa forma, quase tudo o que conversávamos era “espiritual”. Palavras como “espiritual”, “mágico” e “sagrado” vêm do teísmo, mas também se aplicam a um sentido profundo de significado que podemos obter ao entender nosso lugar no tempo e no espaço como revelado pela ciência. Meus pais me ensinaram que as coisas verificáveis e prováveis não eram menos significativas porque eram apoiadas por evidências, mas eram mais maravilhosas por serem assim. Eles me ensinaram a amar o aprendizado e a enxergar uma profunda compreensão como sendo fonte de admiração.

Contudo, se você quer dizer “espiritualidade” no sentido religioso e teológico, a resposta também é sim – o tempo todo! A religião certamente não foi censurada de nenhuma forma em nossa casa. Frequentemente, tínhamos convidados religiosos para o jantar, incluindo membros do clero, e discutíamos e debatíamos filosofia abertamente. Meus pais queriam que eu entendesse o que as pessoas acreditavam no mundo ao longo do tempo. Meus pais me ensinaram histórias da Bíblia – não como história, mas como pilares importantes da civilização. Eles achavam que, sem aprendê-los, minha educação não chegaria nem perto de ser completa. Quando eu escrevia meu livro, a minha babá, Maruja Farge, que viveu conosco desde que eu tinha seis meses de idade até completar 8 anos, exerceu uma enorme influência sobre mim e foi uma das pessoas que mais amei na vida. Ela era uma católica devota e, às vezes, me levava à Igreja com ela, e eu gostava. Desde muito jovem, eu sabia que as crenças dela eram diferentes das dos meus pais e isso era perfeitamente aceito.

Eu também tinha um conjunto de brinquedos de madeira da Arca de Noé, que eu adorava!


Você disse que seu pai lhe ensinou sobre a imortalidade. O que ele te ensinou?

Ele me ensinou que, na escala do universo, a vida humana é muito curta e que não temos evidências do que acontecerá depois da morte. Vivemos em um pequeno planeta que orbita uma estrela amarela que em, aproximadamente, 5 bilhões de anos implodirá. Vivemos em um universo em que a mudança é constante e, até mesmo, as estrelas morrem. Não temos evidências que sugerem que a imortalidade exista para alguém ou alguma coisa. A vida é finita. E, em parte, porque não é infinita, estarmos vivos, aqui e agora, neste exato momento, é profundamente especial.


Quando criança, você alguma vez sentiu que estava perdendo algo por não fazer parte de uma crença religiosa ou uma Igreja?

Bem, seríamos judeus seculares, então não teria sido uma família de igreja em si, mas não. Talvez teria os mesmos amigos que tive a vida toda. Ainda estamos profundamente próximos, apesar de vivermos distantes. Além da minha família, eu sempre pude contar com o apoio deles para rir e chorar e, graças à tecnologia moderna, todos ainda conversamos constantemente e vemos fotos dos filhos e das viagens uns dos outros. Sinto e sempre me senti parte de uma comunidade por causa deles.


Quando seu pai morreu, você tinha apenas 14 anos, você desejou crer na vida eterna da mesma forma como os cristãos acreditam?

A questão do que acontece depois que morremos atormenta nós humanos, talvez mais do que qualquer outra coisa. Nossa espécie tem criado inúmeras teorias diferentes ao longo dos tempos. Meu pai disse: “Não quero acreditar, quero saber”. Tenho o mesmo pensamento. Isso não quer dizer que tenho total convicção de que não há nada depois da morte, além de um sono sem sonhos. Eu prefiro abster da crença na ausência de evidência, enquanto aguardo na ambiguidade até a minha hora chegar.

Enquanto isso, eu sei que tive muita sorte de ter por 14 anos um pai amoroso, brilhante, interessante e interessado. Não acho que algo deva durar para sempre para ser maravilhoso.


Você publicou recentemente um livro chamado For Small Creatures Such As We: Rituals And Reflections For Finding Wonder. No livro, você descreve rituais e tradições não religiosas criadas para sua própria filha. Você pode nos contar mais sobre isso? Por que você acha que são importantes?

Pessoas seculares também precisam processar as constantes mudanças que compõem a vida na Terra. Também atingimos a maioridade, também nos casamos, também perdemos pessoas que amamos, também queremos alegria nas profundezas do inverno. Muito antes do monoteísmo, as pessoas encontravam inspiração para rituais e feriados no mundo natural, no que hoje chamamos de biologia e astronomia. As mudanças das estações do ano são particularmente populares, geralmente nos solstícios e nos equinócios. Nem sempre sabíamos que eles eram subprodutos da inclinação do eixo da Terra, mas encontramos padrões no mundo: dia e noite, calor e frio, morte e renascimento. Muitos feriados monoteístas modernos são construídos com base nessa relação e no mesmo tempo desses eventos.

