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sábado, 2 de setembro de 2023

ESL DISCUSSIONS - CIRURGIA




STUDENT A's QUESTIONS

(1) O que vem à mente quando você ouve a palavra ‘operação’?

Por experiência própria, algum tipo de fratura.


(2) Você já foi operado?

Sim.


(3) Você gostaria de ver uma operação?

Não tenho muito estômago para estas coisas.


(4) Você preferiria estar consciente ou inconsciente se fosse operado?

Inconsciente.


(5) O que você acha que passa pela cabeça das pessoas na noite anterior a uma operação?

Se tudo dará certo.


(6) Você acha que existem operações isentas de risco?

Não, pois uma simples operação pode desencadear complicações, por exemplo, quando ocorre uma infecção durante o processo de cicatrização, se não houver o cuidado correto.


(7) Você já ouviu alguma história sobre pessoas que receberam operações erradas?

Sim, sobre pessoas que tiveram membros (como o braço) amputados equivocadamente.


(8) Qual seria a operação mais assustadora para você?

No cérebro.


(9) Como você acha que as operações mudaram ao longo das décadas?

Dentre os principais pontos de avanço nesta área, podemos citar a tecnologia médica avançada, como cirurgia minimamente invasiva, a robótica cirúrgica e a imagiologia médica de alta resolução, o que permitiu procedimentos menos invasivos, redução de cicatrizes e tempos de recuperação mais curtos; anestesia avançada, isto é, a anestesia local, regional e geral é usada de forma mais precisa e segura; e cuidados pré e pós-operatório, o que inclui uma avaliação mais completa dos pacientes antes da cirurgia, bem como protocolos de recuperação mais eficazes e acompanhamento de longo prazo.


(10) Você prefere o substantivo ‘operação’ do inglês britânico ou o substantivo ‘cirurgia’ do inglês americano?

Cirurgia. Inclusive, este termo também é mais comum no Brasil.


STUDENT B's QUESTIONS

(1) Você tentaria uma cirurgia estética? Qual parte do seu rosto ou corpo você mudaria?

Não sou vaidoso a este nível.


(2) Qual é a diferença entre cirurgia estética e plástica?

A principal diferença se dá no objetivo principal de cada uma, embora ainda haja certa interseção, isto é, a cirurgia plástica é uma especialidade médica que visa, principalmente, reconstruir, restaurar ou melhorar a função e a aparência de partes do corpo que foram afetadas por lesões, defeitos congênitos ou doenças; por outro lado, cirurgia estética é realizada com o objetivo principal de melhorar a aparência estética de uma pessoa, cujos procedimentos são frequentemente escolhidos por pessoas que desejam melhorar a aparência de uma característica ou retardar os sinais de envelhecimento.


(3) Você acha que a cirurgia no futuro será realizada sem abrir o corpo?

Atualmente, já existem estratégias minimamente invasivas, que utilizam pequenas incisões e instrumentos especializados, como laparoscópios ou robôs cirúrgicos, para realizar cirurgias com menos trauma ao corpo, recuperação mais rápida e menor risco de infecção. No caso de cirurgia “sem abrir o corpo” de fato, existem pesquisas e avanços promissores, como a cirurgia endoscópica e robótica; nesta última, nano robôs podem ser guiados para realizar intervenções dentro do corpo.


(4) Qual seria a sua reação se o seu médico dissesse que você precisaria de uma cirurgia cardíaca ou cerebral aberta?

Choque.


(5) Você acha que a ‘keyhole surgery’ é arrombar uma fechadura ou operar alguém fazendo apenas um pequeno buraco em seu corpo?

O segundo caso. Em outras palavras, são as cirurgias minimamente invasivas.


(6) Quantas cirurgias dentárias você já fez?

Algumas, para remover os sisos.


(7) Se fosse possível, você preferiria fazer a cirurgia em casa?

Não, pois não é um local idealmente esterilizado para procedimentos deste tipo.


(8) Você confiaria em fazer uma cirurgia em outros países?

Sim, mas apenas se o lugar for uma boa referência.


(9) Você permitiria que estudantes médicos fizessem uma cirurgia em você mediante o pagamento de uma taxa?

Não. Porém, tenho a mente aberta para doar meu corpo para a ciência ou órgãos para pessoas necessitadas, caso eu venha a falecer.


(10) Como a cirurgia será diferente daqui a cinquenta anos?

Principalmente, com avanços relacionados ao contexto de invasão mínima, quem sabe, já com a utilização de nano robôs.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

NATURE’S 10: AS DEZ PESSOAS MAIS IMPORTANTES NESTE ANO

GABRIELA GONZALEZ: Espiã da gravidade. Uma física que ajudou a capturar os primeiros sinais diretos da tão procurada ondas gravitacionais. Por Davide Castelvecchi

William Widmer/Redux/eyevine

Um ano atrás, Gabriela Gonzalez estava lutando para conter o maior segredo de sua vida. Dois detectores gigantes nos Estados Unidos tinham pego sinais de ondas gravitacionais (rugas no espaço-tempo) imaginadas por Albert Einstein, mas nunca visto antes diretamente. Foi tarefa de Gonzalez ajudar a liderar mais de 1.000 cientistas em seus cuidadosos esforços para verificar a descoberta antes de anunciá-la ao público.

Notícias como essa não permanecem em segredo por muito tempo, mas a descoberta foi tão importante que a equipe de investigação levou quase cinco meses para analisar os dados dos detectores de dois Interferometer Gravitational-Wave Observatory Laser (LIGO) no estado de Washington e Louisiana. Como porta-voz da Colaboração Científica da LIGO, Gonzalez foi uma das pessoas-chave que coordenou a análise por grupos espalhados pelo mundo, incluindo pesquisadores do interferômetro de Virgo, perto de Pisa, Itália, que agrupa seus dados com LIGO.

O papel de pastorear esse enorme esforço fez uso dos talentos multidimensionais de Gonzalez. A maioria dos físicos sabe logo se será um teórico ou um experimentalista. Mas Gonzalez começou seus estudos de pós-graduação como uma física teórica e só mais tarde mudou para o trabalho experimental, quando ela mostrou aptidão incomum. “Foi a coisa que a configurou como uma cientista de primeira classe”, diz Rainer Weiss, físico do Massachusetts Institute of Technology em Cambridge e um dos fundadores do LIGO.

Ao longo de sua carreira, Gonzalez fez “um pouco de tudo” no LIGO, ela diz. Por um tempo, ela assumiu a tarefa crucial de diagnosticar o desempenho dos interferômetros para ter certeza de que eles alcançaram sensibilidade incomparável – o que agora é suficiente para detectar mudanças de comprimento nos braços de 4 km de comprimento dos interferômetros para dentro de uma parte em 10 21 , mais ou menos equivalente à largura de ADN em comparação com a órbita de Saturn. Ela ajudou a liderar as equipes que analisam os dados. E ela cutucou pesquisadores de onda gravitacional e dezenas de seus colegas em astronomia convencional em pactos de assinatura de cooperação. Juntos, eles procurarão por fenômenos que emitem ondas gravitacionais e eletromagnéticas, no que tem sido chamado a era vindoura da astronomia multimessenger.

