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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

ESL DISCUSSIONS - FÍSICA




STUDENT A's QUESTIONS

(1) O que vem à mente quando você ouve a palavra "física"?

Universo.


(2) A física é importante?

Sim.


(3) Você se interessa por física?

Me interesso por alguns assuntos mais acessíveis, publicados em obras de divulgação científica.


(4) O que você mais e menos gostou na física?

Gostava muito de entender sobre como funciona o universo, mas não me dava muito bem com a parte matemática.


(5) Todos os professores de física precisam de cabelo bagunçado e barba?

Não.


(6) O que você sabe sobre as leis da física?

As principais leis da física são princípios fundamentais que descrevem o comportamento do universo e de seus componentes. Entre elas, estão as Leis de Newton, que explicam o movimento dos corpos e a interação das forças; a Lei da Gravitação Universal, que descreve a atração gravitacional entre objetos com massa; e as Leis da Termodinâmica, que abordam o fluxo e a conservação de energia, além de conceitos como entropia. Também temos as Leis do Eletromagnetismo de Maxwell, que explicam o comportamento das cargas elétricas e dos campos magnéticos, e a Teoria da Relatividade de Einstein, que reformula o entendimento de tempo, espaço e gravidade. Esses fundamentos se complementam com a Mecânica Quântica, que explora o comportamento de partículas em escala microscópica, revelando um universo com propriedades probabilísticas e interações complexas.


(7) O que você sabe sobre os diferentes ramos da física; por exemplo, física quântica, física aplicada, física nuclear, física de partículas, etc.?

Tenho apenas um conhecimento superficial sobre estes assuntos, que obtive em revistas (Scientific American) e livros de divulgadores científicos, como Stephen Hawking.


(8) Qual a utilidade da física em nosso mundo?

Entender quais os mecanismos que regem o universo e buscar explicações acerca da nossa existência.


(9) Você ficará rico se tiver um diploma em física?

Não necessariamente.


(10) Quem foi o maior físico de todos os tempos?

Acho que Isaac Newton.


STUDENT B's QUESTIONS

(1) O que é física?

A física é a ciência que estuda as propriedades fundamentais da matéria, da energia e das forças, buscando entender como o universo funciona em todos os níveis, desde as partículas subatômicas até as galáxias. Ela examina fenômenos naturais e procura explicar leis e princípios que governam a natureza, utilizando métodos científicos e experimentos rigorosos. Através de conceitos como movimento, energia, força, gravidade, eletricidade e magnetismo, a física busca descrever o comportamento dos objetos e a interação entre eles, oferecendo uma base para outras ciências e possibilitando o desenvolvimento de tecnologias que impactam profundamente a sociedade.


(2) Como é seu país em física?

Acho que a sociedade em geral não se interessa por física, mas temos alguns bons divulgadores científicos na área.


(3) Você gostaria de fazer experimentos de física?

Muito.


(4) Quais fórmulas de física você conhece? Você as entende?

E=mc^2, de Albert Einstein. Basicamente, significa que energia (E), e massa (m) são basicamente a mesma coisa e podem ser convertidas uma na outra. Na fórmula, c representa a velocidade da luz, que é um número muito grande (aproximadamente 300.000 km por segundo), e c^2 é esse valor multiplicado por ele mesmo. A ideia principal é que mesmo uma pequena quantidade de massa pode ser convertida em uma quantidade enorme de energia, porque a velocidade da luz ao quadrado é um número gigantesco. Isso explica, por exemplo, como funcionam as reações nucleares, nas quais uma pequena quantidade de matéria é convertida em uma quantidade imensa de energia, como ocorre nas estrelas e nas bombas atômicas.


(5) O que você sabe sobre física que você poderia ensinar a uma criança?

Atualmente, acho que não lembro de nada nesse sentido.


(6) Por que você acha que as pessoas gostam de física?

Particularmente, acho que é porque a física explora questões que despertam a nossa curiosidade, tais como o início do universo, como as coisas funcionam ao nosso redor e tudo mais.


(7) O que você sabe sobre os ganhadores do Prêmio Nobel de física?

Neste ano de 2024, os cientistas John Hopfield e Geoffrey Hinton foram os ganhadores. A dupla levou o Nobel por suas "descobertas e invenções fundamentais que permitem o aprendizado de máquina (machine learning, em inglês) com redes neurais artificiais".


(8) Que pergunta você gostaria de fazer a um físico?

"O que motivou você a se tornar um físico?"


(9) O famoso físico Stephen Hawking disse: Meu objetivo é simples. É uma compreensão completa do universo, por que ele é como é e por que ele existe.” O que você acha disso?

A questão é objetiva, mas como chegar na resposta é algo que está bem fora da minha capacidade cognitiva.


(10) Qual é a maior descoberta da física e qual será a próxima?

A maior descoberta da física é frequentemente considerada a teoria da relatividade de Albert Einstein, em especial a fórmula E=mc^2 e a teoria da relatividade geral, que revolucionaram nosso entendimento sobre a gravidade, o espaço e o tempo. Essas ideias mudaram a física e abriram portas para muitas tecnologias modernas, como a energia nuclear e os sistemas de navegação por satélite (GPS). Quanto à próxima grande descoberta, muitos físicos acreditam que ela virá da unificação da relatividade geral (que explica o macrocosmo, como planetas e galáxias) com a mecânica quântica (que explica o microcosmo, como partículas subatômicas). Essa teoria unificada, frequentemente chamada de "Teoria do Tudo", seria capaz de descrever todos os fenômenos físicos de forma consistente.

domingo, 5 de dezembro de 2021

ESL DISCUSSIONS - UNIVERSO




STUDENT A's QUESTIONS

(1) Que imagens vêm à mente quando você ouve a palavra "universo"?

Planetas, sistema solar, galáxias.


(2) Você está interessado no universo?

O universo me fascina. Pretendo ler mais obras de divulgação científica futuramente, como as do Stephen Hawking, Carl Sagan e afins.


(3) O que você gostaria de saber sobre o universo?