A família do meu marido é historicamente cristã. Nossa filha tem um Natal secular todos os anos através deles. E ela recebe uma versão secular do Hanucá parecida com a que tive na minha infância e no meu lado da família.

Não acho que devíamos descartar completamente os rituais de nossos ancestrais porque nossas filosofias não se alinham. Quando acendo um Menorá, eu sinto que estou honrando as pessoas cujos genes eu carrego, mesmo que eu não concorde com a teologia deles.

Também fazemos outra coisa em dezembro, que reflete o que eu e meu marido pensamos ser profundo e significativo.

Para mim, a ideia que depois do solstício de inverno os dias começarão a ficar mais longos, e que depois disso a primavera chegará, acredite ou não, tudo por causa de uma colisão na juventude turbulenta do nosso planeta, há bilhões de anos, é muito poderosa. Nessa noite, acendemos algumas velas, trocamos presentes, fazemos um brinde e tentamos explicar um pouco de astronomia para nossa filha. Dessa forma, celebramos as notícias intrinsecamente boas de que, não importa o quê, amanhã a luz começará a voltar.


Seu livro fala sobre como misturar ciência e espiritualidade. O que é espiritualidade para você? Explique como uma pessoa não religiosa pode ser espiritual.

Bem, eu mencionei acima, pode estar faltando uma palavra na língua inglesa para isso.

Na maior parte da história, quanto mais conseguíamos entender sobre a natureza, como as mudanças das estações, as fases da lua, o nascimento e a morte, mais pensávamos que melhor entendíamos nossos deuses. Em algum lugar ao longo do caminho, surgiu um conflito: a ciência e a “espiritualidade” se separaram, mas isso é relativamente recente na cena da história de nossa espécie.

Escrevi em meu livro que, quando eu era jovem, meus pais me ensinaram que existia um código secreto em meu sangue que me conectava a meus antepassados, a pessoas cujos nomes eu nunca conheceria, mas de quem eu carregava uma pequena parte dentro de mim. O DNA é verificável, acreditando ou não. Não requer fé. E fornece essa emoção arrepiante – a sensação de fazer parte da grandiosidade da interconexão de tudo isso. Eu sinto o mesmo sobre nosso lugar no universo. Durante muito tempo, nós humanos assumimos que éramos o centro de tudo, mas quanto mais aprendemos, mais percebemos que somos uma parte minúscula da vastidão. Como é surpreendente e inspirador para nossa espécie começar a entender o quão enorme é o universo ou que as células do nosso corpo vieram de estrelas a muitos anos-luz de distância. Para mim, como meus pais e muitas pessoas seculares, esse tipo de ideia evoca os mesmos sentimentos que os devotos podem derivar da religião.


Em sua opinião, qual é o sentido da vida? O que seu livro nos diz sobre isso?

Longe de responder a essa pergunta para alguém. Para mim, é o amor que sinto por meu marido, por nossa filha, por nossa família e amigos. Sentindo aqueles momentos de alegria e apreço por estar vivo. É também o profundo sentimento de satisfação que tenho ao aprender o máximo que posso, ao entender, ao conectar os pontos, ao compreender como a vida é interdependente em nosso planeta. São revelações em um sentido diferente da palavra, penso eu. Também deduzo que o sentido surja do trabalho visando construir um mundo como eu gostaria que fosse, seja por meio de voluntariado, protesto ou doação.

O que mais admiro na religião organizada é a expectativa social de fazer boas obras. E penso que, tanto para aqueles que não acreditam que exista uma rede de segurança moral como para quem acredita que tudo acontece por uma razão, também precisamos entender que é nosso dever trabalhar para construir um mundo mundo mais justo.


Você recomendaria este livro para pessoas religiosas? O que elas acharão do livro?

Muitas pessoas com quem convivo são religiosamente devotas, especialmente membros de várias denominações cristãs. Eu os amo e pensei neles com frequência enquanto escrevia meu livro. Eu não acho que entender os padrões e ritmos da vida na Terra, como eles acontecem e como os humanos os celebram e honraram ao longo do tempo, seja menos interessante para as pessoas que têm uma fé profunda.


Agradeço por escrever um livro que nos dá mais informações sobre a mente de Carl Sagan e sobre um belo relacionamento entre pai e filha. O que você espera que os leitores aprendam com seu livro?

Espero que aprendam que os elementos prováveis e verificáveis da natureza, revelados pela ciência, possam proporcionar esse profundo senso de beleza e alegria. Isso não importa em que você acredita, não importa quais sejam as especificidades de seus costumes ou teologia, em todo o mundo e ao longo do tempo estamos comemorando e marcando as mesmas mudanças: nascimentos, maioridade, morte, estações de ano que passam, etc. Todos nós estamos tentando encontrar o sentido de estarmos vivos neste planeta e processar as infinitas mudanças que compõem nossas vidas.