Nos meses agitados antes de anunciar a descoberta do LIGO, Gonzalez e seus colegas lutaram para ter certeza de que eles tinham provas de ferro. Eles sabiam que a história não tinha sido amável com aqueles que haviam relatado anteriormente ondas gravitacionais. Mais recentemente, no início de 2015, uma colaboração internacional teve que retirar suas reivindicações de que um telescópio no Pólo Sul havia descoberto sinais indiretos de vibrações há muito tempo procurado.

Para aumentar a pressão sobre a equipe LIGO, rumores de uma descoberta começaram a vazar dentro de uma semana da descoberta inicial, e os repórteres começaram a chamar. Ao longo do longo período de análise, diz Gonzalez, ela nunca tomou uma decisão importante sem consultar os colegas. Mas outros louvam sua liderança. “O que Gaby fez, foi conseguir nos fazer passar por esse período”, diz Weiss.

Gonzalez se baseou na Universidade Estadual de Louisiana em Baton Rouge, perto do interferômetro LIGO em Livingston. Em 2008, ela se tornou a primeira mulher a receber uma cátedra completa em seu departamento. Ela diz que nunca experimentou assédio sexual ou discriminação pura e simples durante sua carreira, mas “eu tive que provar a mim mesmo talvez mais do que outras pessoas”

González disse que após o seu mandato atual como porta-voz da LIGO terminar em março de 2017, ela não correrá de novo. Ela planeja voltar a pesquisar em tempo integral. O campo da ciência que ela ajudou a criar – astronomia de onda gravitacional – acaba de ver o seu amanhecer. “Sempre foi um passeio divertido. E agora é ainda melhor.


DEMIS HASSABIS: Criador de mentes Um desenvolvedor de IA bateu um dos melhores na Go. Em seguida, resolveu problemas globais. Por Elizabeth Gibney

Souvid Datta

Para o veterano gamer, Demis Hassabis, March trouxe o jogo mais difícil de sua vida – e ele não estava sequer jogando. Hassabis teve que assistir de fora a criação de sua equipe, o programa de computador AlphaGo, assumiu Lee Sedol, um campeão de topo no jogo de estratégia Go. O computador ganhou, marcando uma enorme vitória para o campo de inteligência artificial (AI) e outro em uma série de triunfos para Hassabis.

Como co-fundador da DeepMind, a empresa com sede em Londres que desenvolveu AlphaGo, Hassabis foi exaltado e aliviado. “Parecia o nosso moonshot, e foi bem sucedido”, diz ele. Mas a vitória foi muito mais para Go. Hassabis queria mostrar ao mundo o poder das técnicas de aprendizado mecânico, que ele espera um dia aproveitar de uma IA humana, semelhante a uma AI capaz de resolver problemas globais complexos.

Hassabis havia esboçado essa visão como uma juventude precoce. Um prodígio de xadrez, ele começou a projetar jogos de vídeo inovadores e multimilionários enquanto estava na adolescência e começou sua própria empresa aos 20 anos. Depois de completar um doutorado em neurociência cognitiva, ele fundou a DeepMind em 2010. O Google comprou a empresa 4 anos depois por 400 milhões de libras (mais de US $ 650 milhões na época).

Na empresa, os pesquisadores aplicam inspiração da neurociência para tarefas AI atraentes, de sintetização de voz para navegar no metrô de Londres . Cada algoritmo constrói complexidade até o final, diz Hassabis, e tece capacidades que historicamente foram desenvolvidas separadamente em AI. DeepMind AIs passaram de aprender a ver e agir sobre essa visão, usando para planejar e raciocinar. Em termos de resolução de problemas do mundo real, a equipe usou o aprendizado de máquina para cortar o uso de energia nos centros de dados do Google em 15%, algo que Hassabis espera aplicar em uma escala muito maior.

Embora os pesquisadores da empresa andam sempre publicando, seu trabalho em andamento é mantido em segredo, o que irrita alguns acadêmicos. E alguns defensores da privacidade de dados têm preocupações sobre os planos do Google DeepMind para colaborar com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido. Os cientistas, no entanto, foram migrando para trabalhar na empresa.

No pessoal, Hassabis é despretensioso, mas ansioso. Ele tem uma habilidade para influenciar outros para sua paixão, diz Eleanor Maguire, seu ex-PhD supervisor no University College de Londres. “Uma vez que ele começa a falar sobre algo que ele está interessado, é infeccioso”, diz ela. Ajustar a pesquisa e administrar a empresa agora significa economizar a ciência para as pequenas horas da manhã, algo que Hassabis diz que não se importa. “É uma missão muito importante que estamos desenvolvendo, e eu acho que vale a pena o sacrifício.”


TERRY HUGHES: Sentinela de Recife Um pesquisador de coral soou o alarme sobre o branqueamento maciço na Grande Barreira de Corais. Por Daniel Cressey

Andrew Rankin for Nature

Quando Terry Hughes voou sobre a Grande Barreira de Corais em março, seu coração se afundou ao ver manchas pálidas reveladoras logo abaixo da superfície, onde os corais estavam mortos ou morrendo.

Hughes, diretor do Australian Research Council (ARC) do Centro de Excelência para Estudos Coral Reef em Townsville, diz que ele e seus alunos choraram depois de olhar para os levantamentos aéreos dos danos. O clareamento atingiu quase todo o recife, com pesquisas iniciais mostrando que 81% da seção norte sofre severamente. Foi o branqueamento mais devastador já registrado na Grande Barreira de Coral – e parte de um evento mais amplo, que estava prejudicando os corais em todo o Pacífico.

O gatilho para problemas de coral deste ano no Pacífico foi um forte padrão de aquecimento El Niño na parte tropical desse oceano. Temperaturas anormalmente altas da água levam os corais a expulsar as algas zooxanthellae simbióticas que lhes proporcionam grande parte de seu alimento – e sua cor. Alguns corais podem recuperar após o branqueamento, mas outros morrem. Estudos de acompanhamento em outubro e novembro descobriram que 67% dos corais de águas rasas na seção norte de 700 quilômetros da Grande Barreira de Coral haviam morrido.

Quando o enorme El Niño se criou no Pacífico em 2015, pesquisadores australianos temiam que os recifes do país pudessem estar em perigo. Então, Hughes, um dos principais pesquisadores de coral do mundo, montou uma força-tarefa pronta para examinar o recife se o clareamento ocorresse. O grupo eventualmente expandiu-se para 300 cientistas. “Nós elaboramos um plano de pesquisa muito detalhado, esperando, é claro, que isso não aconteceria”, diz ele.

Hughes se estabeleceu perto da porção central da Grande Barreira de Corais. Depois de liderar as pesquisas iniciais, tornou-se o porta-voz de fato na catástrofe. No auge do interesse da mídia no branqueamento, Hughes fez 35 entrevistas em um dia.

A crise no recife desafiou algumas regras. Pensamento convencional sobre o evento de branqueamento, diz Hughes, é que os corais morrem lentamente de fome após a sua zooxanthellae sair. Mas este ano, as temperaturas da água eram tão altas que “vimos um monte de corais morrer antes da fome chegar. Eles realmente foram cozidos.”