Da existência de outras formas de vida, além das existentes no planeta Terra.


(4) Quais são as leis do universo?

Dentre as principais leis da física que regem o universo, podemos citar: Princípio da Inércia (ou Primeira Lei de Newton), Princípio Fundamental da Dinâmica (ou a Segunda Lei de Newton), Princípio da Ação e Reação (ou Terceira Lei de Newton), Lei da Gravidade, Lei da Conservação de Massa e Energia, Leis da Termodinâmica e Leis da Eletrostática.


(5) Você gostaria de viajar pelo universo?

Assim como no filme Interestellar, seria uma experiência interessante.


(6) Como você acha que a borda do universo se parece?

Não faço ideia.


(7) Qual é a forma e a cor do universo?

Não há uniformidade ou homogeneidade.


(8) Por que sabemos mais sobre o universo do que o cérebro humano?

Não sei se isso é verdade.


(9) Einstein disse: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana; mas não tenho certeza sobre o universo." O que ele quer dizer? Você concorda?

Ele quer dizer que o ser humano não tem escrúpulos, quando uma pessoa quer ser extremamente abominável, ela é capaz de tal coisa. Vemos isso em diversos momentos no decorrer da história. Concordo com ele. Inclusive, utilizei esta citação como base para o meu poema visual DA ESTUPIDEZ HUMANA, que publiquei no meu livro PROTESTIZANDO - Biênio Poético.


(10) Stephen Hawking disse: "Somos apenas uma raça avançada de macacos num planeta pequeno de uma estrela comum. Mas nós conseguimos entender o Universo. Isso faz de nós algo muito especial." Você concorda?

De certa maneira, sim. Pois dentre todos os seres vivos que existem no planeta Terra, nós fomos capazes de desvendar alguns dos mistérios do universo, mesmo cientes de nossa pequenez em relação a ele.


STUDENT B's QUESTIONS

(1) O que é o universo?

O universo diz respeito a tudo que existe, como espaço, tempo e todos os tipos de matéria.


(2) Quem é o centro do seu universo?

Ninguém.


(3) Como o universo começou?

Existem muitas respostas para esta questão, sendo o Big Bang a teoria cosmológica dominante sobre o desenvolvimento inicial do universo.


(4) O que é um universo paralelo? Você acha que outro você mora em um?

Universos paralelos são "mundos" que existem além do universo convencional ao qual estamos inseridos, podendo possuir características espaciais, físicas e temporais bem distintas da nossa.


(5) Você acha que o McDonalds e o Starbucks estarão nas regiões externas do universo um dia?

Não.


(6) Por que os cientistas estão tão interessados ​​em descobrir mais sobre o universo?

Porque isso pode nos dar uma pista sobre como surgimos e o possível destino de todos nós.


(7) Quais são os três adjetivos que você escolheria para descrever o universo?

Imenso, misterioso e interessante.


(8) Você acha que um Big Bang deu início ao nosso universo?

Sou adepto de uma abordagem mais científica, então, acredito que este acontecimento possa ter sido o "pontapé inicial" de tudo.


(9) Aldous Huxley disse: "Há apenas um canto do universo que você pode ter certeza de melhorar, e esse canto é você mesmo." Você concorda?

Concordo. Penso que esta citação possui ideia semelhante à "seja a mudança que você quer ver no mundo".


(10) Dyer disse: "Tudo é perfeito no universo." Você concorda?

Não penso que seja perfeito, mas que existe muita harmonia em alguns aspectos. Por exemplo, os diversos fatores que possibilitam a existência de vida na Terra.

sábado, 2 de março de 2019

O QUE É A FÍSICA QUÂNTICA E O QUE ELA ALTERA EM SUA VIDA?

O que é a física quântica e a mecânica quântica? Quais as influências delas em nossas vidas? Dá pra entendê-las sem entender a matemática por trás?


Física Quântica é atualmente um assunto muito falado. A princípio, poderíamos esperar que tal assunto ocorresse apenas na academia, entre cientistas. No entanto, ele se mostra presente em atividades religiosas e até mesmo em conversas de família. Pessoas que não tem nenhuma formação em Física mostram-se para os outros como entendedores de tal ramo da Física, muitas vezes sem nenhum conhecimento de Cálculo. Até que ponto isto pode ser verdade? Para melhor entendermos isto, conversei com a física Dra. Gabriela Barreto Lemos, que trabalha com óptica quântica e ganhou destaque mundial com um trabalho publicado por ela e sua equipe na revista Nature:


Pedro Pinheiro: O que é a física, física quântica e a mecânica quântica?

Gabriela Barreto Lemos: A física é uma ciência que busca criar e testar modelos (uma história coerente e lógica, contada por conjunto de equações matemáticas) que descrevem e preveem a constituição e o movimento de objetos inanimados, tais como átomos, a luz, carros, árvores, estrelas e a Terra. Cada teoria tem seu escopo, pois ainda não temos um conjunto de equações que se apliquem a todos os fenômenos, desde reações químicas a furacões ou o movimento de galáxias. Cada teoria é capaz de prever resultados de experimentos somente dentro uma determinada escala (dos átomos, das árvores, das estrelas ou das galáxias) e dentro de uma limite de energia e massa. Por exemplo, as equações de Newton, que estudamos na escola, explica e prevê muito bem o movimento de pedras rolando e dos carros. Mas para descrever com precisão o movimento das estrelas, ou construir um GPS, é preciso lançar mão da teoria da relatividade de Einstein. Já esta última não dá bons resultados na previsão do movimento de um átomo. A física quântica é uma teoria desenvolvida ao longo dos últimos 114 anos, que tem tido um sucesso enorme em descrever e prever o que acontece na escala microscópica. Ela procura descrever o movimento de átomos, elétrons, partículas ainda menores e a luz. A mecânica quântica é a parte da física quântica que funciona no limite de baixas energias. Por exemplo, a física quântica engloba tanto o estudo de partículas produzidas em colisões extremamente energéticas nos aceleradores de partículas, quanto a estrutura de átomos e sua interação com a luz. A mecânica quântica funciona para descrever partículas com altas velocidades e partículas geradas em colisões muito energéticas, no entanto funciona melhor para descrever átomos a temperaturas baixas.