O que você faz quando não está escrevendo?

Sou mãe de uma menininha muito amável e muito tagarela e esposa de um homem amável por quem me apaixonei a maior parte de minha vida adulta. Viajamos, lemos, fazemos pequenas aventuras a lugares como museus e aquários. Tem sido mais difícil nos últimos anos, mas tento trabalhar voluntariamente sempre que posso. Na verdade, somos muito fortes, eu juro!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

SCIENTIFIC AMERICAN - GÊNIOS DA CIÊNCIA: ARQUIMEDES, O PIONEIRO DA MATEMÁTICA

Explicar Arquimedes em poucas páginas é uma tarefa difícil. Será preciso considerar o inventor, o defensor de Siracusa, a genialidade de suas técnicas matemáticas e inserir tudo isso no contexto da ciência helenística e das Guerras Púnicas. Mas ainda não basta. A vida de Arquimedes estendeu-se bem além dos 7 anos que passou neste mundo: se sua figura se tornou um mito, sua obra é umas das raízes mais profundas de nossa ciência. Aspectos que também precisamos considerar.

E há outro problema. Arquimedes foi um dos maiores matemáticos de todos os tempos. Era, porém, um matemático grego e, embora a matemática grega seja precursora da nossa, é profundamente diversa daquela que praticamos. Assim, não podemos dar uma ideia de sua obra traduzindo os resultados para nossa linguagem: uma tradução desse tipo transformaria nossa narrativa em um insosso elenco de resultados facilmente dedutíveis mediante o cálculo infinitesimal. Para reconstruir as contribuições de Arquimedes é preciso mergulhar na sua matemática.

Não oferecemos aqui mais do que uma introdução, orientada por algumas escolhas. A discussão da literatura foi reduzida ao mínimo, o que constitui uma limitação considerável, dada a amplitude e o número das interpretações, muitas vezes discordantes. Entre o Arquimedes "tecnólogo" e o "matemático", damos preferência ao segundo. Apesar de célebre, a obra matemática de Arquimedes é quase desconhecida do público e decidimos assim enfatizá-la. Não pudemos tratar detalhadamente de toda a obra matemática: a exposição privilegia os aspectos que melhor ilustram as técnicas demonstrativas de Arquimedes.

Demos espaço também aos problemas de tradição textual. Frequentemente não se dá devida atenção ao fato de que as obras clássicas chegaram a nós mediante complexos processos de transmissão e que o trabalho do filológico é essencial pra interpretar corretamente um texto, ainda mais de natureza científica. A segunda parte é dedicada à história dos textos de Arquimedes e sua influência na Idade Média e no Renascimento. Pareceu-nos importante tentar dar uma ideia de como a redescoberta de Arquimedes foi essencial para o nascimento da matemática e da ciência modernas.

Trata-se de uma introdução. Entretanto, o leitor familiarizado coma a obra poderá se surpreender ao perceber que muitos temas foram tratados de modo pouco ortodoxo (em particular o "método de exaustão"). De fato, tentamos elaborar novos pontos de vista, que contrastam com os tradicionais. Em razão dos limites de espaço, não pudemos desenvolver uma discussão crítica adequada: esperamos que os leitores não se indisponham conosco e que a abordagem proposta estimule o aprofundamento do tema.


sábado, 30 de dezembro de 2017

A FASE MENOS CONHECIDA DO CIENTISTA MAIS FAMOSO DO MUNDO

O que alguém faz depois de descrever a natureza do universo pela primeira vez na história?

A equivalência entre a massa e a energia descrita por Einstein mudou a forma com que a ciência interpreta o mundo | Foto: Thinkstock

Nos anos 1920, Albert Einstein já havia criado a teoria quântica e resolvido a da relatividade. Ele então embarcou em sua última grande expedição pelos mistérios mais profundos da física, naquilo que se tornaria a realização incompleta de um sonho: a busca de uma teoria unificada que conectaria todas as forças da natureza em uma única equação mestra.

Esse é o Einstein que mais conhecemos, aquele que buscou resolver os enigmas mais obscuros do mundo.

Mas, ao mesmo tempo, ele tinha trabalhos paralelos.

Um deles era a invenção de um novo tipo de geladeira.

Sim, Einstein também foi um inventor. Esta nunca foi a parte principal de seu trabalho, mas ele a levava a sério.

No entanto, ainda parece um pouco estranho que o homem que nos deu a equação E = mc2 e mudou as noções da ciência sobre o tempo e o espaço tenha decidido criar um eletrodoméstico.