Corais em todo o mundo têm lutado muito nos últimos dois anos, pois as temperaturas globais atingiram recordes repetidamente. Em outubro de 2015, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos declarou que um evento global de clareamento estava acontecendo à medida que os recifes de coral no Havaí, Papua Nova Guiné e Maldivas, começaram a sucumbir.

Este ano, o branqueamento se espalhou pela Austrália, Japão e outras partes do Pacífico. Os pesquisadores dizem que, à medida que a mudança climática aumenta as temperaturas na linha de base, o branqueamento afligirá mais os recifes. Sob alguns cenários, isso pode acontecer com tanta frequência que a maioria dos corais não podem mais sobreviver.

Hughes ainda não está pronto para desistir da Grande Barreira de Corais. Mas o recente branqueamento deixou corais em um estado enfraquecido, propenso a ataques de patógenos e predadores. Outro evento de branqueamento no futuro próximo poderia trazer mais danos. “A mensagem para as pessoas”, diz ele, “deve ser que temos uma oportunidade de fechamento para lidar com a mudança climática”.


GUUS VELDERS: Refrigeração Um químico atmosférico lançou as bases para um acordo climático internacional. Por Jeff Tollefson

Bea Blauwendraat

Não é tão frequente que os químicos atmosféricos conseguem ajudar a salvar o mundo, mas Guus Velders teve sua chance em outubro. Ele estava participando de negociações internacionais em Kigali, no Ruanda, que estavam buscando eliminar a produção e uso de hidrofluorocarbonetos (HFCs), gases de efeito estufa extremamente potentes comumente usados ​​em condicionadores de ar.

A maioria das nações tinha concordado em um cronograma agressivo para começar a eliminar os compostos, mas a Índia e um punhado de outros países queriam um extra de quatro anos. Depois de conectar os números em um modelo em seu computador portátil, Velders informou os negociadores que esta concessão particular teria pouco impacto sobre o planeta.

Isso e seu trabalho anterior ajudou a suavizar o caminho para um acordo global amplamente saudado , que foi assinado em 15 de Outubro. Velders, pesquisador do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente de Bilthoven, nos Países Baixos, está orgulhoso do papel que desempenhou. “Eu nunca estive envolvido em um processo que leva a um acordo global sobre o clima antes”, diz ele.

Não foi coincidência, no entanto. Colegas dizem que Velders se tornou o especialista mundial em emissões de HFC, e que ninguém poderia ter fornecido uma análise tão rápida em Kigali. Ele é parte de uma comunidade de cientistas que ajudaram a remodelar o Protocolo de Montreal 1987 – um acordo internacional destinado a proteger a camada de ozono da estratosfera – em uma ferramenta para combater o aquecimento global .

Os refrigeradores que estão dentro do escopo do protocolo também são poderosos gases de efeito estufa, e a equipe de Velders mostrou que o acordo de Montreal realmente fez mais para controlar as temperaturas globais do que o tratado de Kyoto de 1997 sobre o clima. Mais recentemente, a equipe projetou o quanto os HFCs de aquecimento provavelmente causariam ao longo do século XXI. Isso ajudou a preparar o terreno para o acordo sobre HFC, que foi alcançado como uma emenda ao Protocolo de Montreal.

“A equipe da Velders sempre respondeu às perguntas certas no momento certo”, diz Durwood Zaelke, presidente do Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável, um grupo de defesa em Washington DC. “É seguro dizer que não teríamos esse acordo sem eles.”

Agora está de volta à prancheta para a equipe de Velders. Seu cenário sobre como as emissões de HFC iria crescer ao longo do tempo tornou-se obsoleto pelo novo acordo para proibi-los. Esse é o tipo de retrocesso intelectual que Velders aceita cordialmente.


CELINA M. TURCHI: Detetive da Zika Uma médica correu para dar sentido a um mistério médico no nordeste do Brasil. Por Declan Butler

Ale Ruaro

O medo do vírus Zika espalhou-se por todo o globo em 2016 e o epicentro de preocupação foi o Brasil, onde a epidemia apareceu pela primeira vez nas Américas. Alguns pesquisadores até apelaram para adiar os Jogos Olímpicos programado para o Rio de Janeiro em agosto desse ano. Mas longe do frenesi midiático, Celina Maria Turchi Martelli lutou na linha de frente no nordeste do Brasil para dar sentido ao mistério médico por lá.

Turchi, especialista médica e infecciosa da doença, teve sua vida virada de cabeça para baixo por Zika desde setembro de 2015. Foi quando o Ministério da Saúde pediu-lhe para investigar um forte aumento nos relatos de bebês nascidos com anormalmente pequenas cabeças e cérebros, uma condição conhecida como microcefalia, em seu estado natal em Pernambuco. Ela rapidamente se convenceu de que o país estava enfrentando uma emergência de saúde pública. “Nem mesmo no meu pior pesadelo como epidemiologista eu tinha imaginado uma epidemia de recém-nascidos com microcefalia”, diz ela.

Turchi, que estava sediada no Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, em Recife, imediatamente contactou cientistas de todo o mundo para obter ajuda. Ela formou uma força-tarefa em rede de epidemiologistas, especialistas em doenças infecciosas, pediatras, neurologistas e biólogos reprodutivos. Os desafios eram formidáveis, diz Turchi: não houve testes de laboratório confiáveis para Zika, e não havia nenhum consenso sobre uma definição no caso de microcefalia . Mas a rede intensa deu frutos, e Turchi e seus colegas eventualmente geraram evidências suficientes para demonstrar uma ligação entre a condição e a infecção com Zika no primeiro trimestre da gravidez.

Ainda assim, os mistérios estão longe de serem resolvidos, diz Turchi. Embora Zika tenha se espalhado pelas Américas, a esperada explosão no número de casos de microcefalia fora do Nordeste do Brasil não se materializou. Turchi e sua força-tarefa estão agora tentando descobrir o porquê. Quando começou a ir aos hospitais do Recife para investigar o surto, diz Turchi, ela teve que inovar. “Não havia nenhum livro a seguir.” Agora, ela e seus colegas estão escrevendo esse livro.


ALEXANDRA ELBAKYAN: Pirata de artigo A fundadora de um hub ilegal para artigos pagos tem atraído litígios e aclamação. Por Richard Van Noorden

Apneet Jolly/flickr/CC BY 2.0

Alexandra Elbakyan levou apenas alguns anos para ir de estudante de tecnologia da informação à famosa fugitiva.

Em 2009, quando ela era uma estudante de pós-graduação trabalhando em seu projeto de pesquisa de final de ano em Almaty, Cazaquistão, Elbakyan ficou frustrado por ser incapaz de ler muitos jornais acadêmicos, porque ela não podia pagar. Então ela aprendeu a contornar os paywalls dos editores.

Suas habilidades transformaram logo em demanda. Elbakyan viu os cientistas em fóruns web pedindo papéis que não podiam acessar – e ela estava feliz em ajudar. “Eu fui agradecido muitas vezes por enviar papéis pagos”, diz ela. Em 2011, ela decidiu automatizar o processo e fundou Sci-Hub, um site pirata que pega cópias de documentos de pesquisa de trás do paywalls e servi-los a quem pede.