P.P.: Ela interfere diretamente em nossas vidas? Como?

G.B.L.: Muito! A física quântica nos levou a uma compreensão sobre todos os átomos que constituem toda a matéria que conhecemos, inclusive nosso corpo e as plantas. Também nos deu muito conhecimento acerca das reações químicas, que por sua vez levou a revoluções na medicina.

Além disso, o conhecimento adquirido com a física quântica nos permitiu construir câmeras digitais, luzes LED que gastam pouca energia, todos os aparelhos portáteis que utilizamos no dia-a-dia (laptops, telefones celulares, tablets, etc), todos os tipos de laser e várias tecnologias, como imagens por ressonância magnética, essenciais hoje no diagnóstico de doenças!

P.P.: O que o famoso físico Richard Feynman quis dizer com sua famosa frase “Se você acha que entendeu alguma coisa sobre mecânica quântica, então é porque você não entendeu nada.”?

G.B.L.: A nossa compreensão dos fenômenos quânticos se caracteriza por um conjunto de fórmulas matemáticas que podemos aplicar na construção de novas tecnologias. Na física, toda teoria é formulada na linguagem da matemática, através de equações. Mesmo que saibamos utilizar e manipular as equações, que é o nosso objetivo principal, é impossível traduzir perfeitamente as equações da física quântica para o português, o inglês, o chinês ou para qualquer língua falada, pois os objetos microscópicos (elétrons, átomos, etc) são absolutamente distintos dos objetos com que lidamos no dia-a-dia (cadeiras, mesas, bicicletas, rodas…). Aliás, nem podemos chamá-los de “objetos”.

Seria como tentar explicar o que é “cor” para uma pessoa privada de sua visão desde o nascimento. Até podemos fazer analogias através do som ou usando elementos táteis, mas não é possível para aquela pessoa realmente compreender o que é cor.

Não somos capazes de imaginar ou “visualizar” os movimentos das partículas quânticas. mesmo que saibamos muito bem quais as equações que regem tais movimentos. Acho que Feynman quer dizer que se você conseguiu imaginar, visualizar, fazer um filme na sua cabeça sobre um fenômeno quântico, esse filme só pode estar incompleto. Só é possível compreender a física quântica através da matemática.

P.P.: Dá para uma pessoa entender a física quântica sem ter estudado toda a matemática por trás?

G.B.L.: Seria muita arrogância supor que nós seres humanos sejamos capazes de entender o universo completamente. Sequer podemos tocá-lo ou vê-lo ou imaginá-lo completamente.

Como eu escrevi acima, é impossível explicar em palavras as equações matemáticas da física quântica. Com o uso de analogias e alegorias é possível construir uma ideia vaga sobre alguns fenômenos quânticos, mas sem a matemática fica impossível realmente “entender” a física quântica.

Para nós físicos, o essencial de uma teoria física é descrever fenômenos a partir de uma formulação matemática coerente e lógica, que nos permita prever estatisticamente os resultados de experimentos novos e que nos permita manipular a natureza para construir tecnologias novas.

P.P.: O que é o entrelaçamento quântico? Por acaso é algum meio de comunicação acima da velocidade da luz ou alguma coisa “mágica”?

A resposta dessa pergunta foi gravada em vídeo e publicada no canal AstroTubers, assista:



terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS - DOUGLAS ADAMS

Existem livros que eu me envergonho um pouco de nunca ter lido, e este é um deles. 

O Guia do Mochileiro das Galáxias compõe a série de livros do Guia Definitivo do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, que estou lendo atualmente. Um prato cheio para pessoas que se interessam por física, astronomia e filosofia. Tudo isso, temperado com uma boa pitada de humor.

Parto agora para O Restaurante no Fim do Universo.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

SCIENTIFIC AMERICAN - GÊNIOS DA CIÊNCIA: ARQUIMEDES, O PIONEIRO DA MATEMÁTICA

Explicar Arquimedes em poucas páginas é uma tarefa difícil. Será preciso considerar o inventor, o defensor de Siracusa, a genialidade de suas técnicas matemáticas e inserir tudo isso no contexto da ciência helenística e das Guerras Púnicas. Mas ainda não basta. A vida de Arquimedes estendeu-se bem além dos 7 anos que passou neste mundo: se sua figura se tornou um mito, sua obra é umas das raízes mais profundas de nossa ciência. Aspectos que também precisamos considerar.

E há outro problema. Arquimedes foi um dos maiores matemáticos de todos os tempos. Era, porém, um matemático grego e, embora a matemática grega seja precursora da nossa, é profundamente diversa daquela que praticamos. Assim, não podemos dar uma ideia de sua obra traduzindo os resultados para nossa linguagem: uma tradução desse tipo transformaria nossa narrativa em um insosso elenco de resultados facilmente dedutíveis mediante o cálculo infinitesimal. Para reconstruir as contribuições de Arquimedes é preciso mergulhar na sua matemática.

Não oferecemos aqui mais do que uma introdução, orientada por algumas escolhas. A discussão da literatura foi reduzida ao mínimo, o que constitui uma limitação considerável, dada a amplitude e o número das interpretações, muitas vezes discordantes. Entre o Arquimedes "tecnólogo" e o "matemático", damos preferência ao segundo. Apesar de célebre, a obra matemática de Arquimedes é quase desconhecida do público e decidimos assim enfatizá-la. Não pudemos tratar detalhadamente de toda a obra matemática: a exposição privilegia os aspectos que melhor ilustram as técnicas demonstrativas de Arquimedes.

Demos espaço também aos problemas de tradição textual. Frequentemente não se dá devida atenção ao fato de que as obras clássicas chegaram a nós mediante complexos processos de transmissão e que o trabalho do filológico é essencial pra interpretar corretamente um texto, ainda mais de natureza científica. A segunda parte é dedicada à história dos textos de Arquimedes e sua influência na Idade Média e no Renascimento. Pareceu-nos importante tentar dar uma ideia de como a redescoberta de Arquimedes foi essencial para o nascimento da matemática e da ciência modernas.