O caminho para a fama

Há um período da vida adulta de Einstein pouco conhecido | Foto: Getty Images

O que aconteceu com Einstein durante sua vida adulta, entre o jovem gênio e o senhor de cabelos brancos e língua de fora que conhecemos nas fotos? Perguntamos a Katy Price, professora da University Queen Mary de Londres, que pesquisou o período de celebridade emergente do físico na década de 1920.

"Nós realmente não pensamos muito sobre como o jovem Einstein se transformou no mais velho, e é nessa fase em que tudo está realmente mudando", diz ela.

"Em todo o mundo, se falava sobre a sensacional nova teoria do Universo. Uma manchete do [jornal] New York Times, por exemplo, dizia: 'Jazz no mundo científico'".

"Na imprensa, descreveram muito a sua aparência: a roupa que ele usava, seus cabelos, seus olhos...: 'Parece um homem afetuoso, é bom com crianças, toca violino'. Era uma tentativa de humanizar a pessoa que nos deu essa teoria matemática intensamente abstrata."

Mas tudo isso contrastava fortemente com o que estava acontecendo na sua Alemanha natal.


Turbulências

Pode-se imaginar que Einstein estivesse desfrutando do sucesso e da fama em seu auge.

Mas, na verdade, esse período de sua vida foi difícil, tanto na ciência como na vida privada e no seu país.

Relacionamento de Einstein com a segunda esposa, Elsa, não era pacífico | Foto: Getty Images

Ele já tinha se casado duas vezes, tinha vários casos amorosos e seu relacionamento com a segunda esposa, Elsa, claramente não era pacífico.

Uma parte da imprensa alemã também não era favorável ao cientista. Eles criticavam suas ideias internacionalistas, acusadas de antipatrióticas. E, desde os anos 1920, essa crítica já estava tingida de antissemitismo.

Em 1933, o jornal nazista Völkische Beobachter atacou abertamente suas teorias científicas por virem de um judeu.

"O exemplo mais importante da influência perigosa dos círculos judeus nos estudos da natureza vem do Sr. Einstein, com suas teorias matematicamente toscas que consistem em algum conhecimento antigo acrescido de incrementos arbitrários."

Einstein chegou a temer por sua vida.

"E com razão", diz Price.

"No New York Times, no meio da cobertura de suas palestras, há notícias de que, em Berlim, um líder antissemita foi multado por tentar organizar um complô para matar Einstein. Então, na verdade, alguns queriam matá-lo e outros queriam matar sua ciência."


Parceria para invenção

Em 1926, Einstein leu uma notícia no jornal sobre uma família que morreu após gases tóxicos escaparem de sua geladeira.

Essa triste história deve ter-lhe comovido, porque ele começou a fazer algo para tentar resolver o problema.

Talvez fosse porque ele queria se distrair; ou pode ter sido um reflexo de sua conhecida sensibilidade.

O fato é que Einstein conhecia uma pessoa que poderia ajudá-lo: um brilhante jovem formado na Universidade de Berlim chamado Leo Szilard.

Szilard era um especialista em termodinâmica, a ciência que descreve como o calor se move - e isso é o que faz uma geladeira funcionar.

E, bem, não se rejeita um pedido de parceira com Einstein, certo?


Um campo eletromagnético para a geladeira

Naquela época, geladeiras não eram muito comuns. Embora mais parecessem uma caixa-forte do que um eletrodoméstico, a princípio elas não eram muito diferentes das atuais.

Elas usam um fluido refrigerante para absorver o calor no interior do aparelho e liberá-lo - o fluido contrai, expande e circula através de um circuito de tubos.

Os refrigerantes, naquele tempo, eram gases tóxicos, com amônia e dióxido de enxofre em sua composição, por exemplo. Eles podiam escapar quanto algumas partes da geladeira, as partes móveis, se desgastavam.

Einstein e Szilard perceberam que os refrigeradores seriam mais seguros se houvesse menos partes móveis.

 Einstein e Szilard desenvolveram um sistema de refrigeração com menos partes móveis

Eles se livraram da parte do circuito que condensava e evaporava o fluido e substituíram-no por uma bomba de compressão que projetaram, sem peças móveis.

Um campo eletromagnético permitia a movimentação do metal líquido - o mercúrio -, que atuava como um pistão para comprimir o gás.


Invenção barulhenta

Em 1927, a divisão de refrigeração da empresa sueca Electrolux comprou um dos pedidos de patente de Einstein e Szilard pelo valor de US$ 10 mil (cerca de R$ 33 mil; em valores atuais). A companhia alemã AEG fez o mesmo.

No entanto, a geladeira tinha seus problemas. Um deles era que a movimentação do mercúrio fazia muito barulho.

Mas, um por um, os problemas foram resolvidos e, em 1932, já havia vários protótipos promissores da geladeira Einstein-Szilard nos laboratórios da AEG.

No entanto, aconteceu uma catástrofe.