Este ano, o interesse pela Sci-Hub explodiu à medida que os principais meios de comunicação se aproximavam e o uso disparava. De acordo com dados de Elbakyan, o site agora hospeda cerca de 60 milhões de papéis e é provável que sirva mais de 75 milhões de downloads em 2016 – contra 42 milhões no ano passado e, segundo estimativa, cerca de 3% de todos os downloads de editores de ciência em todo o mundo.

É violação de direitos autorais em grande escala – e trouxe Elbakyan elogios, críticas e um processo. Poucas pessoas suportam o fato de que ela agiu ilegalmente, mas muitos vêem Sci-Hub como o avanço da causa do movimento de acesso aberto, que afirma que os papéis devem ser feitos (legalmente) livres para ler e reutilizar. “O que ela fez é nada menos que impressionante”, diz Michael Eisen, um biólogo e apoiador de acesso aberto na Universidade da Califórnia, em Berkeley. “A falta de acesso à literatura científica é uma grande injustiça, e ela o corrigiu de uma só vez.”

Para os primeiros anos de sua existência, o site voou sob o radar – mas, eventualmente, cresceu muito para os editores de assinatura a ignorar. Em 2015, a empresa holandesa Elsevier, apoiado pela indústria editorial mais amplo, trouxe um processo nos EUA contra Elbakyan com base na violação de direitos autorais e pirataria. Se Elbakyan perde, ela corre o risco de pagar muitos milhões de dólares em danos e, potencialmente, passar tempo na cadeia. (Por essa razão, Elbakyan não revela seu local atual e ela foi entrevistada para este artigo por e-mail criptografado e mensagens.) Em 2015, um juiz dos EUA ordenou a Sci-Hub para ser fechado, mas o site surgiu em outros Domínios. É mais popular na China, Índia e Irã, ela diz, mas um bom 5% ou mais de seus usuários vêm dos Estados Unidos.

Tanto críticos como simpatizantes pensam que o site terá um impacto duradouro, mesmo se não durar. “O futuro é o acesso aberto e universal”, diz Heather Piwowar, co-fundadora da Impactstory, uma empresa sem fins lucrativos incorporada em Carrboro, Carolina do Norte, que ajuda os cientistas a acompanhar o impacto da sua produção online. “Mas nós suspeitamos e esperamos que a Sci-Hub esteja enchendo as editoras de acesso de pedágio com pânico existencial. Porque em muitos casos isso é a única coisa que vai fazer com que eles realmente façam a coisa certa e mudem para modelos de acesso aberto. “

Se é verdade ou não, Elbakyan diz que continuará construindo Sci-Hub – em particular, para expandir seu corpus de manuscritos mais antigos – enquanto estuda para um mestrado na história da ciência. “Eu mesmo mantenho o site, mas se eu for impedida, alguém pode assumir o cargo”, diz ela.


JOHN ZHANG: Rebelião da fertilidade Um médico iniciou o debate sobre um procedimento controverso de IVF. Por Sara Reardon

New Hope Fertility Center

Choque, raiva, ceticismo e parabéns. Essas foram algumas das reações que especialista em fertilidade John Zhang desencadeou na comunidade científica em setembro, quando ele anunciou que a controversa técnica que mistura o DNA de três pessoas tinham sido utilizados para produzir um bebé saudável.

Este tipo de técnica destina-se a evitar que as crianças herdam distúrbios envolvendo mitocôndrias – as estruturas celulares que produzem energia. Mas preocupações de ordem ética e de segurança levaram os Estados Unidos a proibir tais procedimentos sem autorização. Zhang, que trabalha no New Hope Fertility Center, em Nova York, realizou a técnica na clínica da empresa no México.

Os críticos viam isso como uma tentativa de evadir a regulamentação, e reclamaram que ele havia anunciado o trabalho em uma conferência e não em uma publicação. Mas Zhang deixa de lado essas objeções. “O mais importante é ter um bebê nascido vivo, não dizer ao mundo inteiro”, diz ele.

Zhang tem o hábito de empurrar limites científicos e éticos. Na década de 1990, ele trabalhou com endocrinologista reprodutivo Jamie Grifo no Centro Médico Langone da Universidade de Nova York para desenvolver uma versão da técnica que Zhang usou este ano. A abordagem foi concebido para ajudar as mulheres mais velhas a engravidar, substituindo o seu envelhecimento mitocondriais com aqueles de ovos mais jovens. Não resultou uma gestação bem sucedida.

Quando os reguladores norte-americanos começaram a restringir essa técnica em 2001, Zhang e seus colaboradores na China assumiram o trabalho. Em 2003, a equipe de Zhang criou e implantou vários embriões em uma mulher. Depois de todos os fetos foram abortados, a China proibiu a técnica também.

Grifo e outros aplaudem o último trabalho de Zhang. “Eu acho que é uma grande coisa que finalmente foi feito”, diz Grifo. Mas outros criticaram a equipe de New Hope . “Muitas coisas que eles fizeram eram completamente inseguras”, como a infusão do ovo do doador com uma droga que poderia causar anormalidades cromossômicas, diz Shoukhrat Mitalipov, cientista de células-tronco da Oregon Health & Science University, em Portland.

Zhang não se deixa intimidar. Ele diz que muitas outras famílias em risco de doenças mitocondriais manifestaram interesse em seu procedimento, e ele espera realizá-lo em outros países. “De cinco a dez anos a partir de hoje, as pessoas olharão e dirão: ‘Por que éramos todos tão estúpidos, por que estávamos contra isso?'”, Diz ele. “Eu acho que você tem que mostrar o benefício para a humanidade.”


KEVIN ESVELT: Aviso de CRISPR. Um biólogo iniciante que colocou a ética de condução genética antes de experimentos. Por Heidi Ledford

MIT Media Lab

Foi uma viagem para as Ilhas Galápagos com a idade de dez anos que primeiro aguçou o apetite de Kevin Esvelt para mexer com a evolução. Como ele ficou maravilhado com as iguanas, aves e diversidade do lugar que tinha inspirado Charles Darwin, Esvelt prometeu entender a evolução – e melhorá-la. “Eu queria saber mais sobre como essas criaturas vieram a ser”, diz ele. “E, francamente, eu queria fazer mais coisas umas minhas.”

Hoje, Esvelt ainda é um biólogo precoce. Menos de um ano depois de lançar seu laboratório no Massachusetts Institute of Technology Media Lab em Cambridge, ele já fez um nome para si mesmo como um dos pioneiros de uma técnica controversa chamada de unidade genética. Seu método aproveita edição gene CRISPR-Cas9 para contornar evolução, forçando um gene de se espalhar rapidamente através de uma população. Pode ser usado para acabar com doenças transmitidas por mosquitos, como a malária ou erradicar espécies invasoras. Mas também poderia desencadear reações em cadeia ecológicos não intencionais , ou ser usado para criar uma arma biológica.