Trata-se de uma introdução. Entretanto, o leitor familiarizado coma a obra poderá se surpreender ao perceber que muitos temas foram tratados de modo pouco ortodoxo (em particular o "método de exaustão"). De fato, tentamos elaborar novos pontos de vista, que contrastam com os tradicionais. Em razão dos limites de espaço, não pudemos desenvolver uma discussão crítica adequada: esperamos que os leitores não se indisponham conosco e que a abordagem proposta estimule o aprofundamento do tema.


domingo, 18 de março de 2018

COMO VEJO O MUNDO - ALBERT EINSTEIN

Alguns excertos desta obra inspiradora, que foi a minha segunda leitura do ano:

"Em compensação, fora ideias que suscitaram meus esforços e me permitiram viver. Chamam-se o bem, a beleza, a verdade. Se não me identifico com outras sensibilidades semelhantes à minha e se não me obstino incansavelmente em perseguir este ideal eternamente inacessível na arte e na ciência, a vida perde todo o sentido para mim. Ora, a humanidade se apaixona por finalidades irrisórias que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo. Desde moço já as desprezava."

"O mistério da vida me causa a mais forte emoção. É o sentimento que suscita a beleza e a verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém não conhece esta sensação ou não pode mais experimentar o espanto ou surpresa, já é um morto-vivo e seus olhos se cegaram."

"A falta de pessoas de gênio nota-se tragicamente no mundo estético. Pintura e música degeneram e os homens são menos sensíveis. Os chefes políticos não existem e os cidadãos fazem pouco caso de sua independência intelectual e da necessidade de um direito moral. As organizações comunitárias democráticas e parlamentares, privadas dos fundamentos de valor, estão decadentes em numerosos países. Então aparecem as ditaduras. São toleradas porque o respeito da pessoa e o senso social estão agonizantes ou já mortos."

"Mas, fazer desaparecer obstáculos não conduz automaticamente ao progresso moral da existência social e individual. Esta ação negativa exige, além disso, uma vontade positiva para a organização moral da vida coletiva. Esta dupla ação, de extrema importância, arrancar as más raízes e implantar a nova moral, constituirá a vida social da humanidade."

"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque ele se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que ele adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida. Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas angústias para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade.

Essas reflexões essenciais, comunicadas à jovem geração graças aos contatos vivos com os professores, de forma alguma se encontram escritas nos manuais. É assim que se expressa e se forma de início toda a cultura. Quando aconselho com ardor ‘as humanidades’, quero recomendar esta cultura viva, e não um saber fossilizado, sobretudo em história e filosofia.

Os excessos do sistema de competição e especialização prematura, sob o falacioso pretexto de eficácia, assassinaram o espírito, impossibilitaram qualquer vida cultural e chegam a suprimir os progressos nas ciências do futuro. É preciso, enfim, tendo em vista a realização de uma educação perfeita, desenvolver o espírito crítico na inteligência do jovem. Ora, a sobrecarga do espírito pelo sistema de notas entrava e necessariamente transforma a pesquisa em superficialidade e falta de cultura. O ensino deveria ser assim: quem o recebe o recolha como dom inestimável, mas nunca como uma obrigação penosa."

"É tarefa essencial do professor despertar a alegria de trabalhar e de conhecer. Caros meninos, como estou feliz por vê-los hoje diante de mim, juventude alegre de um país ensolarado e fecundo.

Pensem que todas as maravilhas, objetos de seus estudos, são a obra de muitas gerações, uma obra coletiva que exige de todos um esforço entusiasta e um labor difícil e impreterível. Tudo isto, nas mãos de vocês, se torna uma herança. Vocês a recebem, respeitam-na, aumentam-na e, mais tarde, irão transmiti-la fielmente à sua descendência. Deste modo somos mortais imortais, porque criamos juntos obras que nos sobrevivem.

Se refletirem seriamente sobre isto, encontrarão um sentido para a vida e para seu progresso. E o julgamento que fizerem sobre os outros homens e as outras épocas será mais verdadeiro."

"Ver com os próprios olhos, sentir e julgar sem sucumbir à fascinação da moda, poder dizer o que se viu, o que se sentiu, com um estilo preciso ou por uma expressão artisticamente modelada, que maravilha. Será preciso ainda felicitá-lo?"

"Neste gênero de conferências, o sucesso não depende da inteligência ou da perícia, mas da honestidade e da confiança. O valor moral não pode ser substituído pelo valor da inteligência e eu acrescentaria: graças a Deus!

O ser humano não pode se contentar com esperar e criticar. Deve lutar por esta causa, tanto quanto puder. O destino da humanidade será o que prepararmos."

"Se há alguma razão para impelir um leigo em questões econômicas a dar corajosamente sua opinião sobre o caráter das dificuldades econômicas angustiantes de nossa época, é certamente a confusão desesperadora dos diagnósticos estabelecidos pelos especialistas. Minha reflexão não é original e apenas representa a convicção de um homem independente e honesto sem preconceitos nacionalistas e sem reflexos de classe que deseja ardente e exclusivamente o bem da humanidade, numa organização mais harmoniosa da existência humana. Escrevo como se estivesse seguro da verdade de minhas afirmações, mas o escrevo simplesmente como a forma mais cômoda da expressão e não como testemunho de excessiva confiança em mim mesmo; ou como convicção da infalibilidade de minhas simples concepções sobre problemas de fato terrivelmente complexos."

"A natureza da concepção judaica da vida se traduz assim: direito à vida para todas as criaturas. A significação da vida do indivíduo consiste em tornar a existência de todos mais bela e mais digna. A vida é sagrada, representa o supremo valor a que se ligam todos os outros valores. A sacralização da vida supra-individual incita a respeitar tudo quanto é espiritual aspecto particularmente significativo da tradição judaica.