A República de Weimar (estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial) já havia atenuado uma hiperinflação insana no país no início da década de 1920, mas agora os efeitos da Grande Depressão de 1929 estavam desestabilizando o governo e os negócios.

Em meio ao caos e à instabilidade que alimentaram a eleição do governo nacional-socialista de Adolf Hitler, a AEG foi forçada a fechar suas pesquisas sobre refrigeração.

E com Einstein e Szilard exilados da Alemanha, os planos para lançar a nova geladeira foram interrompidos.


Quase sete décadas depois...

Embora o refrigerador cocriado por Einstein ainda tivesse o problema de não ter um fluido que não fosse tóxico para os seres humanos e nem para o meio ambiente, existem razões para que o projeto ainda seja atraente.

"O interesse para nós é que ele não tinha partes móveis", diz Malcolm McCulloch, um engenheiro da Universidade de Oxford que em 2008 construiu a engenhoca com base nos projetos dos cientistas.

"Isso é muito útil em lugares remotos onde não há pessoas qualificadas para fazer consertos manualmente. O segundo estímulo que achamos interessante é a possibilidade de usar o calor residual", explica.

"Além disso, uma das grandes vantagens para mim é que ela não precisa de eletricidade."


Outros problemas

É improvável que os dois físicos tenham ficado muito preocupados com o fracasso de sua geladeira. Já em 1932, eles tinham problemas mais importantes com os quais lidar.

Em 1934, Szilard patenteou o processo de reação em cadeia nuclear iniciada por nêutrons, que poderia permitir o uso de energia nuclear para diversos fins. Dois anos depois, em meio à tensão entre os países europeus, ele deu a patente ao almirantado britânico, o antigo responsável pela Marinha Real Britânica, para que ela permanecesse secreta.

Einstein se considerava pacifista, mas bomba atômica acabou entre os legados atribuídos a ele | Foto: Getty Images

Mas em 1938, a fissão nuclear do urânio, reação usada em usinas nucleares e na bomba atômica, foi descoberta na Alemanha.

Em agosto de 1939, um mês antes do início oficial da Segunda Guerra Mundial, Szilard e Einstein assinaram uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, alertando que os alemães poderiam estar construindo uma bomba atômica e pedindo que o país investigasse.

A carta levou ao estabelecimento do Projeto Manhattan e ao lançamento das bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

Hoje em dia são as bombas nucleares, e não as geladeiras, que são consideradas parte do legado de Einstein.

THE HAWKING PARADOX - BBC HORIZON

Series exploring topical scientific issues examines Professor Stephen Hawking's most controversial theory and possibly his greatest mistake. 

For thirty years the most famous scientist in the world defended an extraordinary idea, an idea some claimed would undermine the whole of science. It was called the information paradox and it led one opponent to dub Hawking 'the most stubborn man in the universe'. But finally Hawking had to admit that he'd been wrong all along. Now, as he nears the end of his extraordinary career, Hawking's scientific legacy is being called into question like never before.

For a year Horizon filmed behind the scenes with Hawking as he struggled to finish what many thought was going to be his last scientific paper. If he succeeded he would potentially end his career on a high, confirming his status as one of the great figures in physics. But the odds were against him, as his physical health continued to decline.

This is an extraordinary story of one man's defiance of disability and his peers. It is a story that ranges from the beginning of the universe, which Hawking explored, to the intensive care unit of Addenbrookes, where he was taken and was critically ill for three months. On his hospital bed he had an insight which he hoped would form the basis of his latest comeback.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

COMO A CIÊNCIA TRANSFORMOU O MUNDO EM 100 ANOS E POR QUE DEVEMOS ESTAR ENVOLVIDOS

Por Sir Venki Ramakrishnan
Presidente da Sociedade Real de Londres para o Avanço da Ciência Natural
Publicado na BBC

Se pudéssemos transportar milagrosamente as pessoas mais inteligentes de meados de 1900 para o mundo presente, ficariam maravilhadas ao ver que agora compreendemos coisas que desconcertaram os humanos durante séculos.

Há um pouco mais de cem anos, as pessoas não tinham ideia de como herdamos e transmitimos nossos traços ou como uma única célula poderia converter-se em um organismo.

Não sabíamos que os átomos tinham estrutura: a própria palavra significava indivisível.

Não sabíamos que a matéria tinha propriedades muito estranhas que desafiam o senso comum.

Ou por que há gravidade.

E eles não tinham ideias de como surgiram as coisas, tanto a vida na Terra como o próprio Universo.

Hoje em dia, graças a descobertas fundamentais, podemos despejar ou, pelo menos, começar a desvendar esses mistérios.

Isso transformou a forma como vemos o mundo e, muitas vezes, a nossa vida diária.

Muito do que consideramos hoje concedido é o resultado de uma interação entre ciência e tecnologia, com um impulsionando o outro adiante.