A idéia do gene CRISPR atinge Esvelt quando ele estava mexendo com a enzima Cas9 em 2013. “Eu tive um dia de alegria absoluta e extática: isso é o que vai nos livrar da malária”, diz Esvelt. “E então eu pensei, ‘Espere um minuto.'”

Seguindo esse pensamento, Esvelt tem trabalhado para garantir que a ética venha antes que a experiência. Ele primeiro soou o alarme em 2014, chamando para a discussão pública sobre unidades de genes antes mesmo que ele havia demonstrado que uma unidade gene CRISPR-Cas9 poderia trabalhar (KA Oye et al . Ciência 345, 626-628 (2014) ; KM Esvelt et al . eLife 3, e03401; 2014). Desde então, ele e seus colegas mostraram como as unidades de genes pode ser feita mais segura, e como eles poderiam ser revertida (JE DiCarlo et al . Nature Biotechnol. 33, 1250-1255; 2015).

Este ano, sua defesa começou a dar frutos. Pesquisadores e formuladores de políticas em todo o mundo têm vindo a discutir a tecnologia, e um relatório de os EUA National Academies of Sciences, Engenharia e Medicina pediu que a investigação gene-drive prosseguir, mas com cautela . Omar Akbari, que estuda unidades genéticas na Universidade da Califórnia, Riverside, acredita que o alcance de Esvelt tem focado a atenção do público – e atraído financiamento – para uma tecnologia nascente no momento certo. “Eu atribuo isso a Kevin”, diz Akbari. “É difícil para um cientista fazer o que ele fez.”


GUILLEM ANGLADA-ESCUDÉ: Caçador de planetas. Um astrônomo detectou o planeta mais próximo conhecido fora do Sistema Solar. Por Alexandra Witze

Brian David Stevens for Nature

Guillem Anglada-Escudé não foi surpreendido cedo este ano quando a evidência de um mundo estrangeiro ondulou através de sua tela de computador. Ele tinha quase certeza de que um planeta do tamanho da Terra orbitava Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol a apenas 1,3 parsecs (4,2 anos-luz) de distância.

Para Anglada, astrônomo da Universidade Queen Mary de Londres, a descoberta veio como mais um alívio do que um choque. Ele e seus colegas haviam trabalhado febrilmente para apostar sua reivindicação no mundo competitivo da caça ao planeta, e o encontrou confirmado que estavam no caminho certo. “Nós conseguimos”, diz ele.

Para o resto do mundo, a descoberta do exoplaneta conhecido mais próximo à Terra alimentou a imaginação do público. Levantava questões sobre se a vida poderia existir no nosso quintal cósmico e se os astrônomos poderiam detectá-lo.

Estes são os tipos da pergunta que começaram aparecer a Anglada na caça do planeta no primeiro lugar. Um fã de ficção científica enquanto crescia perto de Barcelona, ​​Espanha, ele começou seu começo astronômico fazendo simulações de dados para Gaia, uma missão da Agência Espacial Europeia para mapear 1 bilhão de estrelas. Mais tarde, ele transformou seus dados-crunching habilidades para exoplanetas. Ele desenvolveu um método para extrair sinais planetários fracos a partir de dados recolhidos pelo principal instrumento terrestre mundial de busca de planetas, o Pesquisador de Planetas de Velocidade Radial de Alta Precisão (HARPS) no European Southern Observatory em La Silla, Chile.

“Guillem tem um talento natural de ver o quadro geral onde os outros vêem detalhes”, diz Mikko Tuomi, um astrônomo da Universidade de Hertfordshire em Hatfield, no Reino Unido, e um colaborador da Anglada.

Mas Anglada logo correu diretamente para o alto drama acadêmico, lutando com outros pesquisadores sobre quem mereceu crédito por descobrir um planeta maior que a Terra e menor que Netuno orbitando a estrela Gliese 667C. “Eu poderia ter deixado o campo e feito outra coisa”, diz ele. “Mas tomei a decisão de seguir muito agressivamente.”

Ele mergulhou em dados HARPS, publicando artigo após artigo sobre os sinais planetários que descobriu em meio ao ruído de fundo nos dados. E então, como se para empurrar para trás em todo o segredo e competição, Anglada lançou uma caça muito pública para um planeta orbitando Proxima.

Ele montou uma equipe e obteve o tempo de observação em HARPS, bem como outros telescópios que poderiam verificar se alguma evidência promissora que eles encontraram foi causada por atividade estelar, que pode imitar os sinais de um planeta (um problema que assola muitos exoplanetas). Os pesquisadores colocaram quase todos os seus detalhes em um site de divulgação e contas de mídia social. Ser tão transparente “não parecia perigoso em tudo”, diz Anglada. “Tínhamos a sensação de que ninguém mais faria isso.”

Em poucos dias, eles confirmaram que o planeta estava lá; Dentro de semanas, eles submeteram um manuscrito que detalha sua descoberta. O planeta, chamado Proxima b, é pelo menos 1,3 vezes a massa da Terra e orbita Proxima a cada 11,2 dias.

Embora esteja perto de sua estrela, o mundo está dentro da “zona habitável”, onde a água líquida poderia existir em sua superfície. Isso faz com que não apenas o mais conhecido exoplaneta dos mais de 3.500 confirmados até agora, mas também um lugar onde a vida de outro mundo poderia prosperar – um bônus duplo para os pesquisadores e fãs de ficção científica.

Pouco antes do documento foi publicado na Nature em agosto (G. Anglada-Escudé et al . Nature 536, 437-440; 2016), Anglada por e-mail britânica sci-fi escritor Stephen Baxter, autor do romance ‘Próxima’ (Gollancz de 2013). Correspondiam sobre o que a vida poderia ser como um mundo com um hemisfério permanentemente voltado para uma estrela em chamas, como acontece na Proxima.

As pessoas poderiam eventualmente obter um close-up olhando Proxima b. A iniciativa Breakthrough Starshot visa enviar frotas de minúsculas espaçonaves movidas a laser para uma estrela próxima, e pode ser alvo da Proxima como sua opção mais próxima e melhor.

O próximo passo de Anglada é ver se Proxima b transita ou passa pela face de sua estrela vista da Terra. As chances são baixas, mas se o fizer, então muito mais ciência pode ser recolhida quando a luz de Proxima passar através da atmosfera do planeta, se tiver um.

E se o trânsito não acontecer? Então Anglada pode estar fora, para provocar algum outro sinal de outro mundo.


ELENA LONG: Perseguidora da diversidade. Uma física transgênero abriu caminho para uma maior aceitação de grupos minoritários. Por Elizabeth Gibney

Kandice Carter

Os físicos podem estar abertos a ver o mundo de novas maneiras, mas eles precisam ver os dados primeiro. Isso representou um problema para Elena Long, uma física nuclear que lutou por seu campo para ser mais inclusiva de pessoas de minorias sexuais e de gênero. “Nós não tínhamos nenhum dado, porque as pessoas consideravam muito ofensivo perguntar se existimos. Foi um catch-22. “Long foi uma das arquitetas de um primeiro de seu tipo de pesquisa executado pela Sociedade Americana de Física (APS), mapeando as experiências dos físicos que são gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros a partir de sua sexualidade ou de gênero (LGBT).