O judaísmo não é uma fé. O Deus judeu significa a recusa da superstição e a substituição imaginária para este desaparecimento. Mas é igualmente a tentação de fundar a lei moral sobre o temor, atitude deplorável e ilusória. Creio, no entanto, que a possante tradição moral do povo judeu já se libertou amplamente deste temor. Compreende-se claramente que servir a Deus equivale a servir à vida. Com esta finalidade, as melhores testemunhas do povo judeu, em particular os profetas e Jesus, se bateram incansavelmente.

O judaísmo não é uma religião transcendente. Ocupa-se unicamente da vida que se leva, carnal por assim dizer, e de nada mais. Julgo problemático que possa ser considerado como religião no sentido habitual do termo, tanto mais que não se exige do judeu nenhuma crença, mas antes o respeito pela vida no sentido supra pessoal.

Existe enfim outro valor na tradição judaica, que se revela de modo magnífico em numerosos salmos. Uma espécie de alegria embriagadora, um maravilhar-se diante da beleza e da majestade do mundo exalta o indivíduo, mesmo que o espírito não consiga conceber sua evidência. Este sentimento, onde a verdadeira pesquisa vem haurir sua energia espiritual, lembra o júbilo expresso pelo canto dos pássaros diante do espetáculo da natureza. Aqui se manifesta uma espécie de semelhança com a ideia de Deus, um balbuciar de criança diante da vida.

Tudo isto caracteriza o judaísmo e não se encontra em outra parte sob outros nomes. Com efeito, Deus não existe para o judaísmo, onde o respeito excessivo pela letra esconde a doutrina pura. Contudo considero o judaísmo como um dos simbolismos mais puros e mais vivos da ideia de Deus, sobretudo porque recomenda o princípio do respeito à vida."

"A alegria de contemplar e de compreender, eis a linguagem a que a natureza me incita."

"Contudo, em primeiro lugar, com Schopenhauer, imagino que uma das mais fortes motivações para uma obra artística ou científica consiste na vontade de evasão do cotidiano com seu cruel rigor e monotonia desesperadora, na necessidade de escapar das cadeias dos desejos pessoais eternamente instáveis. Causas que impelem os seres sensíveis a se libertarem da existência pessoal, para procurar o universo da contemplação e da compreensão objetivas. Esta motivação assemelha-se à nostalgia que atrai o morador das cidades para longe de seu ambiente ruidoso e complicado, para as pacíficas paisagens das altas montanhas, onde o olhar vagueia por uma atmosfera calma e pura e se perde em perspectivas repousantes, que parecem ter sido criadas para a eternidade."


quarta-feira, 14 de março de 2018

MORRE STEPHEN HAWKING

Assim como Carl Sagan, Stephen Hawking foi uma grande inspiração para as pessoas buscarem entender as leis que regem nosso universo. Só tenho a agradecer pelo conhecimento legado.

"Ele se foi. Conseguiu viver décadas com uma doença devastadora. Manteve-se produtivo até o fim. O pouco que consigo entender sobre o tempo veio dos livros de divulgação de Stephen Hawking (1942-2018). Foi um homem impressionante pela genialidade e pela força de vida. Galileu negociou com a Inquisicão; Einstein foi pressionado pelo nazismo e Hawking se enfrentou e venceu. Somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos, dizia o duque Próspero de Shakespeare. Nem o corpo paralisado acaba com a mente sonhadora. Missão cumprida, Stephen. Parabéns!"

- Leandro Karnal

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

sábado, 30 de dezembro de 2017

A FASE MENOS CONHECIDA DO CIENTISTA MAIS FAMOSO DO MUNDO

O que alguém faz depois de descrever a natureza do universo pela primeira vez na história?

A equivalência entre a massa e a energia descrita por Einstein mudou a forma com que a ciência interpreta o mundo | Foto: Thinkstock

Nos anos 1920, Albert Einstein já havia criado a teoria quântica e resolvido a da relatividade. Ele então embarcou em sua última grande expedição pelos mistérios mais profundos da física, naquilo que se tornaria a realização incompleta de um sonho: a busca de uma teoria unificada que conectaria todas as forças da natureza em uma única equação mestra.

Esse é o Einstein que mais conhecemos, aquele que buscou resolver os enigmas mais obscuros do mundo.

Mas, ao mesmo tempo, ele tinha trabalhos paralelos.

Um deles era a invenção de um novo tipo de geladeira.

Sim, Einstein também foi um inventor. Esta nunca foi a parte principal de seu trabalho, mas ele a levava a sério.

No entanto, ainda parece um pouco estranho que o homem que nos deu a equação E = mc2 e mudou as noções da ciência sobre o tempo e o espaço tenha decidido criar um eletrodoméstico.


O caminho para a fama

Há um período da vida adulta de Einstein pouco conhecido | Foto: Getty Images

O que aconteceu com Einstein durante sua vida adulta, entre o jovem gênio e o senhor de cabelos brancos e língua de fora que conhecemos nas fotos? Perguntamos a Katy Price, professora da University Queen Mary de Londres, que pesquisou o período de celebridade emergente do físico na década de 1920.

"Nós realmente não pensamos muito sobre como o jovem Einstein se transformou no mais velho, e é nessa fase em que tudo está realmente mudando", diz ela.

"Em todo o mundo, se falava sobre a sensacional nova teoria do Universo. Uma manchete do [jornal] New York Times, por exemplo, dizia: 'Jazz no mundo científico'".

"Na imprensa, descreveram muito a sua aparência: a roupa que ele usava, seus cabelos, seus olhos...: 'Parece um homem afetuoso, é bom com crianças, toca violino'. Era uma tentativa de humanizar a pessoa que nos deu essa teoria matemática intensamente abstrata."

Mas tudo isso contrastava fortemente com o que estava acontecendo na sua Alemanha natal.


Turbulências

Pode-se imaginar que Einstein estivesse desfrutando do sucesso e da fama em seu auge.

Mas, na verdade, esse período de sua vida foi difícil, tanto na ciência como na vida privada e no seu país.