As invenções modernas são muitas vezes baseadas em descobertas de algumas centenas de anos, diz Venki Ramakrishnan. Créditos: Royal Society.

Quase todas as invenções modernas têm um ou várias descobertas fundamentais que as tornaram possíveis.

Às vezes, essas descobertas fundamentais foram feitas há centenas de anos.

Nem os motores a jato nem os foguetes seriam possíveis sem o conhecimento das leis do movimento de Issac Newton, por exemplo.

Há grandes momentos na ciência, como a descoberta da estrutura da DNA que mudou nossas perspectivas.

Mas mesmo essa descoberta foi um marco que se baseou no trabalho de Charles Darwin e Gregor Mendel, e também presumiu a biotecnologia de hoje, em que todo o DNA de um ser humano, o genoma humano, foi sequenciado.

  
Alguém do início do século passado ficaria espantado com tudo o que sabemos agora. Créditos: Getty Images.

Isso, por sua vez, nos deu a capacidade de descobrir como as doenças genéticas ocorrem e, potencialmente, como solucioná-las.

Recentemente, os cientistas puderam modificar os genes de uma menina para curar seu câncer.

Já não somos uma caixa preta completa, embora nossa complexidade seja tal que estamos apenas começando a entender como nossos genes regulam o corpo e como eles interagem com nosso ambiente.

 
Podemos deduzir que o universo começou com um Big Bang a partir de um único ponto. Créditos: SPL.

É provável que as tecnologias genéticas enfrentem questionamentos importantes sobre a forma como nos vemos e por que queremos usar nossa maior compreensão e capacidade.

Isso também é verdade sobre a grande teoria do Big Bang de como o Universo surgiu.

Há cem anos, mistérios como a maneira que o Universo surgiu eram, para muitos, firmemente uma questão de fé.

Estimulados pela observação de que o Universo não é constante, mas que as galáxias estão em expansão, afastando-se uma das outras, poderíamos determinar que o Universo começou com um Big Bang a partir de um ponto.


Esse conhecimento nos dá uma ideia sobre o que talvez seja o mais importante de todas as perguntas: de onde veio tudo?

A ideia faz com que nosso pequeno ponto azul pareça cada vez menor, mas nossa busca pelo conhecimento do que está fora não mostra sintomas de um complexo de inferioridade.

 
Os avanços na exploração espacial nos deixam mais curiosos sobre o que permanece desconhecido. Créditos: NASA.

Das missões Apollo até a sonda Cassini, do telescópio Hubble até a busca de ondas gravitacionais e exoplanetas, todos os avanços parecem nos deixar cada vez mais curiosos sobre o espaço.

Hoje, grande parte de como vemos o mundo é através de uma tela eletrônica.

Os computadores em todas suas formas variadas são fontes de conhecimento, mas também são cada vez mais a maneira como nos apresentamos ao resto do mundo e interagimos com os outros.

Mesmo um objeto onipresente, como um smartphone, depende de muitas descobertas fundamentais.

Seu computador potente depende de chips integrados formados por transistores, cuja a descoberta depende da compreensão da mecânica quântica.

O GPS em um smartphone depende da correção do tempo dos satélites usando as teorias especial e geral da relatividade, teorias que as pessoas pensaram não ter qualquer valor prático.

Me pergunto quantos entendem todas as descobertas que fazem essa pequena caixa funcionar.

 
As máquinas com a capacidade de aprendizagem nos levam aos primeiros carros sem motorista. Créditos: Getty Images.

Os computadores também estão gerando desenvolvimentos que continuarão a desafiar nossa visão do mundo.

As máquinas que aprendem já estão entre nós e estão mudando a realidade em que vivemos.

Elas oferecem um grande potencial que incluem cuidados médicos e a melhoria de outros serviços públicos, e, em breve, podem resultar em carros sem motoristas e robôs muito sofisticados.

Mas devemos tomar decisões conscientes sobre como queremos que as máquinas inteligentes permitam que a humanidade prospere.

As descobertas em si são moralmente neutras, mas o uso que fazemos dela não são neutras.

Uma descoberta que mudou nossa visão de mundo em duas direções claramente divergentes foi a fissão nuclear.

Sua descoberta levou ao desenvolvimento das armas mais destrutivas já conhecidas.

Alguns argumentam que o medo da destruição tem sido um poderoso motivador para a paz, mas essa não é uma solução estável, como pode ser visto com a situação atual com a Coreia do Norte.

Por outro lado, a fissão nuclear também prometeu uma fonte confiável de energia que, uma vez, foi predita com otimismo que era “demasiada barata para medir”.

  
O medo da destruição pode ter atuado como dissuasor alguma vez, mas não garante uma situação estável. Créditos: AFP.