As descobertas, apresentadas a uma sala lotada na reunião da APS de março deste ano, foram duras. Dos 324 cientistas que responderam, mais de um em cada cinco relatou ter sido excluído, intimidado ou assediado no trabalho no ano anterior. Os físicos trans-gêneros relataram a maior incidência de discriminação. Long, que é transexual, não se surpreendeu. Em 2009, ela começou a trabalhar para o seu PhD na Thomas Jefferson National Accelerator Facility em Newport News, Virgínia, que carecia de proteção de emprego trans-inclusiva e benefícios de cuidados de saúde. Ela se sentia isolada sem redes de apoio LGBT. “Adorei o trabalho que estava fazendo e adorei a pesquisa. Mas foi difícil “, diz ela.

Então, ela fundou a LGBT + Físicos grupo de apoio e começou a empurrar para um maior reconhecimento na APS, o que eventualmente criou uma comissão para recolher dados sobre a discriminação LGBT. Muitos físicos, diz ela, não conseguiam nem entender a necessidade de tal estudo. Graças a Longo e seus colegas, a física está emergindo como algo exemplar na sua abordagem a estas questões, diz Samuel Brinton, um membro do conselho de administração da sociedade fora da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática . “Estamos literalmente usando seu trabalho para iniciar mudanças para melhor em vários campos”, diz ele. A APS aceitou as recomendações feitas no relatório de março. E em agosto, uma grande divisão APS votou para mover sua reunião 2018 de Charlotte, Carolina do Norte , em resposta a uma lei estadual que obriga as pessoas a usar banheiros públicos que correspondam ao gênero que foram atribuídos no nascimento.

Enquanto isso, Long ganhou dois prêmios de jovens cientistas oferecidos por seu laboratório e tornou-se co-líder em duas novas experiências com aceleradores. “Conheço muitos pós-doutores que fizeram trabalho voluntário e geralmente compromete sua ciência”, diz Karl Slifer, supervisor pós-doutorado de Long na Universidade de New Hampshire em Durham. “Eu nunca vi isso em Elena.” (Long atribui sua estrita gestão do tempo a um programa de computador que ela desenhou a cada hora do dia.)

Agora, Long está ajudando a criar um grupo de membros da APS focado na diversidade e na inclusão, que ela espera facilitar o florescimento de cientistas de outros grupos minoritários. “Tenho certeza de que há outras pessoas enfrentando problemas no campo que eu nunca pensei”, diz ela. “Eu não quero que eles esperem sete anos para chegar a um lugar onde eles podem ter uma voz.”

Tradução de Rafael Coimbra. Artigo original Nature’s 10.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O PROFESSOR DE ANATOMIA QUE PROMETE 'VIDA APÓS A VIDA' NA BUSCA POR DOAÇÃO DE CORPOS

Nunca tinha pensado sobre isso. Já tinha em mente a ideia de cremação, doação de órgãos e tal, mas esta notícia abriu minha mente para novas reflexões...

* * *

Professor Humberto Alves, da Faculdade de Medicina da UFMG, coordena programa que estimula doação de corpos para atividades de ensino

Se doar meu corpo, não haverá velório? Aceitando a doação, corro risco de acelerarem minha morte?

Perguntas como essas surgem em uma roda de conversa entre um professor de anatomia e quatro mulheres. O assunto: a doação do corpo após a morte. 

Todos estão sentados em poltronas confortáveis em um ambiente espaçoso: a sala de reuniões especiais da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Na parede, quadros em homenagem aos professores eméritos da instituição. O cenário é considerado um dos mais nobres do prédio e não foi escolhido por acaso.

O tema fúnebre não deixa o clima pesado. O que se vê é um bate-papo descontraído, em meio a risos e muita curiosidade das mulheres decididas a doar seus corpos à Medicina.

Quem está ali para escutá-las é o professor de anatomia da UFMG Humberto Alves. Há 16 anos, ele se dedica a obter corpos para o ensino da anatomia, dando esclarecimentos a quem opta por um fim diferente do cemitério ou do crematório.

Alves em entrevista com potenciais doadoras de corpos: cerca de 580 pessoas ouvidas em 16 anos

Se hoje as entrevistas são leves, no início eram sérias e metódicas. Com a prática, o anatomista ficou mais seguro para prolongar a conversa, passando a se aprofundar nas razões para a doação e nas histórias das pessoas.

"A aproximação com o doador é fundamental. O simples preenchimento de um formulário online, como acontece nos Estados Unidos, não é suficiente", defende o professor.


Formação

Nascido na cidade histórica de Ouro Preto (MG) e com formação católica, Alves foi para a capital mineira estudar medicina nos anos 1970. Durante a graduação, interessou-se pelo estudo do corpo humano - fez treinamento em cirurgia e foi monitor de anatomia.

O contato com outros estudantes, detalhando a eles as estruturas do corpo, contribuiu para que o jovem optasse pela carreira acadêmica. 

Também pesou na escolha a convivência com um professor que valorizava a anatomia nas artes plásticas e o trabalho de nomes como Leonardo Da Vinci e Michelangelo. "Isso fez com que eu admirasse a forma de uma maneira geral, não apenas a anatomia humana", conta.

Aos 28 anos, Alves tornou-se professor de anatomia da UFMG. Hoje, aos 62, já são 34 anos de docência. Desde 2000, faz parte do Vida Após a Vida, programa de doação de corpos da Faculdade de Medicina da UFMG.

Humberto Alves em laboratório de anatomia: interesse pelo corpo humano e 34 anos de docência

Em 1999, uma senhora procurou a universidade para doar o corpo, com registro em cartório desse último desejo. O diretor da faculdade à época, Geraldo Brasileiro, concluiu que outras pessoas poderiam ter o mesmo interesse e criou o projeto, pioneiro no Brasil.

No início, eram oito professores, dos quais só restou Alves. Atualmente, o anatomista é coordenador do projeto e o único a conduzir as entrevistas com potenciais doadores.


Em busca de doadores

Na sala de espera para a conversa com o professor, as quatro mulheres já estão com a carteirinha de doador e o termo de doação preenchido e assinado em mãos. Uma delas comenta sobre a melhor maneira de conservar o documento.

Durante a entrevista, Maria do Carmo Couto, de 56 anos, continua com o termo em mãos, virado para a frente, exibindo com orgulho a materialização de uma decisão tomada há cinco anos.

Enquanto o professor esclarece as principais dúvidas e destaca que a doação ajuda indiretamente centenas de estudantes, Couto expressa satisfação. "Imagina meu corpo sendo estudado do dedinho do pé até a cabeça. Isso é maravilhoso", exclama.

Maria do Carmo Couto exibe termo de doação do corpo: 'Imagina meu corpo sendo estudado do dedinho do pé até a cabeça'

O professor Humberto Alves já entrevistou 580 pessoas entre as cerca de 780 cadastradas no programa de doação.

Hoje, são 68 corpos disponíveis para estudo na faculdade, sendo que 30 ainda não foram dissecados. Ao todo, 320 estudantes de Medicina trabalham com os corpos por semestre - uma média de 20 alunos por cadáver.