Relacionamento de Einstein com a segunda esposa, Elsa, não era pacífico | Foto: Getty Images

Ele já tinha se casado duas vezes, tinha vários casos amorosos e seu relacionamento com a segunda esposa, Elsa, claramente não era pacífico.

Uma parte da imprensa alemã também não era favorável ao cientista. Eles criticavam suas ideias internacionalistas, acusadas de antipatrióticas. E, desde os anos 1920, essa crítica já estava tingida de antissemitismo.

Em 1933, o jornal nazista Völkische Beobachter atacou abertamente suas teorias científicas por virem de um judeu.

"O exemplo mais importante da influência perigosa dos círculos judeus nos estudos da natureza vem do Sr. Einstein, com suas teorias matematicamente toscas que consistem em algum conhecimento antigo acrescido de incrementos arbitrários."

Einstein chegou a temer por sua vida.

"E com razão", diz Price.

"No New York Times, no meio da cobertura de suas palestras, há notícias de que, em Berlim, um líder antissemita foi multado por tentar organizar um complô para matar Einstein. Então, na verdade, alguns queriam matá-lo e outros queriam matar sua ciência."


Parceria para invenção

Em 1926, Einstein leu uma notícia no jornal sobre uma família que morreu após gases tóxicos escaparem de sua geladeira.

Essa triste história deve ter-lhe comovido, porque ele começou a fazer algo para tentar resolver o problema.

Talvez fosse porque ele queria se distrair; ou pode ter sido um reflexo de sua conhecida sensibilidade.

O fato é que Einstein conhecia uma pessoa que poderia ajudá-lo: um brilhante jovem formado na Universidade de Berlim chamado Leo Szilard.

Szilard era um especialista em termodinâmica, a ciência que descreve como o calor se move - e isso é o que faz uma geladeira funcionar.

E, bem, não se rejeita um pedido de parceira com Einstein, certo?


Um campo eletromagnético para a geladeira

Naquela época, geladeiras não eram muito comuns. Embora mais parecessem uma caixa-forte do que um eletrodoméstico, a princípio elas não eram muito diferentes das atuais.

Elas usam um fluido refrigerante para absorver o calor no interior do aparelho e liberá-lo - o fluido contrai, expande e circula através de um circuito de tubos.

Os refrigerantes, naquele tempo, eram gases tóxicos, com amônia e dióxido de enxofre em sua composição, por exemplo. Eles podiam escapar quanto algumas partes da geladeira, as partes móveis, se desgastavam.

Einstein e Szilard perceberam que os refrigeradores seriam mais seguros se houvesse menos partes móveis.

 Einstein e Szilard desenvolveram um sistema de refrigeração com menos partes móveis

Eles se livraram da parte do circuito que condensava e evaporava o fluido e substituíram-no por uma bomba de compressão que projetaram, sem peças móveis.

Um campo eletromagnético permitia a movimentação do metal líquido - o mercúrio -, que atuava como um pistão para comprimir o gás.


Invenção barulhenta

Em 1927, a divisão de refrigeração da empresa sueca Electrolux comprou um dos pedidos de patente de Einstein e Szilard pelo valor de US$ 10 mil (cerca de R$ 33 mil; em valores atuais). A companhia alemã AEG fez o mesmo.

No entanto, a geladeira tinha seus problemas. Um deles era que a movimentação do mercúrio fazia muito barulho.

Mas, um por um, os problemas foram resolvidos e, em 1932, já havia vários protótipos promissores da geladeira Einstein-Szilard nos laboratórios da AEG.

No entanto, aconteceu uma catástrofe.

A República de Weimar (estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial) já havia atenuado uma hiperinflação insana no país no início da década de 1920, mas agora os efeitos da Grande Depressão de 1929 estavam desestabilizando o governo e os negócios.

Em meio ao caos e à instabilidade que alimentaram a eleição do governo nacional-socialista de Adolf Hitler, a AEG foi forçada a fechar suas pesquisas sobre refrigeração.

E com Einstein e Szilard exilados da Alemanha, os planos para lançar a nova geladeira foram interrompidos.


Quase sete décadas depois...

Embora o refrigerador cocriado por Einstein ainda tivesse o problema de não ter um fluido que não fosse tóxico para os seres humanos e nem para o meio ambiente, existem razões para que o projeto ainda seja atraente.

"O interesse para nós é que ele não tinha partes móveis", diz Malcolm McCulloch, um engenheiro da Universidade de Oxford que em 2008 construiu a engenhoca com base nos projetos dos cientistas.

"Isso é muito útil em lugares remotos onde não há pessoas qualificadas para fazer consertos manualmente. O segundo estímulo que achamos interessante é a possibilidade de usar o calor residual", explica.

"Além disso, uma das grandes vantagens para mim é que ela não precisa de eletricidade."


Outros problemas

É improvável que os dois físicos tenham ficado muito preocupados com o fracasso de sua geladeira. Já em 1932, eles tinham problemas mais importantes com os quais lidar.

Em 1934, Szilard patenteou o processo de reação em cadeia nuclear iniciada por nêutrons, que poderia permitir o uso de energia nuclear para diversos fins. Dois anos depois, em meio à tensão entre os países europeus, ele deu a patente ao almirantado britânico, o antigo responsável pela Marinha Real Britânica, para que ela permanecesse secreta.

Einstein se considerava pacifista, mas bomba atômica acabou entre os legados atribuídos a ele | Foto: Getty Images

Mas em 1938, a fissão nuclear do urânio, reação usada em usinas nucleares e na bomba atômica, foi descoberta na Alemanha.

Em agosto de 1939, um mês antes do início oficial da Segunda Guerra Mundial, Szilard e Einstein assinaram uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, alertando que os alemães poderiam estar construindo uma bomba atômica e pedindo que o país investigasse.

A carta levou ao estabelecimento do Projeto Manhattan e ao lançamento das bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

Hoje em dia são as bombas nucleares, e não as geladeiras, que são consideradas parte do legado de Einstein.

THE HAWKING PARADOX - BBC HORIZON

Series exploring topical scientific issues examines Professor Stephen Hawking's most controversial theory and possibly his greatest mistake. 