A ciência é a busca de conhecimento sobre nós mesmos e o mundo que nos rodeia.

Essa busca pelo conhecimento também moldou a forma como vemos o mundo, bem como a aplicação do conhecimento. Em geral, transformou nossas vidas para melhor.

Hoje vivemos quase o dobro do tempo que nossos antepassados em 1900 e a qualidade de nossas vidas é muito melhor do que era antes.

Mas o uso da ciência e da tecnologia não depende apenas da ciência e dos cientistas. Depende de uma interação de fatores culturais, econômicos e políticos.

A ciência é um triunfo do conhecimento humano e todos podemos compartilhar essa emoção.

Ao mesmo tempo, entender seus múltiplos usos pode nos ajudar a nos envolver nas decisões que nos afetam.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

TEORIA CIENTÍFICA E TEORIA FILOSÓFICA

8 de junho de 2017


Uma das questões que me afligem com certa constância é sobre o sentido de “teoria”, tanto no campo científico quanto filosófico. É muito comum que as pessoas confundam “teoria” e “lei”, como se teoria fosse algo com pouco fundamento comparado a uma lei  —  há quem diga que “quando uma teoria se comprova, ela vira lei”, quando na verdade uma teoria é mais complexa do que uma lei, e são as leis os pilares de uma teoria (no campo científico).


Mas qual seria a diferença entre “teoria científica” e “teoria filosófica”? Não me parece uma pergunta qualquer, uma vez que os tipos de abordagem diferem em muitos aspectos, e mesmo assim a mesma palavra (teoria) é utilizada para se referir a diferentes formas de conhecimento que são bastante complementares  —  e essa complementariedade me parece justificar uma tentativa de aproximar a própria linguagem utilizada em ambos os terrenos.

Temos, por exemplo, a teoria da Evolução, sem a qual boa parte do conhecimento científico acumulado ao longo dos últimos séculos careceria de fundamento, pondo em cheque a própria ciência. Ao mesmo tempo, temos a Navalha de Ockham, que embora seja considerada um princípio norteador de uma conduta científica (escolher, dentre as teorias disponíveis, aquela que for mais simples), ainda assim pode ela mesma ser considerada uma teoria, se formos levar em conta que optar pela mesma não carece de fundamentos mas, antes, já foi objeto de disputa filosófica (Leibniz, Menger e Kant eram anti-navalha) e é hoje inteiramente justificado (seja pelos argumentos do filósofo medieval Guilherme de Ockham — e pela ótima exposição a respeito do assunto por Elliot Sober  — , seja pela lei das probabilidades na matemática ou, ainda, pelo princípio da falseabilidade de Popper). No campo filosófico, a Navalha de Ockham enquanto teoria está sujeita ao contraditório. No campo científico, sequer como estritamente teoria pode ser considerada (é adotada, ponto final).

O que se entende por teoria científica é que seja algo, até prova em contrário, “provado”. Teorias científicas podem ser tomadas como verdade, ficando pouco justificadas as críticas do tipo “ah, não é uma lei, é uma teoria”, que visam desqualificar uma teoria com base científica. Porém, teorias como a navalha de Ockham, estruturadas abstrativamente sem necessidade de experimentos e observação, costumam ser anteriores à própria teorização científica, pois tratam-se de teorias filosóficas, que dão base para a própria ciência. O significado científico de teoria, nesse sentido, difere do significado filosófico.


Há inúmeros pensamentos não apenas no campo da filosofia que são considerados teoria, independente de serem validados como teoria cientificamente (tomem a teoria do valor-trabalho, em economia política, como exemplo  —  sua validade é disputada em concorrência a outras teorias no mesmo campo de conhecimento, como a teoria do valor marginal).

Um exemplo de teorias filosóficas, portanto não-científicas, em disputa é a longa “treta” entre realismo x antirrealismo, que é totalmente teórica, metafísica e abstrata. Não se trata de algo que se provará cientificamente, a articulação para sustentar uma ou outra posição é filosófica. Mesmo assim, o que essa discussão definir impactará fortemente na própria prática científica (pois é um debate acerca de, por exemplo, se átomos existem mesmo [realismo] ou se são apenas constructos que criamos para entendermos um fenômeno desconhecido [anti-realismo]).

Teoria científica e teoria filosófica me parecem evidentemente diferentes, e a condição de que “para ser uma teoria deveria ter um experimento ou testes comprovados”, como comumente é entendido no campo científico, não se aplica para muitas ideias que também são consideradas teóricas no campo filosófico.

Mesmo assim, o senso-comum do que seja uma teoria parece se direcionar a uma ideia filosófica de teoria. E por mais que não devesse, essa percepção mais relativa, que não exige critérios de observação e testagem, escoa numa percepção mais fraca do que seja teoria científica, provavelmente ajudando na perpetuação da confusão ingênua de que lei seria um passo posterior à teoria.