Antes do Vida Após a Vida, os poucos cadáveres que a faculdade recebia vinham de duas fontes.

Uma eram instituições públicas de ensino de São Paulo e do Rio de Janeiro que cediam corpos excedentes ainda nos anos 1980. A parceria, contudo, enfraqueceu com o surgimento de novas faculdades de Medicina nesses Estados.

Outra opção era o Instituto Médico Legal, que fornecia corpos não reclamados. Mas, devido às condições precárias do IML, muitos chegavam já em estado de decomposição. A questão policial também era um empecilho, pois não há cessão quando a morte é suspeita.


Importância

Ainda que existam recursos tecnológicos e modelos em 3D do corpo humano, nada substitui o cadáver, afirma Alves. Tanto pela forma de aprendizado diferenciada que proporciona como pela humanização dos estudantes que, muitas vezes, tocam pela primeira vez em um corpo sem vida.

Estudantes de Medicina em aula de anatomia na UFMG; para professor, contato com corpos provoca reflexão sobre morte e 'lição de humildade' diante da vida

"Os jovens, geralmente, entram na faculdade pensando que são imortais e aqui veem que não são", afirma o professor.

É o caso de um aluno que notou um anel no dedo do cadáver durante uma aula. "Ele disse que ali 'caiu a ficha', pois percebeu que aquela pessoa vivera como ele, mas teve um fim e se doou para ajudar outras pessoas", avalia Alves.

Há três anos, o professor decidiu que as entrevistas deixariam de ser individuais e seriam feitas preferencialmente em grupo. A mudança, afirma ele, trouxe mais leveza ao processo, bem como identificação entre os participantes.

"A pessoa percebe que não está sozinha em sua decisão e se sente parte de um grupo especial. Quanto maior o grupo, mais vontade as pessoas têm de doar", diz.

No início, o projeto atendia sobretudo idosos, mas o número de jovens aumentou e hoje o perfil dos doadores é diverso.

Há quem se comprometa a entregar o corpo por gratidão ao atendimento médico recebido em vida. Outros não gostam de enterro ou cremação. Medo de ser enterrado vivo e até repulsa à ideia de ter o corpo deteriorado por vermes também aparecem nas conversas.

Nas entrevistas, medo de ser enterrado vivo e de ter morte antecipada por 'chás' misteriosos costuma ser citado por doadores

Quando essas razões são compartilhadas, surgem risos e brincadeiras, já que uns entendem os outros. A maioria chega decidida pela doação, tendo superado entraves culturais.

Mesmo com a decisão tomada, uma desconfiança peculiar costuma aparecer nas conversas: a possibilidade de a morte ser acelerada de forma proposital por meio de algo como um "chá da meia-noite".

Diz a lenda que, caso um doador precise de atendimento no hospital da faculdade, um funcionário poderia ministrar o tal chá para que o corpo ficasse disponível para doação mais rapidamente.

Entre risos gerais, o professor garante que a história é falsa e deseja vida longa aos doadores.


Percurso da doação

Candidatos à doação procuram a Faculdade de Medicina da UFMG e deixam contatos para agendamento da entrevista. Após esse processo, assinam um termo de doação baseado na lei 8.501, de 1992, que garante que o corpo será utilizado apenas para fins de estudo.

O cadastrado recebe a carteirinha de doador, com os telefones para familiares ligarem quando a morte acontecer.

"Parentes reconhecerem e estarem de acordo é fundamental", explica o professor, pois somente a assinatura do termo não garante que o cadáver seja levado para a unidade.

Alunos em aula prática de anatomia na UFMG; maior abertura de vagas em cursos aumentou demanda por corpos

Da mesma forma, uma pessoa que não assinou o termo de doação, mas deixou algum familiar ciente de que gostaria de doar o corpo, não terá dificuldade em ter o corpo cedido para ensino, desde que a família procure a instituição.

Após a comunicação do óbito, um funcionário fica responsável pelo traslado e pela documentação.

No entanto, mesmo com tudo acordado entre doador, familiares e faculdade, situações inesperadas podem acontecer.

Houve um caso de um familiar que pediu o corpo de volta. A doadora havia realizado os procedimentos em vida para a doação. No dia da morte, os parentes assinaram o termo de cessão e o cadáver foi levado para a faculdade.

Entretanto, um irmão que não estava no momento da assinatura reclamou o corpo dias depois. O pedido foi atendido sem objeção. "Quando os familiares decidem, não interferimos", diz Alves. Foi o único pedido de devolução na faculdade até o momento.


Velório simbólico

A orientação nos casos de doação é que ocorra um velório apenas simbólico, mais curto do que as cerimônias tradicionais, já que o corpo precisa de preparo quase imediato para emprego adequado em laboratório. O local mais comum é o necrotério do hospital. Não há um tempo máximo para a despedida, mas geralmente ela dura de duas a quatro horas.

Órgãos preservados para uso em aula; uma vez doado, corpo não pode ser visitado por parentes

É raro, mas há parentes que optam pelo velório com caixão, flores e serviço funerário. Nesse caso, a despedida também é mais curta e a funerária não faz cortes ou alterações significativas no cadáver, apenas injeta uma substância conservante para impedir a decomposição.

Grande parte dos doadores prefere o velório simbólico para amenizar o desgaste emocional e financeiro dos familiares. Além disso, o professor deixa claro que, uma vez doado, é como se o corpo estivesse enterrado - o que significa que não pode ser visitado.

A religião não chega a ser determinante na decisão, diz Alves. O professor explica que pessoas que seguem a mesma religião podem ter pensamentos diferentes sobre a doação.

"Alguns católicos acham que é um gesto nobre, outros pensam que o corpo deve ser mantido íntegro. Já para os espíritas, em geral, o corpo é apenas uma matéria e o que importa é o espírito", exemplifica Alves.

Um ponto que motiva questionamentos dos próprios doadores é o fato de não haver um túmulo que sirva como referência do morto para a família.

Nesse sentido há um projeto antigo de criar um mausoléu em homenagem àqueles que cederam o corpo voluntariamente, mas a ideia nunca saiu do papel por falta de recursos.

Sociedade Brasileira de Anatomia não tem dados sobre número de corpos disponíveis para estudo em universidades brasileiras, pois cada instituição tem programa específico

Enquanto isso, fragmentos retirados durante a dissecação dos cadáveres são enterrados no jazigo da Faculdade de Medicina em um cemitério da cidade. Ossos e órgãos permanecem no acervo do departamento.


Conservação e conhecimento

Ao chegar à faculdade, o corpo segue para o setor de necropsia, onde fica em uma câmara fria, com temperaturas de 4ºC a 6ºC. O sangue é substituído por uma substância conservante.

Após a preparação, o cadáver é mantido submerso em um tanque de formol, o que impede seu ressecamento, até o momento de ser utilizado.

Os corpos usados nos laboratórios são retirados dos tanques na segunda-feira e recolhidos de volta na sexta-feira. O procedimento é feito com o corpo inteiro e partes isoladas.