For thirty years the most famous scientist in the world defended an extraordinary idea, an idea some claimed would undermine the whole of science. It was called the information paradox and it led one opponent to dub Hawking 'the most stubborn man in the universe'. But finally Hawking had to admit that he'd been wrong all along. Now, as he nears the end of his extraordinary career, Hawking's scientific legacy is being called into question like never before.

For a year Horizon filmed behind the scenes with Hawking as he struggled to finish what many thought was going to be his last scientific paper. If he succeeded he would potentially end his career on a high, confirming his status as one of the great figures in physics. But the odds were against him, as his physical health continued to decline.

This is an extraordinary story of one man's defiance of disability and his peers. It is a story that ranges from the beginning of the universe, which Hawking explored, to the intensive care unit of Addenbrookes, where he was taken and was critically ill for three months. On his hospital bed he had an insight which he hoped would form the basis of his latest comeback.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A IMPORTÂNCIA DO BIG DATA PARA A ASTROFÍSICA

Maik Luiz Paixão
Estudante de Bacharelado em Ciência da Computação pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)

Os mistérios escondidos no céu sempre foram fonte de admiração e curiosidade para as pessoas. Fenômenos ocorridos durante a história vêm sendo datados desde de marcações em pedras, passando pela escrita e documentação em artigos e livros até o enorme repositório de dados em forma de bits existente hoje. Isso se deve muito ao próprio desenvolvimento humano, tendo como principal causa o avanço tecnológico, permitindo a construção de equipamentos modernos para observação do espaço.

Entretanto, à medida que equipamentos modernos são construídos, maior se torna o conjunto de informações obtidas sobre planetas, galáxias, ondas dimensionais e etc., pois a capacidade de extrair dados de objetos espaciais através de suas formas, brilho e radiação é muito maior hoje do que quando Galileu Galilei sonhava sobre seus estudos, sobre o que o céu estava tentando lhe dizer.

A grande quantidade de dados obtidos respalda como entusiasmo e motivação na comunidade científica. Porém, isso se deve apenas ao fato de existir um grande repositório de dados que precisa ser explorado e que cada dia mais dados são adicionados a esse repositório, e esse é o principal problema, pois dados só podem ser utilizados em prol do avanço científico depois de várias análises e reunião das informações. Mas como é possível analisar essa quantidade imensa de dados e traduzi-los em conhecimentos? Para isso o conceito de Big Data, aliado às técnicas e métodos científicos computacionais estão sendo utilizados para o desenvolvimento de algoritmos modernos a fim de resolver o principal empecilho na análise de dados aeroespaciais, o tempo.

Cientistas de vários países desenvolveram softwares especializados em mineração de dados e em várias áreas do conhecimento. Atualmente, existem vários exemplos bem-sucedidos de aplicativos em negócios, medicina, ciência e engenharia. E na astronomia não é diferente, pesquisadores em Machine Learning trabalham em conjunto para desenvolver softwares capazes de analisar dados espaciais e transformá-los em informações e conhecimento.

Um ótimo exemplo é o DAME (Data Mining & Exploration), que é um software totalmente inovador especializado em exploração de grandes quantidades de dados através de métodos de Machine Learning. Ele tem sido usado na Astronomia para: avaliação fotométrica do redshift, classificação de núcleos galácticos ativos, classificação transitória fotométrica em multibandas, etc.

Tecnologias futuras serão capazes de obter enormes quantidade de dados do nosso céu. Mas como disse Melanie Johnston Hollitt, dados não serão convertidos automaticamente em conhecimento. Portanto, a colaboração de astrônomos, astrofísicos, cientistas de computação e de pesquisadores de dados é absolutamente necessária para desenvolver soluções que consigam analisar e processar todos esses dados obtidos, com o objetivo principal de aumentar o nosso saber sobre o céu e tudo que está além dele.

Bibliografia

Astronomy in the Big Data Era. ZHANG , Yanxia, ZHAO, Yongheng.
Big data in astronomy. FEIGELSON, Eric D. ,BABU, G. Jogesh.
From big bang to big data. LUIJTEN, Ronald P. IBM Research.
How Big Data Is Changing Astronomy. ANDERSEN, Ross.
SCIENTIFIC DATA MINING IN ASTRONOMY. BORNE, Kirk D.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

INOXIDÁVEL

é como se
ao redor dela

existisse um
campo magnético

que faz qualquer
tentativa de fuga

se tornar algo
inviável.

principalmente
daqueles

que carregam
no peito

poesia

inoxidável.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ATRAÇÃO

a força gravitacional
do buraco negro

é um mero puxão

perto do teu
poder de atração

sexta-feira, 24 de março de 2017

QUEM É A MULHER QUE EINSTEIN CLASSIFICOU COMO 'GENIAL' E CUJO TEOREMA REVOLUCIONOU A FÍSICA

Emmy Noether foi considerada por Albert Einstein como 'o gênio matemático criativo mais importante que já existiu desde que as mulheres passaram a ter acesso à educação superior'

Quando a alemã Emmy Noether quis estudar matemática, as mulheres ainda eram proibidas de entrar na universidade.

Anos depois, quando conseguiu finalmente autorização para que pudesse dar aulas a estudantes universitários, não recebia salário.

Apesar disso, para Albert Einstein, "Emmy Noether foi o gênio matemático criativo mais importante que já existiu desde que as mulheres passaram a ter acesso à educação superior".

Emmy é considerada a mãe da álgebra moderna, a partir de suas teorias sobre anéis e corpos, mas seu aporte às ciências não se restringe à matemática.

Nazismo obrigou várias mentes brilhantes a deixarem a Alemanha Seu trabalho é fundamental para entender a teoria da relatividade.

Mas tampouco se limita a ela.

Emmy é a chave para compreender todas as teorias da física.

"Ao conhecer a história dela, você se pergunta: 'quais outras contribuições essa gênia matemática teria feito se todas as portas estivessem abertas para ela desde o primeiro dia?', questiona à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Mayly Sánchez, professora de Física da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos.