Pelo bem da comunicação científica e filosófica, acredito que essa confusão precise de mais esclarecimentos. Mas como salvar a ciência do relativismo, e ao mesmo tempo evitar um endurecimento da filosofia?

POR QUE “TEORIA” É UMA PALAVRA TÃO CONFUSA?

Por Marcelo Gleiser
Publicado na National Public Radio

Créditos: iStockphoto.


Teoricamente falando, há uma confusão generalizada sobre a palavra “teoria”. Certo?

Muitas pessoas interpretam a palavra como conhecimento indefinido, baseado principalmente no pensamento especulativo. Ela é usada indiscriminadamente para indicar coisas que conhecemos — isto é, baseadas em evidências empíricas concretas — e coisas das quais não temos certeza. Não é uma boa mistura, especialmente quando certas teorias dizem respeito diretamente às sensibilidades religiosas e baseadas no valor das pessoas, como a “teoria da evolução” ou “teoria do Big Bang”. Existe também o perigo de cair nas armadilhas de significado estabelecidas por grupos com agendas específicas.

A definição de “teoria”, de acordo com o New Oxford American Dictionary (NOAD), não ajuda:

- Uma suposição ou um sistema de ideias destinado a explicar algo, especialmente algo baseado em princípios gerais independentes da coisa a ser explicada: a teoria da evolução de Darwin.
- Um conjunto de princípios sobre os quais se baseia a prática de uma atividade: uma teoria da educação.
- Uma ideia usada para explicar uma situação ou justificar uma linha de ação: minha teoria seria a de que…

Assim, há um uso dentro de um contexto científico (“a teoria de…”) e em um contexto subjetivo (“minha teoria é…”) — um problema óbvio.

Quando usado no contexto de uma frase, como “em teoria”, fica pior. Segundo a NOAD, “usada para descrever o que é suposto acontecer ou ser possível, geralmente com a implicação de que não acontece de fato”. Claramente, neste contexto, “em teoria” significa algo que provavelmente está errado.

Não me admira que haja confusão. Isso é confuso!

Um primeiro passo para tentar esclarecer o(s) significado(s) de teoria é entender em que contexto a palavra está sendo usada e manter diferentes contextos separados. Assim, se um cientista está usando a palavra teoria, como em “teoria da relatividade”, “teoria da evolução” ou “teoria do Big Bang”, ela deve ser entendida como uma afirmação dentro de um contexto científico. Nesse caso, uma teoria com certeza NÃO é mera especulação subjetiva, ou algo que esteja provavelmente errado, mas, pelo contrário, é algo que foi examinado pelo processo científico de validação empírica e, até agora, tem passado no teste de explicar os dados.

Infelizmente, mesmo dentro do contexto científico, a palavra é mal utilizada, o que só aumenta a confusão. Por exemplo, “teoria das supercordas” refere-se a uma teoria especulativa em física de alta energia onde os blocos de construção fundamentais da matéria não são partículas elementares, mas minúsculos tubos vibrantes de energia. Dada a falta de apoio empírico até agora para a ideia, a “hipótese das supercordas” seria uma caracterização muito mais apropriada. Os cientistas podem saber o status da hipótese, mas a maioria das pessoas não. Devemos ter mais cuidado.

Uma teoria científica é um acúmulo de conhecimento construído para descrever fenômenos naturais específicos, como a força da gravidade ou a biodiversidade, que foi aprovada pela comunidade científica. Isso é o melhor que podemos encontrar para obter o senso de natureza em um determinado momento.

Tenha em mente que, como nossa compreensão dos fenômenos naturais mudam, as teorias também podem mudar. Isso não significa necessariamente que as velhas teorias estejam erradas. Isso geralmente significa que as velhas teorias têm um alcance limitado de validade não coberto por fenômenos recém-descobertos. Por exemplo, a teoria da gravidade de Newton funciona muito bem para enviar foguetes para Netuno, mas não para descrever um buraco negro. Novas teorias nascem de brechas nas antigas.

Infelizmente, a suspeita de certas teorias científicas pode advir da confusão da especulação subjetiva com a descrição objetiva. Uma teoria científica é diferente de uma hipótese científica. Uma hipótese científica é uma ideia ainda não empiricamente testada e, portanto, ainda não aprovada pela comunidade científica. Uma teoria é uma hipótese que foi testada e aprovada.

Muita confusão popular poderia ser evitada se a palavra teoria fosse compreendida dentro do contexto correto. A armadilha frequentemente usada de explorar o duplo significado da palavra teoria para confundir ou deliberadamente induzir a opinião popular deve apenas pegar aqueles que não sabem ou optam por negligenciar o que a teoria significa dentro de seu contexto científico ou subjetivo.