O professor já dissecou corpos de doares que entrevistou. A última vez que isso ocorreu foi há dois anos. Como corpos que chegam não são usados imediatamente, há um intervalo entre a entrevista e a dissecação. Essa conversa foi, portanto, há uma década.

"Fico muito mais tranquilo em trabalhar com um corpo que conhecia porque sei que ele fez a escolha de vir para cá", explica o docente.

"Senti uma certa tristeza", reconhece ele, "mas lembrei da conversa em que ele disse não querer dar trabalho aos familiares e que morava sozinho e isso me tranquilizou".

O professor não costuma mencionar isso aos doadores - apenas quando questionado -, mas também é um candidato à doação.

E enfrenta um desafio parecido com o de seus entrevistados: convencer os familiares - no caso dele, uma em especial.

Humberto Alves já entrevistou pessoas que depois morreram e tiveram corpos usados em aulas; professor também pretende ser doador

"(A decisão) foi facilmente aceita pelo meu filho, mas não pela minha mulher. Ela ainda fica reticente."

A mulher costuma evitar o assunto, enquanto Alves procura retomá-lo em situações triviais do dia a dia, como um café da manhã. "Não é que queira morrer logo, só quero que minha vontade seja respeitada quando chegar o momento."

Na entrevista com as doadoras, Maria do Carmo Generoso, de 50 anos, diz que não revelou para toda a família a decisão que acabou de formalizar. "É uma decisão muito pessoal. Só meu filho e meu marido sabem", diz.

"Achei divino", afirma uma das participantes, que não quis ser identificada. Ela afirma que nunca gostou dos rituais de enterro e cremação, e que viu na doação uma alternativa. "Eu resolvi doar, mas tenho medo da morte. A vida é muito boa. A gente ama viver."

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O CENTENÁRIO DO INVENTOR QUE AJUDOU A SALVAR MILHÕES DE VIDAS

Frank Pantridge ajudou a salvar muitas vidas

O professor Frank Pantridge é lembrado como o cardiologista que inventou o desfibrilador portátil, equipamento que ajudou a salvar milhões de vidas nos últimos 50 anos.

E, segundo familiares, era também conhecido por não poupar críticas às autoridades - alguns acreditam que essa tenha sido a razão pela qual o médico, cujo centenário de nascimento foi celebrado na última segunda, não alcançou o merecido crédito no Reino Unido.

"Na nossa família, Frank é lembrado como uma grande personalidade completamente dedicada ao trabalho, mas que era o centro das reuniões familiares em que ele chegava invariavelmente com uma hora de atraso", disse Victoria Jordan, sua sobrinha-neta.

"Era uma companhia agradável, tinha um jeito árduo e uma opinião crítica em relação às autoridades - em particular, aos políticos."


Expulso da escola

Quem acompanhou a infância problemática de Pantridge dificilmente arriscaria que um dia ele salvaria tantas vidas com sua invenção - como a do ex-jogador de futebol Fabrice Muamba, que teve um ataque cardíaco durante um jogo em 2012 e foi salvo pelo uso do desfibrilador portátil.

Frank Pantridge foi homenageado com estátua em Lisburn, onde estudou

Ele cresceu em uma fazenda nas cercanias do vilarejo de Hillsborough, na Irlanda do Norte, e perdeu o pai aos dez anos.

Mas mesmo após ter sido expulso da escola algumas vezes, se formou na vizinha Lisburn e, em 1939, concluiu o curso de Medicina na Queen's University, em Belfast.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi enviado para o Extremo Oriente como médico de um batalhão de infantaria. Em 1942, foi capturado em Cingapura e, como prisioneiro de guerra, passou muito tempo fazendo trabalhos forçados nos trilhos de trem de Mianmar (antiga Birmânia).


Reconhecimento militar

Pantridge sobreviveu à beribéri - doença na qual a falta de uma vitamina prejudica o coração -, o que pode ter despertado seu interesse pelos males cardíacos.

Fabrice Muamba foi salvo por desfibrilador portátil após ataque cardíaco

O médico foi reconhecido pelo seu trabalho militar e ganhou uma medalha com a seguinte citação: "Este homem trabalhou diante das condições mais adversas, em meio a bombardeios, e foi inspiração para todos com quem esteve em contato. Ele permaneceu absolutamente calmo mesmo diante da mais intensa artilharia".

Em 1950, ele foi nomeado como físico no Hospital Royal Victoria, em Belfast. Naqueles tempos, as doenças coronárias haviam atingido patamares de epidemia.

Os médicos sabiam que a maioria das mortes relacionadas a esses males resultava de um distúrbio no ritmo dos batimentos cardíacos, que poderia ser corrigido com um choque elétrico no peito.

Pantridge sugeriu que tais distúrbios deveriam ser corrigidos onde acontecessem - fosse no trabalho, em casa ou na rua. Mas isso significava ter de usar um desfibrilador portátil, algo que ainda não existia.

Foi assim que, com a ajuda de outras duas pessoas, o professor inventou em 1965 o primeiro desfibrilador portátil do mundo, que usava as baterias dos automóveis.

O aparelho foi instalado na ambulância local e foi usado pela primeira vez em janeiro de 1966. O primeiro modelo pesava 70 kg - hoje, a versão mais moderna pesa apenas 3 kg.

A invenção de Pantridge usava baterias de carro

No Reino Unido, porém, a invenção alcançou uma modesta participação - só em 1990 os aparelhos foram colocados nas ambulâncias.

Nos EUA, a história foi diferente. Com o chamado "Plano Pantridge", os equipamentos foram rapidamente colocados em operação em vários hospitais do país.

Em um dos casos mais emblemáticos, o desfibrilador portátil foi usado para socorrer o ex-presidente Lyndon Johnson após ele sofrer um ataque cardíaco na Virgínia, em 1972.

Frank Pantridge se tornou tão conhecido em terras americanas à época que chegaram a dizer que ele poderia se candidatar ao Congresso.


Legado

Morto em 2004, Pantridge era visto como uma pessoa franca e complexa.

Em seu obituário no jornal inglês The Guardian, lia-se: "Inquestionavelmente focado e brilhante, trouxe avanços únicos para a cardiologia. Podia ser briguento, áspero e às vezes rude, mas era também generoso. Para gostar de uma pessoa, tinha que respeitá-la, e daí seria um amigo leal."

O impacto de Frank Pantridge na medicina ainda é sentido hoje em dia

Muitos no campo da Medicina acreditam que a sua natureza franca, sem rodeios, e os problemas com as autoridades foram o motivo de ele não ter recebido o merecido reconhecimento.

Frank Kelly, integrante da equipe que colocou o desfibrilador em produção, diz ter boas memórias do tempo em que trabalhou com o cardiologista.

"Ele era um homem muito talentoso", disse. "Fez o desfibrilador se tornar mais acessível e salvou muitas vidas. Ficou feliz de ter participado disso."

Segundo a sobrinha-neta Victoria Jordan, os feitos de Pantridge são motivo de muito orgulho para a família.

"Acho que ele ficaria satisfeito por ser lembrado como pioneiro no seu ramo da Medicina. E como alguém que dava valor às suas raízes."