Pai de Emmy também era acadêmico


Sem salário

Emmy nasceu em 1882. Seu pai, o matemático Max Noether, ensinava na Universidade de Erlangen, na Baviera (Alemanha).

Segundo a direção da universidade, permitir o acesso a estudantes mulheres "acabaria com toda a ordem acadêmica".

No entanto, dois anos depois, em 1903, Emmy foi uma das duas primeiras estudantes autorizadas a ingressar na universidade.

Mas ela não tinha os mesmos direitos que os outros alunos.

Emmy só podia participar das aulas como ouvinte e mesmo assim só se os professores lhe dessem uma autorização expressa.

Mas, quatro a nos depois, ela se formou em Matemática. 

Teoria da Relatividade foi criada por Albert Einstein "Ela passou o ano seguinte estudando na Universidade de Goettingen", conta Michael Lucibella, autor de uma biografia sobre Noether para a Sociedade Americana de Física (APS, na sigla em inglês. "Mas voltou a Erlangen quando a universidade finalmente revogou as restrições contra as estudantes. Em seguida, terminou sua dissertação sobre invariantes para as formas ternárias bi-quadráticas, em 1907", explica.

No entanto, ainda que tenha passado a permitir o ingresso de mulheres, a universidade continuou proibindo-as de ter posições de destaque.

"Emmy ensinou em Erlangen por sete anos sem salário, em algumas ocasiões substituindo seu pai", afirma Lucibella.


'Somos uma universidade, não uma sauna'

Em 1915, o grande matemático alemão David Hilbert decidiu levá-la para a Universidade de Goettingen, mas Emmy não foi bem aceita pelos colegas do departamento de matemática.

"O que pensarão nossos soldados quando retornarem à universidade e souberem que vão aprender de uma mulher?", afirmou na ocasião um professor do departamento.

Ao que Hilbert lhe respondeu: "Não vejo por que o sexo dos professores seja um argumento contra a sua admissão. Somos uma universidade, não uma sauna".

Mesmo assim, Emmy teve de dar aulas usando o nome de Hilbert pelos quatro anos seguintes e sem nenhum salário.

Lucibella explica que Hilbert havia trazido Emmy para trabalhar com ele por seu conhecimento e sua experiência sobre a chamada teoria de invariantes.

Mayly Sánchez explica teorema de Noether a seus alunos nos EUA


Teorema de Noether

Emmy desenvolveu um teorema que é chave para entender a física das partículas na teoria quântica de campos.

Em outras palavras, "para compreender toda a física mais sofisticada", disse à BBC Mundo Manuel Lozana Leyva, professor de Física Atômica e Nuclear da Universidade de Sevilla.

"Quando Einstein viu o trabalho de Emmy sobre as invariantes, escreveu a Hilbert: 'Estou impressionado que essas coisas possam ser entendidas de uma maneira tão geral. A velha guarda de Goettingen deveria aprender com a Senhora Noether", indica a biografia de APS.


'Filhos de Noether'

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, houve alguns avanços nos direitos das mulheres na Alemanha.

"Emmy recebeu um pequeno salário da Universidade de Goettingen em 1923", assinala Lucibella. "No entanto, nunca lhe foi dado o cargo de professora titular".

Naquela ocasião, os alunos de matemática passaram a ser conhecidos como os "meninos de Noether".

Mas, com a ascensão do nazismo na Alemanha, Emmy teve de abandonar a vida acadêmica em seu país devido à entrada em vigor de uma lei que proibiu os judeus de exercerem cargos governamentais ou universitários, lembra Lucibella.

Emmy foi, assim, demitida de Goettingen.

"No começo, passou a receber os alunos em sua casa, mas foi finalmente forçada a abandonar a Alemanha, junto a muitos outros acadêmicos judeus", acrescenta o especialista.

Emmy acabou imigrando para os Estados Unidos, onde continuou a exercer o magistério no Colégio Bryn Mawr de Princeton e no Instituto de Estudos Avançados daquela cidade.

Em 1935, descobriu um tumor na pélvis em um exame de rotina. Foi operada, e apesar de a cirurgia ter sido um sucesso, uma série de complicações a levaram à morte quatro dias depois.

Emmy tinha 53 anos.

Albert Einstein escreveu homenagem a Emmy Noether por ocasião de sua morte


A carta de Albert Einstein em homenagem a Emmy Noether após a morte dela:

"Segundo os matemáticos vivos mais competentes, a senhora Noether foi o gênio matemático criativo mais importante que já existiu desde as mulheres passaram a ter acesso à educação superior.

No campo da álgebra, do qual os matemáticos mais talentosos vêm se ocupando por séculos, ela descobriu métodos que provaram ser de enorme importância no desenvolvimento da geração atual dos jovens matemáticos.

A matemática pura é, à sua maneira, a poesia das ideias lógicas.

Nascida em uma família judia que se destacou pelo amor ao aprendizado, Emmy Noether, que, apesar dos esforços do grande matemático de Goettingen, Hilbert, nunca alcançou a posição acadêmica que merecia em seu próprio país, se cercou, mesmo assim, de um grupo de estudantes e pesquisadores em Goettingen, que viriam a se tornar professores ilustres e pesquisadores.

Seu trabalho abnegado e significativo realizado durante muitos anos foi recompensado pelos novos governantes da Alemanha com uma demissão, o que lhe custou sua renda para manter o seu (estilo de) vida simples e a oportunidade de continuar seus estudos matemáticos.

Seus amigos visionários de ciência neste país (EUA) tiveram a sorte de fazer os acordos necessários com o College Bryn Mawr e a (Universidade de) Princeton para que ela encontrasse nos Estados Unidos, até o dia de sua morte, não apenas os colegas que apreciaram a sua amizade, mas alunos gratos, cujo entusiasmo fez seus últimos anos os mais felizes e talvez os mais frutíferos de toda a sua carreira."

Trechos da carta que Albert Einstein escreveu e enviou ao jornal americano The New York Times. Data: 1º de maio de 1935.